A VÍRGULA, COMO USAR

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 Este sinalzinho, de formas curvas e simpáticas, é uma fonte de dúvidas na hora de escrever.

A vírgula é popularmente conhecida por representar um momento de pausa no raciocínio. Contudo, este não é o único sinal que representa a pausa na escrita e por isso, a vírgula não deve ser utilizada para representar todas as pausas do texto, pois assim como a música tem diferentes tempos de pausa entre as notas, também a escrita tem diferentes tempos de pausa entre as palavras, ou entre as locuções, as orações, frases, parágrafos e, por fim, no texto todo.
Todos esses sinais utilizados para representar as pausas de tempo no texto, inclusive o parágrafo, que é sinalizado pela tabulação ou pela pulada de linha ou de espaço, são, antes de tudo, sinais gramaticais.
A Gramática é uma lista de regras do idioma que explica como se formam as frases e as orações, entre outras coisas e assim, todos esses sinais envolvidos no processo de expressão escrita (inclusive as aspas, os parênteses etc) possuem regras, logo, não podem ser utilizados ao sabor da criatividade. Cada um desses sinais tem um efeito específico e para que esse efeito “salte” aos olhos do leitor convém conhecer essas regras.
Regras são divididas inicialmente em itens obrigatórios e itens proibidos e esses são os dois pontos em que devemos concentrar o aprendizado para aprender a maior parte, pois as exceções e as ocasiões facultativas costumam ser de menor número. Logo, vamos nos ater às obrigações e às proibições, cujos aspectos podem custar alguns pontos em provas.
É obrigatório usar a vírgula antes de introduzir objeções na frase. Geralmente, as objeções são iniciadas com palavras específicas que marcam a entrada de uma ideia oposta à anterior. São palavras chamadas adversativas ou de oposição e estas são as mais comuns: mas, porém, contudo, todavia, entretanto etc. Ex.: Está bom, mas pode melhorar.
Mas fique atento, porque as objeções podem aparecer de maneira diferente: em forma de expressões. Acredito que já ouviu alguém dizer por aí: Estava novo “uma vírgula”, já estava usado, ou algo semelhante. Essa expressão da oralidade denota muito bem a exigência da colocação da vírgula antes de se apresentar objeções ou ideias opostas, independente do uso de palavras adversativas.
 
Veja este exemplo: Não caiu, foi derrubado… Note que a frase não apresenta nenhuma das palavras adversativas que listei, contudo a ideia que está escrita na sequência mostra uma clara objeção à ideia anterior, por isso, exige a vírgula para avisar ao leitor que após o pensamento não caiu entrará uma ideia que não é um complemento, como seria se fosse: não caiu na pegadinha, ou não caiu no vestibular. A pausa criada pela vírgula logo depois de não caiu sugere que entrará outra ideia e não uma expressão complementar.
Avisar a entrada de ideias é uma das funções da vírgula, mas não somente ideias opostas ou adversativas. A vírgula também marca a entrada de ideias explicativas e geralmente começam com as palavras: pois, desse modo, sendo assim ou sendo que, por conseguinte, então, além disso etc. Ou em forma de expressões que sirvam de explicações ou demonstrações, como é o caso dos chamados apostos. Ex.: Brasil, um lugar abençoado por Deus.
Mas além do efeito de pausa no tempo para se receber ideias a vírgula representa também a separação de coisas, por isso é utilizada na geração de listas com elementos semelhantes ou com o mesmo sentido na lógica textual: arroz, café, açúcar, pão etc. Neste caso, a vírgula atua como um substituto do “e”, o qual, por sua vez, tem sentido de adição ou união de elementos.
Veja, então, que a vírgula pode aparecer não somente com o sentido de pausa, mas também com o sentido de substituição de algum elemento da frase, como se fosse um coringa. Fazemos isso para não repetir a palavra, pois repetir palavras causa um pouco de tédio na leitura. Essa substituição é chamada de elipse. Ex: Gosto de azul, ela, de amarelo. Vimos aqui duas vírgulas, a primeira marcou a entrada de uma ideia opositiva, mas a segunda entrou no lugar da palavra gosta, a qual desapareceu e ficou subentendida no contexto.
A vírgula também serve para criar o que se chama de deferência, que é uma espécie de demonstração de respeito por escrito. Isso se nota no uso da vírgula para separar o vocativo: – Boa sorte, Fulano. Colocamos o Fulano entre vírgulas para dar destaque ao fato de que estamos nos dirigindo a alguém e assim, a frase é direcionada a uma pessoa ou um grupo específico: – Vamos, Turma!
Vimos que a vírgula marca paradinhas no tempo para apresentar ideias, mas também serve como um substituto de palavras para evitar repetições e como elemento de separação de coisas.
Nesse aspecto da separação é que devemos tomar algum cuidado com a vírgula, pois existem elementos do texto que não podem ser separados, tais como: o sujeito e a ação que ele pratica e também qualquer palavra e seus complementos naturais. Ou seja, não podemos separar as expressões que dependem uma da outra para serem entendidas num contexto maior.
Ex: Quem ama cuida. É comum encontrarmos expressões com esse tipo de sintaxe separada por uma vírgula: quem ama, cuida. Esse é um dos erros mais comuns causado pela força da oralidade que tende a criar pausas de expectativa para causar ênfase e impactar mais o ouvinte. Mas a vírgula, neste caso, separaria a ação de cuidar do seu praticante:quem ama, e é esse tipo de separação que não se pode fazer na escrita, apesar de aparecer no ritmo da fala.
Do mesmo modo, não devemos separar o verbo dos seus objetos diretos ou indiretos, assim como os nomes de seus complementos nominais. E mesmo que você não conheça a terminologia gramatical e nem seja um perito em análise sintática, se usar o bom senso logo perceberá que certas expressões se completam em seus nexos, em seus sentidos e, por isso, não podem ser separadas por vírgulas.
Como recomendação final, sugiro que, na dúvida, deixe sem a vírgula, pois uma vírgula mal colocada pode incomodar muito mais do que a falta de algumas vírgulas pelo texto, pois as pausas, como já disse, são marcadas não somente pelas vírgulas, mas também outros sinais do texto e, principalmente, pelas palavras escolhidas para expressar a ideia.

Vera Morais

Um comentário em “A VÍRGULA, COMO USAR

    anisioluiz2008 disse:
    16 de novembro de 2018 às 16:27

    Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

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