DIRETO DA COP 21

por Fabiano Carnevalle,
Presidente do PV-Rio e
Co-Presidente dos Verdes
das Américas

Diários de Paris (II): Os primeiros dias e um anão chamado Brasil

Começou ontem (30/11) oficialmente a COP-21. Com a presença de 147 chefes de Estado e Governo, como o esperado tivemos o governo americano com uma postura ousada e os da Rússia e China com discursos modestos ou mesmo retrógrados. O presidente russo falou em não impedir o desenvolvimento dos países (uma retórica dos anos 70) e o chinês chamou o encontro de “ponto de partida”, esquecendo dos 24 anos do primeiro acordo em Kyoto.

O governo brasileiro segue jogando para o público internacional, ao concentrar suas metas na Amazônia e “esquecer” dos diversos biomas ameaçados do país, como o Cerrado, o Pantanal ou a Mata Atlântica. Ainda estabelece 2030 como prazo para o fim do desmatamento ilegal, o que na prática garante 14 anos de impunidade para os ilegais.

O Brasil também insiste na formação de 3 círculos concêntricos de países. durante as negociações. O primeiro seria formado pelos 13 países mais ricos do mundo e que teriam metas de INDC definidas e permanentes. O segundo seria formado pelos chamados “países em desenvolvimento” que teriam metas voluntárias e vinculadas ao crescimento do PIB (uma contradição em si mesmo). Ainda haveria um terceiro grupos de países mais pobres e vulneráveis, que precisariam da ajuda de um fundo de emergência comandado pelos ricos.

As teses sobre o primeiro e terceiro grupo são razoáveis. O que não é razoável é o Brasil se colocar no mesmo patamar que outro país em desenvolvimento, como a Argentina, por exemplo. Com a economia financeira gerando lucros astronômicos aos banqueiros e principalmente, com um patrimônio ambiental valioso e indispensável na luta contra a crise climática, o Brasil não pode se redimir a um posicionamento secundário dentro das negociações com as partes.

Devia não só estar definindo uma meta ousada, como também sendo protagonista no diálogo latino-americano dentro da COP. Mas não é o que vemos aqui. Enquanto a Alemanha assume o protagonismo europeu, realizando no seu Pavilhão diversos side-events relevantes (mesmo a discussão da Amazônia é puxada pelos alemães), o do Brasil se limita a ser um escritório burocrático e até agora fechado ao público. As discussões brasileiras estão sendo feitas na Embaixada em Paris, a cerca de 20Km de Le Bourget, a sede da COP-21.

Vivendo uma profunda crise hídrica e no meio de sua maior tragédia ambiental, o Brasil faz pirotecnia aqui em Paris e perde a oportunidade de assumir protagonismo na arena internacional.

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