PNUMA: apesar de avanços na Rio 2016, poluição e lixo na Baia de Guanabara são inaceitáveis

Os Jogos do Rio contribuíram para um mundo mais sustentável por meio de iniciativas que podem ser replicadas nas próximas Olimpíadas, como a transformação da arena de handebol em quatro escolas municipais, disse o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Erik Solheim.  No entanto, ele lembrou que o enorme passivo ambiental da cidade ainda é um problema a ser resolvido.

“A poluição e o lixo na Baia de Guanabara são simplesmente inaceitáveis, principalmente para as pessoas que vivem no Rio, mas também para o mundo”, declarou ele, durante bate-papo na quinta-feira (4) com a gerente de sustentabilidade da Rio 2016, Tânia Braga, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca.

Ex-ministro do meio ambiente da Noruega, Solheim assumiu a chefia da agência ambiental da ONU em maio deste ano.  Durante sua visita ao Rio, apesar das críticas ao passivo ambiental da cidade, ele elogiou a organização dos Jogos pelo que chamou de “iniciativas inovadoras” de sustentabilidade, completando que neste quesito o Rio foi melhor que Londres e poderá servir de exemplo para Tóquio, onde ocorrerão as Olimpíadas de 2020.

“Há uma enorme quantidade de ideias inovadoras aqui que podem ser replicadas no futuro”, disse.  “Desde o começo, a questão ambiental fez parte do planejamento da Rio 2016.  Até agora, foi um sucesso e melhor que as outras Olimpíadas anteriores”, completou.

Solheim lembrou, no entanto, ser urgente que as autoridades locais trabalhem na resolução de problemas ambientais como a poluição da Baia de Guanabara, palco de competições de modalidades esportivas como remo e vela.

Apesar de o governo estadual ter garantido que as condições das águas eram seguras para os atletas realizarem as provas durante as Olimpíadas, a promessa feita na apresentação do projeto olímpico como cidade candidata aos Jogos previa uma despoluição de 80% do corpo d’água, o que não foi cumprido.

“A poluição de baias e oceanos em todo o planeta tem que parar.  Está destruindo a vida das pessoas, destruindo peixes, ecossistemas.  É um desastre para o planeta”, afirmou Solheim.

 

Plano de Sustentabilidade Rio 2016

Entre as ações da Rio 2016 para questões socioambientais, o chefe do PNUMA destacou o fato de o estádio de handebol se transformar em quatro escolas municipais, cada uma com capacidade para cerca de 500 alunos.  A arena será desmontada e seus materiais serão utilizados na construção das escolas, segundo a Rio 2016.

“É uma ideia inovadora dividir o estádio e usá-lo para a educação das pessoas.  O (Comitê Olímpico Internacional) COI está interessado nisso, pois o projeto mostra a possibilidade de uso futuro dos estádios”, disse o chefe do PNUMA.  “É a mensagem que queremos que Tóquio receba para as próximas Olimpíadas”, salientou.

Segundo Tânia Braga, gerente de sustentabilidade da Rio 2016, cinco áreas socioambientais foram abordadas no planejamento dos Jogos Olímpicos, entre elas a redução das emissões de gás carbônico e a compensação das emissões efetuadas tanto pelas operações diretas como indiretas.

“Nossa meta era de reduzir em 18% as emissões de CO2, estamos atualmente em 20%.  Vamos ver se conseguimos manter isso durante a operação”, disse Tânia.  Outra meta que foi atingida, segundo ela, foi a entrega de 2 milhões de toneladas de carbono para contrabalancear a emissão dos Jogos, com projetos como a restauração de pastagens no Mato Grosso.

A agenda socioambiental da Rio 2016 também incluiu o turismo sustentável, área na qual a Rio 2016 firmou uma parceria com o PNUMA, no projeto Passaporte Verde.

“Conseguimos envolver também o SEBRAE e levar para os pequenos e médios hotéis do Rio preocupações sobre o uso racional de materiais, energia, água, sobre como tratar resíduos, dar proteção à criança e acessibilidade a deficientes”, disse Tânia.

O objetivo do Passaporte Verde é reduzir o impacto dos viajantes sobre os biomas e comunidades que visitam, com informações sobre opções de transporte público, restaurantes que valorizam alimentos e a culinária local e estabelecimentos comprometidos em reduzir o consumo de energia e água, o desperdício e a degradação ambiental.

A gestão de resíduos sólidos produzidos pelos Jogos também foi abordada pelo plano de sustentabilidade, segundo Tânia.  Nesse sentido, a Rio 2016 contratou 33 cooperativas de catadores que estão trabalhando na reciclagem dos dejetos.

“Temos que lembrar que a cidade do Rio conseguiu fechar o lixão de Gramacho, que era um dos compromissos dos Jogos”, disse.  Houve ainda a restauração de 7,3 hectares de vegetação nativa na área de proteção marginal em volta da lagoa próximo ao Parque Olímpico e os 44 hectares de vegetação nativa restaurada no campo de golfe.

Tânia ressalvou, contudo, que não foi possível resolver os problemas ambientais da cidade do Rio.  “Temos problemas históricos, ambientais e sociais.  Falamos de violência urbana, poluição de água.  Os Jogos não resolveram o passivo ambiental da cidade”, disse.

“Mas o que os Jogos conseguiram fazer foi colocar o holofote sobre os problemas.  Colocar a sociedade para discutir e prestar atenção na Baia de Guanabara, que precisa, sim, ser despoluída.  Precisamos dar prioridade para saneamento básico, e não só no Rio, mas no Brasil inteiro”, declarou.

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