MARCS15º ENCONTRO REINVENTAR JORNALISTAS RJ DEBATE O FUTURO DO RÁDIO.

Reinventar Jornalistasrj
O mito do dial infinito
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Palestra de Marcelo Kischinievsky, professor e especialista em rádio pela UERJ.
Desde o surgimento da TV, a morte do rádio vem sendo alardeada. Agora, com a internet, há quem diga que foi dado o “tiro de misericórdia”. Será? É fato que, no Brasil, emissoras tradicionais seguem a “tendência” de demissões em massa de suas equipes e algumas até desapareceram do dial. “Uma coisa é dizer que os veículos estão em crise. Outra, é dizer que o meio rádio está em crise. Não está. O número de ouvintes só cresce”, sintetizou Marco Aurélio Carvalho, apresentador da Rádio MEC AM e ex-gerente das rádios Globo Rio e São Paulo, durante sua participação no 15º Encontro Reinventar JornalistasRJ. O evento, realizado dia 28 de setembro, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, colocou o rádio na berlinda. Da mesa também participaram o jornalista e professor da UERJ Marcelo Kischinhevsky e o radialista Cadu Freitas. A mediação ficou por conta dos reinventantes Rosayne Macedo e Rodrigo Barros. Os anfitriões foram Paulo Jerônimo e Jesus Chediak, respectivamente, vice-presidente e diretor de Cultura e Lazer da ABI.
Bola de cristal
Marco Aurélio é apresentador do programa ‘Todas as Vozes’ da Rádio MEC AM.
Ao abrir o evento, Marco Aurélio brincou dizendo que a bola de cristal que trouxera de casa para lhe dar pistas sobre o futuro do rádio não estava “totalmente lustrada”. Porém, segundo ele, era possível vislumbrar algumas perspectivas. Para chegar a elas, ele se utilizou da própria história do veículo. Segundo Marco Aurélio, o rádio vive, atualmente, sua terceira revolução. A primeira foi na década de 30, quando os líderes políticos descobriram o poder estratégico do rádio como veículo de comunicação de massa. Ele lembrou que foi Hitler quem primeiro se utilizou do poder dessa mídia. A segunda revolução foi na década de 60 com a chegada do transistor, que “libertou” o rádio da sala de estar e, com isso, vários padrões foram quebrados. Os anos 90, com a internet, traz a terceira revolução, ao pulverizar o direito de transmitir e, com isso, embaralha de vez o jogo da comunicação radiofônica. Didático e muito midiático, Marco Aurélio mostrou como, a cada um desses momentos, o rádio, seus profissionais e a programação foram se reinventando para acompanhar as mudanças tanto tecnológicas quanto culturais. “O rádio tem facilidade de se adaptar às novas tecnologias e também sua linguagem tem rapidez de adaptação por conta da oralidade. O rádio é o espaço do diálogo e, neste momento, todos podem opinar. Houve um empoderamento dos ouvintes; as novas tecnologias pulverizaram a audiência. O bolo publicitário até aumentou, mas os anunciantes estão optando por buscar alternativas mais customizadas. Isso gerou a crise que tanto falamos. Porém, o que está em crise é a lógica de ter uma empresa dominando o mercado”, explicou ele que é coordenador executivo e pedagógico da ONG UNIRR – União e Inclusão em Redes e Rádio e um dos mais queridos profissionais do rádio brasileiro. Ao acionar sua bola de cristal “semi polida”, Marco Aurélio arriscou um palpite do tipo de rádio que vai sobreviver à terceira revolução: a que fizer programação ao vivo, com repórteres na rua e o mais próximo possível das pessoas. “O rádio é o mais inclusivo dos meios de comunicação. A tecnologia tem que ser vista como ferramenta e não há dúvidas: tudo o que tiver como fio condutor o áudio, será rádio”, afirmou.
Rádio expandido A pulverização do direito de transmitir, como Marco Aurélio mencionou, foi explicitada por Marcelo Kischinhevsky no conceito de “rádio expandido”: o rádio hoje está presente em várias plataformas como telefone celular, computador, tablets e várias mídias digitais. Uma das consequências disso, segundo ele, é a mudança na forma de se “consumir” o rádio. Afinal, se você perder o programa ao vivo, é possível ouvi-lo depois. Em formato podcast, circula pelas mídias sociais e pode ser compartilhado. Além disso, lembrou, os aplicativos dão acesso às emissoras de outras praças que, normalmente, você não teria acesso. Hoje também prolifera a criação de emissoras corporativas ou customizadas que têm como objetivo fortalecer uma marca, dentro da moderna estratégia de se desenvolver marketing de conteúdo. Mas não só isso. No momento, o rádio convencional também concorre com serviços como Spotify, SoundCloud, Deezer, Radiotube, Radioteca.net, onde não apenas se ouve música como é possível produzir conteúdo para ser distribuído nessas plataformas – tudo de graça ou quase. E as próprias plataformas estão em constante atualização. Muitas já permitem comentários em trechos de áudio, distribuem conteúdo informativo e permitem criação de “comunidades”. “Vivemos a utopia do dial infinito. Porém, qual a sustentabilidade de tudo isso? Esse é o desafio e a pergunta que vale $ 1 milhão, no mínimo. O que falta para o rádio é se assumir como meio de comunicação e não apenas como meio de difusão”, afirmou Marcelo, que lidera o Grupo de Pesquisa Mediações e Interações Radiofônicas, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e é o autor dos livros “Rádio e mídias sociais: mediações e interações radiofônicas em plataformas digitais de comunicação” (2016) e “O rádio sem onda – Convergência digital e novos desafios na radiodifusão” (2007). Pegando emprestado a bola de cristal “semi polida” de Marco Aurélio, Marcelo arrisca que a rádio que vai sobreviver é a que tiver maior capacidade de incluir cada vez mais vozes da audiência na sua produção.
“O jornalismo está virando commodity. Há fonte de informação gratuita por toda a parte. Vai ser preciso fazer o diferencial, prestar serviço, ser essencial. Mais do mesmo não vai nos levar adiante”, observou. Paixão
Cadu Freitas é apresentador do ‘Bate-Papo Ponto Com’ na Rádio MEC AM.
Há 20 anos, Cadu Freitas trabalha na Rádio MEC e há seis comanda o programa Bate-Papo Ponto Com. Algumas das coisas que seus colegas de mesa do Encontro Reinventar falaram sobre o futuro do rádio, ele já pratica. A principal: cada vez mais, os ouvintes participam do seu programa e com menos “filtro” de produção. E ele quer se aproximar, a todo momento, dos jovens e levar sua voz para dentro do estúdio. Cadu não tem dúvidas de que o rádio está mais vivo do que nunca e o aumento da base de ouvintes é sua principal “evidência” disso. Para ele, rádio é sinônimo de alegria, emoção e, principalmente, paixão. “Você pode fazer qualquer atividade ouvindo rádio e isso é uma grande vantagem para nós. O futuro do rádio está nas novas tecnologias. É possível produzir conteúdo para rádios de empresas, para grupos de WhatsApp. Tem espaço para todas as convergências. A roda está aí, não precisa inventar. É só fazer a roda andar. Sou um apaixonado pelo rádio, em primeiro lugar, como ouvinte. Depois como produtor”, afirmou. E de posse da bola de cristal “semi polida” de Marco Aurélio, Cadu crava que prestação de serviço é fundamental para a sobrevivência do veículo. E credibilidade da informação já que é o rádio que costuma ser a primeira fonte a alcançar as pessoas. Afinal, somente as ondas do rádio chegam a todos os cantos do país e, além disso, somente o rádio pode funcionar em caso de falta de energia elétrica, graças às pilhas. Reinventar ABI O diretor de Cultura e Lazer da ABI, Jesus Chediak, afirmou que o vice-presidente Paulo Jerônimo deu um “presente” para a instituição ao levar o Reinventar para lá. Segundo ele, o país está vivendo um “momento estranho” e a participação de todos é importante. Ele anunciou que pretende iniciar uma série de debates na ABI. “Muitos morreram para tirar o poder dos militares e devolver para a sociedade civil, mas o poder foi, na verdade, para o capital financeiro. Queremos debater na ABI a criação do Marco Regulatório para os meios de comunicação. Temos que colocar um freio no que está aí”, defendeu Chediak. Coordenadora do grupo, Rosayne Macedo informou que o Reinventar vai iniciar uma etapa voltada para a capacitação profissional dos jornalistas, oferecendo oficinas nas mais diversas áreas. O movimento também manterá ações como os Repórteres do Bem, quando integrantes do grupo visitam instituições e levam as doações recebidas pelos participantes dos Encontros. O radialista Rodrigo Barros, mediador do evento, afirmou que o grupo busca a integração em várias áreas.
Rádiojornalismo é um tema tão amplo que será tratado no próximo Reinventar juntamente com fotojornalismo. Acompanhe as redes sociais da rede e saiba mais detalhes da 16ª edição que acontece no dia 26 de outubro, na ABI. Já é possível efetuar a pré inscrição clicando no link https://goo.gl/forms/wphF4JqIsmVkjI…
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