A LAMA DE LÁ TAMBÉM NOS ATINGE

(Texto de Victor Bellardi,  exclusivo para o blogdoguida)
Um pouco mais de um ano e, pelo visto, uma das poucas certezas em relação ao rompimento da barragem de rejeitos que atingiu o distrito de Bento Rodrigues, bem como outros, parece que será o acréscimo de mais dias, meses e até ano(s) sem uma solução digna aos atingidos diretamente. E é obrigação nossa cobrarmos soluções, pensarmos em como contribuir ou termos quaisquer ações que nos dê o papel de atores principais, pois, somos todos atingidos. Isso mesmo, sendo a maior tragédia ambiental brasileira, a lama de lá não apenas respingou cá, como está engasgada em nossas gargantas.
É preciso mais que expeli-la somente.
Precisamos transformar a tragédia em uma oportunidade transformadora.
Obviamente, a resolução de medidas não pode se dar na velocidade que a lama destruiu as casas, histórias e tão pouco as vidas dos moradores. Dessa vez, o zelo se faz barreira para evitar respostas paliativas e desastres contínuos para quem já perdeu muito mais que tempo.
Entretanto, a morosidade, a burocracia e outros fatores também, nem de longe, podem se solidificar como os minérios que estão se acomodando no fundo do Rio Doce, cujos  efeitos serão negativamente sentidos, e muito, por muitos, aliás, por todos nós e por muito tempo.
Imaginem, então, o novo Bento Rodrigues e os outros locais atingidos serem, todos eles, construídos com materiais sustentáveis, bem como cada casa possuir placas fotovoltáicas, captação de água da chuva, quintal com hortas orgânicas e quaisquer recursos sustentáveis, sendo contrapontos frente às sucessivas atividades exploratórias e predatórias que se instalaram ao longo da nossa história.
Que as ruas sejam arborizadas com Ipês, quem sabe, para que nas Primaveras haja uma explosão de cores, beleza e vida. Além disso, todos os imóveis, arquitetonicamente, possam seguir os desenhos das casas mineiras de bem antes, como as de Ouro Preto e as de Tiradentes, por exemplo.
Não somente esses, mas que os mínimos detalhes em todos os lugares atingidos sejam fidedignos e tenham uma razão de ser: calçadas, iluminação pública, praças, etc. Isso pode se tornar um pólo turístico e alternativa de renda para os moradores. Claro, eles, os maiores interessados, têm que opinar. É possível criar e/ou incentivar programas de turismo na região, tirolesas, arborismo, trilhas e tantos outras ideias, sempre permeadas pela consciência ambiental e também pela lembrança da tragédia, a qual não poderá ser posta de lado, jamais!
Talvez, poder-se-á fazer um memorial.
Uma resposta com tal envergadura será a diferença entre construir casas sem conceito, como  se fosse a toque de caixa e sem alma, ou, construir possibilidades para aqueles que perderam muito mais  que bens materiais, para que elas possam recomeçar a reescrever suas histórias de maneiras sustentáveis, em todos os sentidos.
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