Cidades em transformação

Pedalar muda o mundo: cena do documentário “Ciclos” – Reprodução

Como o incentivo ao uso da bicicleta no dia a dia impacta a rotina urbana

A busca por um transporte alternativo aos veículos automotores é uma tendência global. Rápidas, econômicas e não poluentes, as bicicletas têm despontado como uma solução eficiente. Em São Paulo, onde a ampliação das vias cicloviárias começou em 2014, o número total de ciclistas já aumentou 66% no comparativo entre 2014 e 2015, segundo pesquisa realizada pelo Ibope, encomendada pela Rede Nossa São Paulo. No Rio de Janeiro, o uso da bicicleta como meio de transporte dobrou nos últimos cinco anos. Segundo levantamento do Plano Diretor de Transporte Urbano 2013, cerca de 500 mil viagens de bicicleta são realizadas diariamente na cidade.

A pesquisa Perfil do Ciclista Carioca, realizada em 2015 pela ONG Transporte Ativo, mostrou que 42,5% dos ciclistas utilizam a bicicleta como meio de transporte há menos de cinco anos.

O foco nas bicicletas para se locomover pelas cidades vem ganhando espaço. Em 2014, Nova York tinha mais de 600 km de ciclovias. Bogotá seguia para os 400 km e Buenos Aires ampliava seus 130 km. Hoje, a capital paulista conta com 494 km de vias com tratamento cicloviário permanente, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). No Rio de Janeiro, segunda maior cidade do Brasil, os 400 km foram atingidos em 2015.

No Brasil, ainda faltam dados públicos consistentes sobre o impacto das bicicletas no dia a dia urbano, mas países onde o uso da bike é consolidado há anos podem dar uma ideia de seu potencial.

Uma pesquisa feita pela The London School of Economics and Political Science aponta que ciclistas frequentes podem representar uma economia de até 1,6 bilhão de libras (cerca de R$ 6,3 bilhões) em uma década – por ser supostamente mais saudável, o ciclista faltaria menos ao trabalho por motivo de doença.

O documentário “Ciclos” mostra o cotidiano de pessoas com histórias de vida diferentes, em cima da bicicleta. Em cartaz no Espaço Itaú de Cinema – Reprodução

Mas colocar a bicicleta como opção vantajosa vai ainda além da economia financeira, dos benefícios ambientais e de saúde. Trata-se de unir mobilidade urbana a questões fundamentais de cidadania e inclusão social.

Metrópole aberta a novas possibilidades Para Eduardo Magrão, 52 anos, personagem do documentário “Ciclos”, produção do Itaú em parceria com a revista VICE, a dificuldade em massificar o uso da bicicleta passa pelo consumismo:

―– O conceito diz “quem tem um carro tem sucesso na vida”. É difícil quebrar essa relação entre o status e o meio de transporte – avalia o professor de história e cicloativista. Ele afirma também que as cidades foram projetadas para os carros, mas que pedir uma melhor estrutura cicloviária não implica a exclusão dos automóveis, mas sim o uso inteligente dos mesmos.

De fato, 51% dos paulistanos deixariam de usar o carro se houvesse uma boa alternativa de transporte. Outra pesquisa do Ibope, com moradores da capital paulista, revelou também que, em 2016, a população passou a apoiar mais as ciclofaixas e ciclovias em comparação com 2015: o número subiu de 59% para 68%. Vale lembrar que a ampliação das vias próprias para as bicicletas chegou em meio a polêmicas e desconfiança de parte da população.

“Ciclos”, que estreou nos cinemas na última semana, “dá voz à intuição, às pessoas comuns que buscam uma cidade mais saudável, equilibrada e amistosa”, explica o diretor Alexandre Chiarro.

– São personagens do nosso tempo, marcados por acontecimentos e fatos presentes na vida urbana atual e retratados em suas atividades habituais ligadas à vida doméstica e profissional – relata.

Luciana Nicola, superintendente de relações governamentais e institucionais do Itaú Unibanco, completa:

– Queremos convidar as pessoas a refletir sobre a mobilidade urbana, alcançando especialmente aquelas que não têm a bicicleta inserida no seu dia a dia.

No filme, ao lado de Magrão, estão Carolina Sayuri Ikeda, 35 anos, que deu uma reviravolta na carreira e adotou a bicicleta como parte de seu novo negócio, e Lorena Garrido, 27 anos, advogada e atriz nascida no Maranhão e uma das muitas pessoas que está começando a superar os medos e experimentar a bike.

Deu vontade de começar a pedalar?

O Itaú, em parceria com as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e o estado de Pernambuco, oferece as já tradicionais bicicletas laranjas. Não é preciso ser correntista do banco para usar o serviço, que hoje acumula milhões de viagens feitas. O empréstimo de bikes é uma ótima opção para quem quer viver a cidade de outro ângulo, sem a obrigatoriedade de comprar uma.

Documentário “Ciclos”

Todos os dias, às 18h – Grátis

Espaço Itaú de Cinema

Endereço: Praia de Botafogo, 316 – Rio de Janeiro

 

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