CIÊNCIA X FÉ: AS LIÇÕES DO ARSÊNIO

William Douglas e Rubens Teixeira*

É comum ver profissionais das ciências biológicas e jurídicas questionarem a Bíblia e até mesmo dizendo que ela está ultrapassada. Em geral, quem profere essas sentenças são colegas ateus, céticos e agnósticos, ou que, por alguma razão, desenvolveram certo repúdio às manifestações de religiosidade. Chega-se a dizer que a ciência desmente a fé e que o Direito deveria se “libertar” das amarras da religião. Isso, como se a religiosidade não fosse um fenômeno tão presente e natural nos seres humanos. O fato é que alguns dizem que a ciência, entre elas a jurídica, desmente a Bíblia.

Nesse passo, mesmo que nossa preferência seja evitar um agravamento das polêmicas, não consideramos razoável manter/propagar o silêncio sobre alguns pontos. Entendemos que, assim como alguns religiosos, alguns cientistas tendem a assumir uma posição arrogante perante os fenômenos da fé. No caso dos cristãos, a arrogância é inadequada, pois entendemos que somos salvos pela graça, por Cristo, e não por nossos méritos. No caso das ciências, a arrogância é arriscada, pois é da natureza da própria ciência sua evolução. O amanhã pode, portanto, reformar conceitos e isso deveria impor aos cientistas uma boa dose de humildade.

Entre os assuntos recorrentes entre a fé e a ciência, vale exemplificar com a discussão sobre não haver prova científica da existência de Deus. Pelo método da ciência a prova, de fato, não existe, mas isto não significa que Ele não exista. De qualquer forma, os religiosos vivem ouvindo que são ignorantes, que a ciência eliminará a fé e por aí vai. Nos ambientes jurídicos, é comum a acusação de obsolescência da visão bíblica e a crítica veemente a sua interpretação literal. A questão é que alguns pretendem uma interpretação tão extensa que o sentido original acaba sendo totalmente alterado. Os juristas tendem a querer aplicar ao texto bíblico a mesma condescendência que empregam na interpretação dos textos jurídicos, inclusive no uso daqueles recursos que tornam a conclusão final contrária ao texto. A alteração das normas com o passar do tempo e as inovações culturais é viável no Direito, mas – ao menos para a maioria dos cristãos – inaceitável para a leitura e prática do conhecimento contido na Bíblia.

Cremos não só em Deus como também que a ciência e a fé podem conviver harmoniosamente, até porque seus objetos e métodos são bastante distintos. Cremos que há uma diferença basilar entre os textos produzidos por homens, as leis humanas, e os textos inspirados pelo Espírito Santo, inseridos na Bíblia. Se alguém porventura não acredita na inspiração, inerrância e infalibilidade da Bíblia, deveria também compreender que da mesma maneira e na mesma proporção que tem o direito de não crer, deve preservar e respeitar o direito daquele que crê. Logo, não se pode querer impor aos interpretes da Bíblia conceitos que apenas se aplicam a textos que todos consideram passíveis de falhas. É importante ressaltar que se trata também de uma questão jurídica: o direito humano à liberdade religiosa, à liberdade de opinião e à liberdade de expressão.

Quando se fala no conflito entre ciência – qualquer que seja ela – e a fé, todos devem buscar a convivência pacífica e respeitosa e uma boa dose de tolerância à diversidade. Nesse embate, dois fatos recentes, a nosso modesto sentir, servem para trazer um pouco mais de serenidade aos ânimos exaltados tanto de alguns religiosos quanto de alguns materialistas. Falamos de duas mudanças consideradas substanciais, as quais alteram paradigmas da ciência e renovam a imprescindibilidade da humildade.

O final do ano de 2010 trouxe uma notícia bombástica para o universo científico. Uma pesquisa financiada pela NASA descobriu uma forma de vida construída a partir da combinação de um elemento químico tóxico. Em suma, uma pesquisa em astrobiologia mudou o conhecimento fundamental sobre o que abrange todas as formas de vida na Terra.

Os pesquisadores conduziram testes no ambiente hostil do Lago Mono, na Califórnia, e identificaram o primeiro microrganismo conhecido na Terra capaz de se desenvolver e se reproduzir usando um componente químico tóxico, o arsênio. “A definição de vida foi expandida”, disse Ed Weiler, administradora associada da NASA em entrevista ao Science Mission Directorate da agência, em sua sede, em Washington. “À medida que nós colocamos nossos esforços para procurar sinais de vida no sistema solar, nós temos que pensar de uma maneira mais aberta, mais diversa e considerar a vida como nós não conhecemos ainda”. Segundo o blog Cienctec[1] “essa descoberta de uma constituição alternativa bioquímica irá alterar os livros de biologia e expandir o foco de pesquisa pela vida fora da Terra.” A pesquisa revolucionária foi noticiada em todos os meios de comunicação no dia 02 de Dezembro de 2010 e o artigo foi publicado no Science Express.[2]

Carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre são os seis constituintes básicos de todas as formas conhecidas de vida na Terra. Quer dizer, eram. A partir de agora, temos mais um, o (para nós) venenoso, arsênio.

Outra notícia recente foi a de que “uma equipe de cientistas da Universidade de Telaviv descobriu, em uma gruta de Israel, fósseis que parecem ser do homem moderno, mas que estão em camadas de terra com idade entre os 400 e 200 mil anos – mais antigas do que o nascimento dos antepassados diretos do Homem. A descoberta deixou a comunidade científica em alvoroço. O que é que esta gente estava fazendo lá? Essa é a pergunta que arqueólogos pelo mundo inteiro estão se fazendo agora, pois o assunto foi parar na revista Science e a descoberta vai mudar o mapa da ocupação do planeta pela espécie humana. O que aconteceu – arqueólogos encontrarem artefatos humanos fora da África muito antes de os humanos terem saído da África – muda muita coisa na ciência. Eles não precisaram se esforçar muito para perceber que isso não fazia muito sentido. A descoberta muda todo o quadro do processo evolutivo aceito até hoje pela comunidade científica. É consenso, há décadas, que o homo sapiens (classificação do homem segundo a teoria evolucionista) surgiu na África há cerca de 200 mil anos e saiu do continente para ocupar todos os cantos do mundo há 60 mil. Mas, as ferramentas humanas de cortar, furar e raspar (especialmente coisas parecidas com machados) encontradas nos Emirados Árabes têm 125 mil anos. (…) Os livros didáticos, então, terão de alterar seus números nas próximas edições. ‘O estudo levanta muito mais perguntas que respostas’, diz Jeffrey Rose, arqueólogo da Universidade de Birmingham (Reino Unido).”[3]

Não estamos aqui criticando a ciência, nem seu avanço: ela é útil para a humanidade e seus progressos trazem conforto, segurança, medicamentos, dentre outros benefícios. O problema é quando ela se torna arrogante e preconceituosa com outras fontes e métodos de apuração da verdade.

Quem conhece a Bíblia sabe que, às vezes, a ciência leva algum tempo para chegar às mesmas conclusões que o texto sagrado. Até que isso aconteça, os que acreditam na Bíblia são tachados de ignorantes, obsoletos e outros nomes impublicáveis. Isso já aconteceu antes. Na Idade Média imaginava-se que a terra era plana. Alguém podia morrer se dissesse que a Terra não era o centro do universo. Porém, há mais de 2.000 anos antes desta época, Isaías 40.22 já fazia referência à Terra com forma de algo não plano, mas esférico, como foi provado posteriormente pela ciência. A Bíblia tem orientações comportamentais para empresários, empregados, reis e súditos. A Bíblia traz temas relacionados à Geologia, Meteorologia, Direito, Física, Arqueologia etc. A Bíblia jamais foi contrariada em qualquer desses temas pela ciência, tendo saído à frente em muitos deles. No balanço contábil, a Bíblia só tem créditos, e nenhum débito, com relação ao que afirmou antes que a ciência comprovasse. Há muitas coisas a serem provadas ainda, e os cientistas estão em busca desses avanços.

A Idade Média trouxe muita intolerância religiosa, a ser coibida ainda hoje. Atualmente, por exemplo, parece que esta intolerância está mudando de mãos em virtude de alguns ateus que transformaram suas crenças em uma verdadeira religião (uma religião da “não fé”), com boa parte dos defeitos das religiões já existentes, como a supracitada intolerância. E este mal é reprovável sempre, seja quando cometido por ateus, seja quando cometido por teístas.

O pior de tudo é vermos alguns professores materialistas ofendendo e submetendo a constrangimento e ridículo seus alunos por serem teístas, o que viola o Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como a ética profissional. Tais professores deveriam procurar adultos para tais discussões ao invés de desrespeitar a liberdade de crença e de opinião de seus alunos.

Cremos que há muitos religiosos precisando se banhar nas águas da tolerância, virtude que tem em Cristo seu maior luminar. Quanto à ciência, cremos que lhe cairia bem um pouco mais de humildade. Um dia arsênio não possibilita vida, noutro se descobre que sim. Um dia, o homo sapiens saiu da África há 60 mil anos, no dia seguinte se descobre que foi há, pelo menos, 120 mil anos. Pior, o átomo que era “a-tomo = não divisível”, hoje é sabidamente muitíssimo divisível, ainda que a ciência prefira não mudar o seu nome consagrado, mas errado.

Quem estuda a Bíblia e a ciência enxerga que ela já dizia coisas que a ciência comprovou depois, mas ainda não teve prova científica excluindo o que ela diz. Há coisas ditas na Bíblia que a ciência ainda não alcançou em suas pesquisas. Este cenário traz um conforto muito grande de que a nossa fé está amparada em um livro que, embora não tenha finalidade científica, até agora não foi desmentido pela ciência em inúmeros aspectos. Nem cremos que será. Cremos em um Deus supremo, criador de uma natureza maravilhosa e que ainda tem muito a ser desvendada, e que a cada descoberta poderá aproximar estes dois campos, ciência e fé.

Quem sabe amanhã, assim como se descobriu que o átomo não é indivisível, ou que o arsênio pode gerar vida, a ciência não infira que o Deus da Bíblia realmente existe?

Não que nós precisemos disso, pois, afinal, estamos certos de que falamos com Deus ontem à noite. Mas seria muito bom um pouco mais de tolerância entre os credos, e entre quem não os tem, ou tem por credo apenas a ciência. Na Bíblia, nossos cânones são os mesmos há séculos, eles não mudam. Nossa “Constituição” não tem Emendas, nem nos valemos de legislação que a regulamente. É da essência da Reforma Protestante a ideia da “Sola Scriptura”: a Bíblia é nossa única regra de fé e conduta, e é imutável. Todas as declarações de Direitos reconhecem nosso direito à fé, e nós pretendemos exercê-lo.

A ciência, por outro lado, evolui. E cada vez que evolui, começa a concordar com algo que a Bíblia já dizia, e isso é, para nós, motivo de dupla alegria. Porém, enquanto não concordamos em tudo, e considerando as lições do arsênio, não seria de mau tom um pouco mais de humildade. E se a ciência já disse que a Terra era plana quando a Bíblia já alertava outra coisa, não tenhamos tanta pressa em dizer que o que a ciência diz hoje desmente a Bíblia. A ciência evolui. Por fim, que a ciência jurídica preste ao cristianismo o devido respeito pelo quanto ele influenciou na doutrina dos direitos humanos, na criação das Universidades (com seus cursos jurídicos), no respeito aos direitos das mulheres, crianças, idosos e deficientes, assim como no combate ao tráfico de escravos. Em suma, que os cristãos possam amar mais o próximo, uma das principais ordens do Cristo, e que os cientistas possam ter mais respeito com livro e religião tão antigos. A própria longevidade da Bíblia, assim como a das religiões que a seguem, por si só já é um fato que merece reflexão.

 

 

[1] Blog Cienctec – http://blog.cienctec.com.br/.

[2] Wolfe-Simon, Felisa et al. A Bacterium That Can Grow by Using Arsenic Instead of Phosphorus. http://www.sciencexpress.org / 2 December 2010 / Page 4 / 10.1126/science. 1197258.

[3] Disponível em: http://www.soudapromessa.com.br/Institucional/Not%C3%ADcias/ tabid/376/articleType/ArticleView/articleId/1302/Descoberta-em-Israel-coloca-em-xeque-a-teoria-evolucionista.aspx.

 

William Douglas é juiz federal/RJ, Mestre em Direito/UGF, especialista em políticas públicas e governo/EPPG-UFRJ; Rubens Teixeira é diretor financeiro da Transpetro, Doutor em Economia (UFF), Mestre em Engenharia Nuclear (IME), Engenheiro Civil (IME), formado em Direito (UFRJ) e Ciências Militares (AMAN). Ambos são coautores do livro Sucesso Profissional e Financeiro: os diferenciais de excelência da Bíblia. Ambos são autores do livro “As 25 leis bíblicas do sucesso”, (Ed. Sextante), que consta na lista de mais vendidos da VEJA, Você S/A, Folha de SP, Valor Econômico e Publishnews.

 

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