Blog Cidade das Águas – Aquafluxus

Portela emociona ao falar dos rios

Posted: 09 Mar 2017 03:56 PM PST

Depois de 33 anos, a Portela volta a ser campeã do Carnaval do Rio de Janeiro. A escola de samba de Madureira emocionou a Marquês de Sapucaí ao trazer muita alegria e beleza em um desfile que homenageou os rios. Com o enredo “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar”, trouxe o passado e o presente dos cursos d´água. Contou verdades, mitos e crenças. Explorou o surgimento da vida, a natureza e a relação do homem com os rios.

Sem dúvidas, o enredo da Portela tem tudo a ver com o nosso Brasil. Afinal, somos O País dos Recursos Hídricos. Somos dotados de enorme litoral, de diversos lagos, lagunas e lagoas, dos maiores aquíferos do Mundo e, principalmente, de uma diversidade enorme de rios. Temos rios de domínio nacional, que cortam estados e dividem opiniões. São motivos de conflito devido aos variados interesses dos usuários. Nesta lista estão o Rio São Francisco, o Rio Paraíba do Sul e o Rio Xingú. Temos outros menores, mas que continuam muito importantes. São os agentes para o desenvolvimento de cidades, inclusive emprestam seus nomes para elas. Há aqueles que transbordam de beleza. Muito limpos e cristalinos. Mas também aqueles que nos fazem refletir sobre o descaso humano com o meio ambiente. Poluídos, sem nenhuma vida dentro de suas águas ou em suas margens. Completamente abandonados. Definitivamente, aqui temos de tudo.

A Portela não abordou apenas os rios brasileiros. Ela foi além, falou da importância deles para a nossa vida através da água, motivo da nossa existência e sobrevivência. Como comissão de frente, ela nos trouxe as nascentes, organismo de enorme importância, como explicamos nos textos: Proteção de Nascentes e Tipos de Nascentes. Depois, nos contou histórias, mitos e lendas. Com muitas homenagens aos seres dos rios.

Para mim, o auge do desfile foi a homenagem ao Rio Doce. Foi com tanta garra que a Portela nos lembrou do rompimento da barragem de rejeitos em Mariana, no fim de 2015. Eu, como uma apaixonada pelos recursos hídricos, não consegui conter as lágrimas. Fiquei com nó na garganta ao ver a ala e o carro alegórico que representavam o sofrimento dos moradores da região. Integrantes, completamente sujos de lama, levavam mensagens de protesto e de socorro. Enquanto o gigantesco carro apresentou o desespero de um ribeirinho, representado através de um doloroso choro, que se mistura com as águas, hoje, barrentas do Rio Doce.

Pouco tempo se passou e muita gente já esqueceu da tragédia do Rio Doce. Situação que preocupa os moradores e ambientalistas. Pois, junto do esquecimento, vem o medo do não cumprimento das ações para mitigar as consequências geradas pelo rompimento.

Muitas cidades e vilarejos na bacia do Rio Doce dependem de suas águas para sobrevivência. Em outubro de 2016, quando completado um ano da tragédia, uma série de matérias foi apresentada contando a atual situação desta população e as providências que foram tomadas. Apresentamos um resumo no texto “A BACIA DO RIO DOCE UM ANO APÓS O ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE FUNDÃO”. Mas já adianto: infelizmente, pouco foi feito para recuperar o querido Rio Doce.

Portanto, obrigada Portela e Paulo Barros! Além do lindo desfile, a mensagem que passaram foi maravilhosa. Não podemos esquecer do Rio Doce!!!

Nasce como um fio d’água, calmo e sereno, e continua para receber muitas contribuições em seu curso. Enquanto cresce, irriga e fecunda as margens de onde se colhe o alimento do corpo e da alma. Avança sobre a terra e não se deixa vencer pelas pedras que encontra no caminho. Passa inspirando canções e poemas, linhas e formas sinuosas. Em sua exuberância, desfila entre matas, plantações, casas humildes e mercados, do interior até chegar às grandes metrópoles e receber as imensas construções fincadas em suas margens. O homem e o rio estão ligados pelo corpo e pelo espírito. Os artistas, músicos e cantadores, arquitetos e escritores incorporam a alma do rio e refletem suas imagens. Aqueles que se entregam à devoção e murmuram suas preces, pedidos e promessas fazem procissões e oferendas, agradecidos pelos desejos atendidos. O homem tira a vida do rio. A vida é como um rio que corre em direção ao seu destino. (Portela, 2017)

Mais informações sobre este tema em:

QUANTO CUSTA O RIO DOCE?

A BACIA DO RIO DOCE UM ANO APÓS O ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE FUNDÃO

A REAL HISTÓRIA DA RECUPERAÇÃO DO RIO DOCE EM 5 MESES

EM PAUTA: O DEBATE SOBRE SEGURANÇA DE BARRAGEM

PLANO DE AÇÃO EMERGENCIAL – QUANDO O DESASTRE ACONTECE.

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