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Abraham Tenner, engenheiro químico: ‘Economicamente viável é viver’

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Chefe de dessalinização da Autoridade de Água de Israel esteve no Rio para palestras sobre as tecnologias para garantir o abastecimento em seu país tão seco

POR ALEXANDRE RODRIGUES


Para Tenner, dessalinização é viável no Rio, mas afirma que há métodos mais baratos – Ana Branco / Agência O Globo

“Nasci na Alemanha e fui para Israel com um ano. Tenho 68 e trabalho há dez na área de abastecimento de água. Deveria ter me aposentado em 2014 mas o governo pediu para ficar mais um ano. Não estou ansioso pela aposentadoria pois terei de trabalhar em casa para minha mulher, uma chefe muito exigente”

Conte algo que não sei.

A quantidade de água no mundo é sempre a mesma. A população é que cresce. A água, hoje, já é insuficiente para a população. Isso em todo lugar, até no Brasil, onde se pensa haver muito mais água do que o necessário. Pode valer em algumas regiões, mas não em todas. Além da crise de São Paulo ou do Rio, há cidades como Recife que já não têm alternativas naturais para o abastecimento.

O que o Brasil pode aprender sobre água com Israel?

Que dá para resolver. É só ir ao deserto e ver o que fizemos. Um exemplo é o tratamento da água de uso doméstico. No Brasil, em muitas cidades, joga-se tudo no rio, contaminando a principal fonte de água limpa. Há muitas maneiras de lidar, mas a decisão deve vir das autoridades, com políticas públicas e recursos. É possível resolver, mas vai ter custo.

Como definir as soluções?

Em Israel, temos um plano com metas 40 anos à frente. A cada 5 anos, é atualizado para saber quanto e onde temos de investir para atingir o objetivo.

Ter um órgão responsável por essa política é vital?

Certamente. Antes da criação da Autoridade de Água, em 2007, tínhamos 15 ministros ligados a água. Um cuidava da agricultura, outro da água de beber. Em Israel, toda a água pertence ao governo, mesmo dentro de uma propriedade. Se o dono quiser usar, tem que pagar uma taxa. Controlamos tudo que se faz com a água. Água é o básico. Sem água, não há vida. E nem país. É um insumo estratégico. Sem eletricidade, você pode sobreviver meses. Sem água, nem uma semana.

Apesar de árido, Israel garante o abastecimento?

Temos água 24 horas por dia toda a semana. A qualquer hora, você abre a torneira e há água para todo uso. Não era assim. Só conseguimos mudar a situação com dessalinização e reuso.

A dessalinização é viável economicamente?

Economicamente viável é viver. Não temos outra saída. O que fazemos é reduzir o custo. Há dez anos, era US$ 2. Até 2020, cerca de 50% de nossa água será dessalinizada. Em 2050, 75%.

Seria uma solução para cidades como Rio e São Paulo?

São Paulo não. O Rio, sim. Mas dessalinização deve ser o último passo. Antes, reduzir as perdas, descontaminar rios, usar água da chuva ou reciclada para irrigação e redirecionar para as cidades o que vai para a agricultura. É mais barato.

Qual sua impressão ao ver como se usa água no Brasil?

De que as pessoas não sabem o que estão fazendo. Para nós, é natural. Ao escovar os dentes não deixamos nunca a torneira aberta. Nem se estou em Paris, um dos lugares do mundo com mais água. Se você educar as pessoas, o custo vai cai e, o abastecimento, melhorar.

A água se tornará um problema político no mundo?

Certamente. Rios e aquíferos cruzam fronteiras. É uma questão em vários países: diferentes populações dividem as mesmas fontes de água.

Os territórios palestinos têm o mesmo acesso a água?

Têm autorização para tirar água do aquífero que existe na região em que vivem. Infelizmente, tiram mais do que precisam. Em Gaza, estão construindo uma unidade de dessalinização. Também abastecemos algumas áreas deles com água de Israel. Mas não precisariam se investissem no tratamento da água de esgoto.

O GLOBO
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Sana é um dos melhores destinos do estado no ranking Veja Rio

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Paisagem do Sana. Macaé/RJ - Data: 08/01/2013 Foto: Erica FerreiraNão foi à toa que o Arraial do Sana, na Região Serrana de Macaé, foi indicado pela Veja Rio como o quarto melhor destino para se curtir os feriados de 2015 do Estado do Rio. Lugar famoso pelas boas vibrações, pelas noites ao som do forró, do reggae e do samba. Mas também ao som das cachoeiras e da natureza. Depois que o sol nasce, trilhas ecológicas pelo circuito das águas e ainda até o Pico do Peito do Pombo, com 1.400 metros de altitude, são destinos certos. De longe, parece mesmo a silhueta de um pombo pousado sobre uma rocha. De lá, pode ser avistada uma paisagem fascinante até o mar, em direção ao município Casimiro de Abreu. Também localizado em Macaé, o Parque Nacional de Jurubatiba ficou com o nono lugar da revista.

Partindo da feira de artesanato local, a CriaSana – que fica em frente à praça principal – grupos de até quinze pessoas podem ser formados sob a organização de guias habilitados pela Secretaria de Ambiente (Sema) para as principais cachoeiras ou para o Pico do Peito do Pombo. Já o encontro de famílias com crianças acontece bem no início do circuito das águas, na cachoeira ‘Escorrega’, que forma uma piscina de no máximo um metro. Muitas outras se encontram pela trilha do Rio Peito do Pombo. As mais importantes são: ‘Sete Quedas’, excelente para relaxar e fácil de identificar pelos sete degraus formados sob a queda d’água. A cachoeira ‘Pai’ tem uma queda de 16 metros e bacia de águas cristalinas, além de um poço profundo, mas saltos são indicados apenas a pessoas com experiência e que conheçam bem o local. Há risco de acidentes graves (descolamento de retina, entorses, fraturas e morte). Essa cachoeira fica a cerca de 40 minutos do ponto de partida. Já a ‘Mãe’ tem queda de 12 metros. O acesso a ela é pela margem oposta à trilha. Entre as quedas d’água ‘Mãe’ e ‘Escorrega’ fica a ‘Filho’. Por ser de difícil acesso, a visitação é recomendada somente com guia.

Entre o Arraial do Sana e a Barra do Sana há ainda a cachoeira ‘Fervedeira’, com volume d’ água concentrado. É uma queda do Rio Sana, que nasce na Cabeceira do Sana e atravessa todo o distrito, desaguando no Rio Macaé, na Barra do Sana. No distrito, estão localizadas também a do Segredo, a do Silêncio, a Escondida, a Santa Rosa, a das Andorinhas, entre outras surpresas. Quem não se contentar com as cachoeiras, subindo em caminhada moderada por aproximadamente por 4 horas e meia pelo circuito das águas, irá se deparar com uma vista muito especial no Pico do Peito do Pombo

– Além da conquista pessoal por estar ali, fica em nós aquele visual deslumbrante. Muitas florestas. Uma paisagem variada até o mar, em direção a Casimiro de Abreu – relatou o turismólogo da Fundação de Esporte e Turismo de Macaé (Fesportur), Erick Coelho.

A Fesportur, a Sema e a Secretaria de Trabalho e Renda, por meio do Centro de Educação Tecnológica e Profissional (Cetep), em colaboração, organizaram o curso ‘Condutores de Trilhas no Sana’, que teve início em outubro de 2014. A previsão é que catorze guias se formem na primeira turma, em abril. No currículo estão incluídos: habilitação para salvamento, primeiros socorros, história e geografia do Sana, fundamentos de turismo, técnicas de condução de grupo, entre outros conteúdos.

Além de investir em recursos humanos, a prefeitura investirá, neste ano, em sinalização turística para o Arraial e para as trilhas. Estudos também estão sendo feitos, voltados para a localidade, como a catalogação das espécies de pássaros. O objetivo é desenvolver uma nova modalidade de turismo, o ornitológico, de observação de aves.

O Arraial do Sana tem uma rede de hospedagem aconchegante e variada, que vai de sítios pousadas, passa por chalés, pousadas bistrô, ‘hostel’, até campings. São cerca de doze unidades cadastradas. Os restaurantes, para todos os gostos e bolsos, são catorze. Em plena Mata Atlântica, uma equipe da Secretaria de Ambiente transmite aos frequentadores as regras de visitação às trilhas do Peito do Pombo, que é área de preservação ambiental.

Os guias de turismo fornecem dicas para que as surpresas do passeio sejam apenas as boas: use calçados resistentes e confortáveis, porte sua água potável e seu lanche leve, use roupas frescas, boné, protetor solar e repelente de insetos; leve também celular (há sinal no Pico), lanterna (se possível) e sacola para recolher seus resíduos. Não é permitia a ingestão de bebidas alcoólicas e levar animais domésticos. O passeio é recomendado a pessoas com bom preparo físico e com ausência de doenças que podem se agravar com o esforço. O passeio não é indicado para crianças menores de 10 anos. Outra dica é que as saídas aconteçam no início da manhã ou no fim da tarde e que todos estejam atentos à possibilidade de ‘cabeça d’água’ (cheia repentina do rio).

O LIXO É SEU!

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O lixo nosso de cada dia

Em Tóquio, reciclagem chega a 100%; no Rio, mais de 1 milhão de toneladas são recolhidas nas ruas

Carlos Aguilar

Após o feriado de São Sebastião, dia 20 de janeiro, a Comlurb recolheu 40 toneladas de lixo das areias da Praia de Copacabana. Os resíduos ficaram expostos para chamar a atenção da população. No início do ano, aqueima de fogos nas praias do Rio durante os festejos do réveillon resultou em 700 toneladas de lixo na orla carioca. O trabalho de limpeza envolveu quase quatro mil trabalhadores, 180 viaturas e 130 equipamentos. Mais um retrato do mau hábito de descartar lixo em local impróprio, ainda tão inserido na população, e de suas consequências para as finanças municipais e para o ambiente. No carnaval, novos números do que é jogado nas ruas, sem o menor pudor, deverão impressionar os cariocas.

É equivocado o pensamento de que limpeza urbana é um problema unicamente do poder público. Em muitos países, a população já compreendeu que o descarte e o tratamento do lixo também são de responsabilidade de quem o produz. Garantir que ele chegue ao destino adequado é uma questão de cidadania e respeito ao futuro.

Em Tóquio, por exemplo, não existe a necessidade de instalação de lixeiras nas ruas. Os moradores entendem que possuem a obrigação de levar o lixo para casa e separá-lo para a coleta seletiva. O sistema de reciclagem local abrange mais de dez categorias. Em alguns bairros, como Odaíba, a taxa de reaproveitamento do lixo chega a 100%. Em Toronto, no Canadá, a participação popular nos trabalhos de reaproveitamento do lixo chega a 96%.

Já em terras cariocas, mais de 1,2 milhão de toneladas de lixo é recolhido por ano nas ruas da cidade, mais do que o dobro do que é lançado nas vias de países desenvolvidos, segundo dados da própria prefeitura. O grande impacto da sujeira para o orçamento fez com que a poder municipal chegasse a uma atitude extrema: a de multar aqueles que jogarem lixo nas ruas.

A medida, já aplicada em cidades como Cingapura e Dubai, é eficiente, mas precisa ser aliada a campanhas de conscientização. A punição não pode ser a única forma de educar. É preciso despertar o interesse em viver em um ambiente mais limpo e saudável, e a consciência de que é necessário cumprir nossos deveres de cidadão, como descartar o lixo corretamente.

Todos os cariocas merecem encontrar uma praia mais limpa, uma orla mais asseada e ruas livres de dejetos. Ninguém quer isentar o poder público de suas obrigações: cabe às autoridades desenvolver sistemas de coletacada vez mais modernos, que acompanhem o aumento da produção de lixo, consequência da melhoria das condições de vida da população. Os mecanismos de coleta seletiva e reciclagem devem ser ampliados, como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Nada disso, porém, apresenta qualquer resultado se a outra parte envolvida continuar ignorando o seu papel de fazer uma cidade sustentável. O problema do lixo é de todos.

URL: http://glo.bo/MkhZhY

INSCRIÇÖES PARA USO DE ESPAÇO NA RIO + 20

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O governo brasileiro coloca à disposição da sociedade civil os locais para realização de debates, encontros, seminários, exposições, atividades culturais, entre outros eventos paralelos relacionados à conferência.

Organizações não governamentais, grupos empresariais, comunidades indígenas, autoridades locais, organizações de agricultores, grupos de crianças e jovens, trabalhadores e sindicatos, entidades de mulheres e a comunidade científica e tecnológica que desejarem organizar evento em um desses locais poderão pleitear espaços por meio do Formulário de Intenção de uso dos espaços, disponíveis na página eletrônica oficial do governo brasileiro para a Rio+20.

Os formulários devem ser enviados até 17 de fevereiro. A manifestação de interesse não assegura o direito de uso desses espaços e será levado em consideração o critério de ordem cronológica de recebimento dos pedidos. A divulgação do plano de uso dos espaços será a partir de março.