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Quase metade das mortes de animais no litoral de São Paulo tem relação com lixo

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Segundo Instituto Argonauta, 48% dos animais marinhos encontrados mortos nos últimos anos, no litoral norte de SP, tiveram contato com lixo

Lixo em excesso causa grandes danos a vida marinha nas praias do litoral norte de São Paulo
Reprodução/ Instituto Argonauta

Lixo em excesso causa grandes danos a vida marinha nas praias do litoral norte de São Paulo

Dentre os 2.600 animais marinhos encontrados mortos pelo Instituto Argonauta, entre 2015 e 2018, 48% mostraram ter tido contato com o lixo jogado nas praias do litoral norte de São Paulo, segundo a coordenadora do Projeto de Monitoramento de Praia da Bacia de Santos (PMP-BS), Carla Beatriz Barbosa.

O levantamento também divulgou que 942,7 kg de lixo foram retirados das praias avaliadas em 2018, sendo que 330,8 kg foram coletados só nas praias de Ubatuba. Além disso, dentre os 132 locais analisados, seis praias foram classificadas como “inaceitáveis” pelo instituto, devido a grande quantidade de resíduos encontrados.

Os resultados podem ser ainda mais assustadores se for considerado um tempo de análise maior. Nos últimos 30 meses, foram recolhidas 22 toneladas de resíduos nesses locais. Tais dados fornecem aos pesquisadores um “raio-x” sobre o movimento de descarte nas praias do litoral norte.

A finalidade da operação é, não só de recolher o excesso de lixo nas praias, como também conscientizar a população a respeito dos impactos que o descarte excessivo pode ter para o meio ambiente, para os animais , para a saúde da população e para a economia dessas cidades, que tem como base o turismo de praia.

“Apesar do aumento da preocupação e da veiculação de diversas notícias sobre o tema, na prática ainda observamos uma enorme quantidade de lixo indo parar nos rios, praias e mar da região, e o que é pior, afetando diretamente a fauna marinha”, afirmou Hugo Gallo, presidente do Instituto Argonauta.

O oceanógrafo ainda destacou que os países europeus já preveem banir os materiais descartáveis até 2020 e que essa medida deveria ser considerada pelo Brasil quando o assunto é descarte de lixo .

 

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Agrotóxico usado na soja responde por 80% das mortes de abelhas no RS

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abelhas mortas por agrotóxico
abelhas mortas por agrotóxico
Foto: Aldo Machado
Cerca de 80% dos casos de mortandade de abelhas — em que há morte de todas as colmeias de um apiário — no Rio Grande do Sul analisados pelo engenheiro agrônomo Aroni Sattler, em 2018, decorreram da ingestão ou contato com o inseticida fipronil. O produto é usado no Brasil para proteger sementes de soja contra insetos como o bicudo.

No ano passado, a parceria entre o professor da faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e um laboratório do setor privado examinou 30 episódios registrados no estado. O trabalho conduzido por Sattler revelou um índice próximo ao do projeto Colmeia Viva. Entre 2014 e 2017, a iniciativa analisou aproximadamente 200 ocorrências. Das quase 60 em que foi possível detectar o ingrediente ativo, o fipronil representa 70%.

Doutor em ciências biológicas, Osmar Malaspina estuda abelhas há 40 anos e integrou a equipe de pesquisa. Segundo ele, o problema está na utilização incorreta do produto. Esta também é a denúncia do coordenador da Câmara Setorial de Apicultura do estado, Aldo Machado. “É um problema que vem se agravando de dois anos para cá, e não tem ninguém fiscalizando. O Ministério Público não está se mexendo, o governo também não”, diz.

De acordo com Machado, nos últimos meses foram registrados casos de extermínio de colmeias nos municípios gaúchos de Alegrete, Bagé, Caçapava do Sul, Cruz Alta, Frederico Westphalen, Santana do Livramento, Santiago e São José das Missões.

O coordenador afirma que produtos à base de fipronil estão sendo usados na fase da floração da cultura. É aí que está o problema, diz Machado, que também é apicultor: as abelhas visitam as áreas de soja, coletam néctar contaminado e retornam às caixas. “O produto mata por contato e ingestão. Qualquer outro inseto que encoste nessa abelha morre também”.

Para Aldo Machado, alguns produtores de soja estão fazendo a aplicação de fipronil juntamente com dessecantes para economizar diesel e mão de obra. “O correto seria aplicar os dois produtos separadamente, para que não haja fipronil nas lavouras quando as abelhas forem atrás das flores”, diz.

Contando os prejuízos

Em Santiago (RS), apicultores estimam ter perdido 200 colmeias, diz Machado. “O presidente do Sindicato de Cruz Alta me contou que cerca de 1.000 colmeias devem ser perdidas só no município”.

Segundo o coordenador da Câmara Setorial, um laudo da Universidade de Santa Maria estima o prejuízo por colmeia em R$ 810. “O produtor que aplica de forma incorreta para economizar está ganhando, e o apicultor, pagando a conta”, afirma.

Cautela

Samuel Roggia, pesquisador de Entomologia da Embrapa Soja, diz que não é possível afirmar que seja esse produto o causador das recentes mortes das abelhas no Rio Grande do Sul sem que antes seja feita a análise de amostras dos insetos mortos.

Segundo o pesquisador, a aplicação de fipronil na cultura de soja tem melhor efeito sobre o controle de insetos como o bicudo em fases anteriores ao florescimento.

Polêmica no mundo

Pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, constataram que o fipronil foi responsável pela morte de milhares de abelhas na França, entre 1994 e 1998 — os casos começaram um ano após o lançamento do produto. Órgãos reguladores da União Europeia proibiram o uso do agroquímico no cultivo em 2017.

Malaspina diz que simplesmente vetar o uso no Brasil é mais difícil. “Não temos a mesma realidade da Europa. Lá, eles têm seis meses de frio intenso, o que extermina a maioria das pragas. Aqui, com clima tropical, elas estão presentes o ano inteiro. Precisamos conscientizar sobre o uso correto. Isso diminuiria muito o impacto”, salienta.

As abelhas não foram as únicas vítimas do inseticida. Em 2017, uma empresa contratada para desinfetar granjas fez uso ilegal do produto e contaminou milhões de ovos. Ao todo, 17 países foram atingidos e os ovos precisaram ser retirados das gôndolas dos supermercados.

Demarcação de Terras Indígenas é decisiva para conter o desmatamento e regular o clima

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Antonio Oviedo

As Terras Indígenas cobrem uma porção significativa da Amazônia brasileira e são fundamentais para a reprodução física e sociocultural dos povos indígenas. Os benefícios e serviços prestados por estas áreas ao clima e desenvolvimento sustentável do bioma, contudo, ainda são pouco reconhecidos. Para piorar, terminamos 2017 com a notícia triste de que o desmatamento aumentou em algumas dessas terras. Para tentar equilibrar um pouco esse jogo, listamos neste artigo algumas boas razões para mostrar porque aumentar a proteção das Terras Indígenas é, também, ajudar a preservar a Amazônia.


Vista aérea da TI Yanomami (em 2012), no Alto Rio Catrimani, divisa dos estados de Roraima e Amazonas. É a maior reserva indígena do planeta com pouco mais de 10 milhões de hectares

Para começo de conversa, as Terras Indígenas na Amazônia abrigam 173 etnias indígenas e são fundamentais para a conservação da biodiversidade regional e global, pois as comunidades indígenas reconhecem o valor da floresta em pé na proteção e manejo dessas áreas. Enquanto 20% da floresta amazônica brasileira foi desmatada nos últimos 40 anos, as Terras Indígenas na Amazônia Legal perderam, somadas, apenas 2% de suas florestas originais.

Esta característica lhes confere um papel fundamental na prevenção e no controle do desmatamento, tanto pela extensão de suas áreas – com elevados índices de conservação ambiental e com os maiores remanescentes florestais do país – quanto pelos modos tradicionais de vida dos povos indígenas, caracterizados por uma relação harmônica com os ecossistemas. Em várias regiões, as Terras Indígenas fazem parte de mosaicos ou corredores de áreas protegidas ainda mais extensos, articuladas com Unidades de Conservação e Territórios Quilombolas, que bloqueiam o avanço do desmatamento e promovem outros modelos de ocupação e de governança. Hoje, as Terras Indígenas e Unidades de Conservação cobrem mais de 42% da Amazônia Brasileira.

Terras Indígenas inibem desmatamento

Este efeito inibidor do desmatamento relacionado à presença e o reconhecimento de Terras Indígenas pode ser demonstrado por meio da queda nas taxas da destruição da floresta entre 2004 e 2008. Neste período, 10 milhões de hectares da Amazônia brasileira foram demarcados como Terras Indígenas, assim como outros 20 milhões passaram a ser protegidos no âmbito do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm). Esta ação, por si só, influenciou a queda de 37% da taxa de desmatamento observada entre aqueles anos.

Além das baixas taxas de desmatamento no interior das Terras Indígenas, a destruição da paisagem onde estes territórios estão inseridos é inibida. Em um raio de 10 km de distância observa-se 7% de área florestal desmatada, e em um raio de 25 km de distância, a proporção de área florestal desmatada é de quase 12%. Este efeito tem papel importante na conservação da biodiversidade regional, incluindo mamíferos raros e de grande porte, e os sistemas hidrológicos da região.

Na Amazônia brasileira, as comunidades indígenas protegem e manejam 27% das florestas, que armazenam 27% dos estoques de carbono da região, representando aproximadamente 13 bilhões de toneladas. Esta quantidade não considera o carbono armazenado no solo, que possui, em média, um estoque entre 40 e 60 toneladas por hectare. Esta retenção do carbono pelas florestas ajuda a conter o acúmulo de CO2 na atmosfera, visando à diminuição do efeito estufa.

Florestas resfriam o planeta

Além de estocar enormes quantidades de carbono, as florestas das Terras Indígenas resfriam a superfície e interferem na circulação global – atmosférica e oceânica -, ajudando a baixar a temperatura do planeta. As florestas constituem extraordinários componentes vivos e interativos do clima, como uma bomba d’água gigante: cerca de 5,2 bilhões de toneladas de água são transpiradas diariamente pelas árvores existentes nas Terras Indígenas. Para comparação, o volume despejado no Oceano Atlântico pelo Rio Amazonas é pouco mais de 17 bilhões de toneladas por dia. O volume de água fornecido pelas florestas das Terras Indígenas daria para encher diariamente quase 80 vezes todas as caixas d’água do Brasil.

A manutenção dessas grandes extensões protegidas será fundamental para preservar o regime de chuvas, importante não só para a região Norte, mas que contribui de forma significativa com as chuvas das regiões Sul e Sudeste. Por exemplo, a substituição das florestas para o cultivo de pastagens ou culturas agrícolas resulta em um aumento de temperatura regional de 6,4o C e 4,2°C, respectivamente. Como consequência, ocorre uma variação no ciclo hídrico regional, que coloca em risco o funcionamento ecológico das florestas da região e o bem viver dos povos que nelas habitam. O alto grau de conservação das florestas existentes nas Terras Indígenas evita o aumento da temperatura.

Estes efeitos positivos da conservação das florestas nas Terras Indígenas revelam um modelo promissor de governança do território. As iniciativas comunitárias implementadas nesses territórios representam uma referência na política socioambiental e uma via alternativa para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Um exemplo é o Território Indígena do Xingu (TIX), que faz parte de um mosaico de áreas protegidas – 21 Terras Indígenas e nove Unidades de Conservação – contíguas, que conformam um corredor de diversidade socioambiental de 26 milhões de hectares e bloqueiam o impacto da expansão do desmatamento e da produção de commodities na região.

Outro exemplo é a Bacia do Rio Negro, região onde os povos indígenas promovem e articulam processos e múltiplas parcerias a fim de construir uma plataforma de gestão transfronteiriça pela melhoria da qualidade de vida, valorização da diversidade socioambiental, segurança alimentar e produção colaborativa e intercultural de conhecimento. Trata-se de um território de diversidade socioambiental, cuja extensão é de 71 milhões de hectares compartilhados por quatro países: Brasil, Colômbia, Guiana e Venezuela. Aproxiamadamente 62% do território está sob alguma forma de proteção legal: 98 territórios indígenas, reconhecidos oficialmente, e 34 Unidades de Conservação.

Por essas razões, entre outras, a proteção das Terras Indígenas, seja por meio de demarcação e implementação de ações de gestão ambiental, seja por meio de ações de monitoramento e controle, são essenciais para fortalecimento tanto da política indigenista como para a conservação do patrimônio natural e ambiental da Amazônia e do País.

Imagens:

 

A Amazônia se aproxima do ponto de ruptura, diz Carlos Nobre

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O climatologista reflete sobre os desafios de preservação da floresta e a necessidade de uma agropecuária de carbono neutro

Foto: Divulgação/USP Imagens

Polêmicas em relação ao meio ambiente marcaram a campanha, a transição e o início do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Apoiado pela Frente Parlamentar da Agropecuária, o capitão reformado do Exército questionou os compromissos estabelecidos pelo Acordo de Paris e alinhou-se a um discurso negacionista reforçado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O argumento é de preservar a “soberania nacional”, ao mesmo tempo em que se atribui um “viés ideológico” a instituições ambientais independentes, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além, é claro, da desistência de sediar a Conferência do Clima da ONU em 2019, a COP-25.

Após ser indicado para ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles declarou que o aquecimento global é uma questão secundária. Em 19 de dezembro de 2018, a Justiça de São Paulo condenou Salles por improbidade administrativa, acusado pelo Ministério Público de fraudar o Plano de Manejo de Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, em 2016, quando era secretário do Meio Ambiente do estado. Já o novo chanceler Ernesto Araújo acredita que os estudos e a política em relação às mudanças climáticas são influenciados por um “marxismo cultural”.

Bolsonaro colocou a comunidade ambiental em alerta já no primeiro dia de governo. Em decreto publicado no Diário Oficial da União, o presidente encarregou o Ministério da Agricultura de identificar, delimitar e demarcar terras indígenas (antes sob responsabilidade da Fundação Nacional do Índio, Funai) e quilombolas (até então feitas pela Fundação Palmares).

A pasta também controlará os licenciamentos ambientais, as políticas de reforma agrária e o Serviço Florestal Brasileiro, órgão com fins, por exemplo, de recuperar vegetações nativas e auxiliar processos de concessão das matas.

Carlos Nobre participa do seminário Prontos para o tempo, preparados para o clima. O climatologista alerta que, caso a lei do “Velho Oeste” volte ao Brasil – com invasão de terras indígenas e públicas–, o meio ambiente pode ser muito prejudicado. FOTO DE JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Tais funções serão realizadas pela Secretaria Especial de Assuntos Fundiários, sob o controle de Luiz Antônio Nabhan Garcia. Ele é presidente da União Democrática Ruralista (UDR) e, ao Estadão, avisou que demarcações serão “passadas a limpo”, a exemplo da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

“Se a ideia de desmatar o quanto quiser e de invadir terras públicas prosperar, eu vejo com grande preocupação a questão do respeito com os compromissos ambientais”, observa o climatologista Carlos Nobre. O cientista paulistano pesquisa mudanças climáticas e Amazônia há mais de quatro décadas.

Em 1975, após se formar em engenharia eletrônica no Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), Nobre mudou-se para Manaus para trabalhar no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Entre 1977 e 1982, fez doutorado em meteorologia no Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), orientado pelo professor Jeff Charney, pioneiro nas pesquisas sobre o aquecimento global. Após os estudos, Nobre tornou-se cientista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em paralelo aos trabalhos no Inpe, Nobre deu sequência às pesquisas acadêmicas. Em 1988, como pesquisador da Universidade de Maryland, realizou um estudo inédito sobre os impactos climáticos dos desmatamentos na Amazônia. Em 1991, levantou a possibilidade de a Amazônia deixar de ser floresta para virar uma savana, em um cenário de alta no desmatamento e na temperatura global.

Em 2007, Nobre foi um dos autores do relatório sobre o aquecimento global do Painel Intergovernamental em Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), agraciado com o prêmio Nobel da Paz. Entre outras funções, Nobre é membro da Academia Brasileira de Ciências e foi secretário nacional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Desde maio de 2018, tornou-se pesquisador colaborador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, cujo objetivo é estabelecer caminhos de desenvolvimento sustentável para o Brasil até 2050.

Na entrevista a seguir, Nobre analisa a postura brasileira no âmbito ambiental; os compromissos do Acordo de Paris; o aumento do risco de savanização da Amazônia; a influência da bancada ruralista no Congresso para afrouxar legislações ambientais; e seu projeto de desenvolvimento sustentável batizado de Terceira Via Amazônica.

“Se a ideia de desmatar o quanto quiser e de invadir terras públicas prosperar, eu vejo com grande preocupação a questão do respeito com os compromissos ambientais.”

CARLOS NOBRE

No final dos anos 1970, o aquecimento global entrou em pauta na comunidade científica. Desde então, qual tem sido o papel do Brasil?

O Brasil tem uma posição “esquizofrênica”. Diplomaticamente, possui um papel muito importante desde que hospedou a Rio-92. Em 1997, o país propôs o mecanismo de desenvolvimento limpo noProtocolo de Kyoto, que teve efeito a partir de 2005, quando assinado pelos países responsáveis por 55% das emissões mundiais. Depois, hospedou a Rio+20. Hoje, é o país com as mais ambiciosas metas de redução de emissões colocadas em 2015 no Acordo de Paris. No entanto, da Rio-92 até 2005, apresentava uma postura interna muito atrasada, com o propósito de expansão indefinida e irrefreável da fronteira agrícola e do desmatamento.

Na questão dos recursos fósseis, a contradição continua até hoje. Ao avaliar o grande potencial das reservas do pré-sal, o Brasil parte para uma política de uso do combustível fóssil de maneira muito mais intensiva, enquanto diminui a velocidade com que substitui a gasolina pelo bioetanol. Por outro lado, em 2004, o país lançou como política pública o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, o PPCDAm. Seu enorme impacto talvez seja o que mais projetou o Brasil no cenário político e diplomático mundial em muitas décadas. Com a redução do desmatamento em mais de 70%, o Brasil se tornou um modelo para todos os países tropicais e foi seguido no restante dos países da Amazônia, na África e no Sudeste Asiático.

Apesar disso, nos últimos anos estacionamos com as quedas do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Felizmente elas não atingiram os níveis absurdos de 2005, mas ainda mostraram aumento. Tínhamos alcançado um número de 4.500 km2 desmatados na Amazônia, porém já voltamos para quase 8.000 km2 de derrubadas. Portanto, não cumprimos a nossa meta estabelecida em lei em 2010, que as limitavam a 3.900 km2 na Amazônia.

Em 1988, o senhor analisou de forma pioneira os impactos climáticos do desmatamento na Amazônia. Em 1991, levantou a hipótese da savanização deste bioma. Alguns impactos previstos naquela época já foram sentidos pela floresta?

Nosso conhecimento avançou muito mundialmente. Quando produzi os primeiros estudos, entre 1988 e 1991, aquilo era uma hipótese. Naquela época, os desmatamentos na Amazônia brasileira estavam na faixa de 8%, 9%. Hoje, chegaram a 20%. A hipótese era de que, se a floresta toda fosse desmatada, aconteceria a savanização. Agora, já temos algumas suspeitas de que o processo esteja em curso. O principal fator de preocupação é o aumento da duração da estação seca no sul e no sudeste da Amazônia. Nos últimos 30 anos, a estação seca está em média seis dias mais longa por década. A mais duradoura passou de meio mês. Se continuar assim, aquela região acabará virando uma savana bem degradada.

Alguns lugares do Cerrado têm o mesmo nível de chuva da região de Santarém, na Amazônia – anualmente, um total de 1.800 mm. Se chove o mesmo volume, por que em um lugar se tem floresta e no outro, cerrado? Na região de Santarém a chuva é bem distribuída o ano todo e a estação seca é muito curta. No Cerrado, a precipitação é muito concentrada na estação chuvosa, e depois essas regiões passam por três, quatro meses de chuva zero, enquanto em Santarém chove 80, 100 mm na estação seca. Essa é a grande diferença. Estudos de ecologia começam a mostrar um aumento da mortalidade de algumas espécies de árvores. Então, estamos realmente muito próximos desse ponto de ruptura.

Com nossa política do uso da terra no Brasil, podemos evitar dois dos três fatores que levam à savanização. Primeiro, temos que zerar o desmatamento rapidamente. Na COP-24 na Polônia, o grupo do qual faço parte, chamado Coalizão Brasil, lançou um documento mostrando que podemos zerar o desmatamento em todos os biomas, por meio de uma agricultura muito mais produtiva. Segundo ponto: reduzir o uso do fogo na agricultura, que tem aumentado o risco da savanização. Temos visto muito mais incêndios florestais hoje do que dez, 20 anos atrás. O terceiro fator está fora do nosso controle: o aquecimento global. Mesmo se reduzirmos a zero as emissões do Brasil, ainda dependemos que o resto do mundo faça o mesmo.

Nos nossos cálculos, se o aquecimento na Amazônia passar de 4ºC – já chegou a 1,5ºC –, teremos essa grande mudança do bioma para a savana. Seria um caso extremo, no qual as emissões continuariam como estão por 40, 50 anos. Recentemente, escrevemos um alerta na Science Advances de que não deveríamos deixar o desmatamento passar de 20%, 25% na Bacia Amazônica como um todo. Já chegou a 17% na internacional; na parte brasileira, a 20%.

Fumaça da queima de árvores encobre trecho da floresta Amazônica no Mato Grosso. “Infelizmente, temos um setor numericamente expressivo que ainda possui uma visão de expansão continuada da fronteira agrícola, sobretudo da pecuária. “, diz Carlos Nobre. FOTO DE GEORGE STEINMETZ/NATIONAL GEOGRAPHIC CREATIVE

Como a Amazônia produz aproximadamente metade das próprias chuvas, fator essencial para a conservação do bioma?

Por dois fatores importantes. Durante a estação que chove menos, a gramínea [vegetação típica das pastagens] diminui bastante sua vapotranspiração, ou seja, o vapor de água lançado para a atmosfera cai pela metade. Já a floresta acessa aquela água que caiu durante a estação chuvosa e foi para o fundo, por meio das raízes profundas. Há décadas observamos que as florestas transpiram mais na estação seca do que na chuvosa. E o fluxo de vapor d’água é muito importante para contribuir para a formação de chuva.

Outro fator importante é que a floresta tem uma superfície bem rugosa para o fluxo de vento. O topo da gramínea não é homogêneo, portanto o vento também sobe e desce, mas com variação muito pequena. A floresta tem uma irregularidade da superfície maior, que chamamos de rugosidade. O vento não consegue ficar horizontal. Passa por cima de uma árvore muito alta, depois cai. Isso gera muita turbulência com a superfície, que mistura o ar e facilita a transpiração e a diminuição da temperatura. O sol aqueceu o topo, os galhos, as folhas de uma árvore. O vento pega aquele ar quente e joga para cima. Aí vem um ar um pouco mais frio, que será aquecido de novo.

Se colocar uma floresta e uma pastagem na Amazônia, lado a lado, com a mesma chuva e o mesmo clima, a temperatura máxima da floresta será de 2ºC a 3ºC menor que a da pastagem. E a evaporação da floresta será de 30% a 50% superior. Essas fontes geram as chuvas principalmente na estação seca. São precipitações locais, de 2 mm a 5 mm, mas muito frequentes e importantes para a manutenção da floresta.

Que impactos esse ponto de inflexão traria não apenas para a Amazônia, mas para o Brasil?

O ponto de ruptura para a savanização da Amazônia não aconteceria da noite para o dia, mas de uma década a outra. Estimamos que, uma vez ultrapassado o limite do desmatamento, leva-se entre 20 e 50 anos para ocorrer essa substituição. E a savana virá de forma irreversível, porque será o bioma em equilíbrio para o novo clima. Ao diminuir as chuvas locais, reduzirá também a vazão dos rios.

Em um total desmatamento da Amazônia, ou seja, na substituição de floresta por pastagem, há boas evidências de que haveria uma alteração das chuvas no inverno no sul da Bacia do Prata, no sul do Paraguai e do Uruguai, no sul do Brasil e no centro-leste da Argentina. Nessas regiões, há uma correlação de fluxo do vapor d’água que sai da Amazônia e segue ao sul, paralelo aos Andes, e abastece os sistemas de chuva.

Ainda não sabemos o impacto no Sudeste. Durante o verão, temos uma estação chuvosa muito pronunciada, sendo que 65% do vapor d’água vem do Atlântico. Uma parte menor vem da Amazônia. Pode até ter impacto, porque a mudança das chuvas da Amazônia, com o desmatamento, altera as circulações tropicais. O efeito nessa relação seria menor, mas pode existir, porque as chuvas de verão diminuiriam. Mas ainda há incerteza científica, pois os modelos computacionais não concordam totalmente. Precisamos avançar nesse conhecimento científico.

“Devemos nos tornar muito mais rigorosos em exigir nossos direitos. Se houver movimentos no Congresso para mudar a legislação ambiental e enfraquecer a regulamentação que torna ilegal desmatamentos e queimadas, a população tem que reagir.”

CARLOS NOBRE

Como o senhor observa os compromissos assumidos no Acordo de Paris mundialmente, assim como especificamente os do Brasil?

Primeiro, os compromissos até 2030 levariam o planeta a aumentar sua temperatura na faixa de 2,8ºC a 3,3ºC até o final do século, e continuaria subindo. As metas estão muito longe de garantir que ficaremos dentro dos 2ºC, muito menos de 1,5ºC. Alguns países estão nas trajetórias das contribuições nacionalmente determinadas, inclusive os Estados Unidos. Por mais que o presidente Donald Trump tenha ameaçado tirar o país do Acordo de Paris, as emissões americanas diminuíram em 2017 na mesma taxa dos últimos dez anos e estudos preliminares afirmam que a redução continuou em 2018.

As metas do Brasil para 2025 e 2030 são as mais ambiciosas entre os países em desenvolvimento: até 2025, 37% de redução das emissões em relação a 2005 e 43% de redução até 2030. Estados Unidos, China (a maior emissora) e Índia, a terceira, colocaram metas relativas. Até 2030, apenas prometem parar o aumento das emissões.

Enquanto os desmatamentos despencavam, o Brasil praticamente garantia sua trajetória correta. Mas depois de 2014 os desmatamentos estacionaram e, nos últimos anos, voltaram a aumentar. Já as emissões por queima de combustíveis fósseis aumentaram um pouco. Em 2014 e 2015, as secas interromperam a operação de muitas hidrelétricas, então as termelétricas entraram em máxima potência. As usinas eólicas têm se inserido muito rapidamente, mas ainda em um percentual pequeno no quadro de energia total – nem 10% da eletricidade. Já é importante, mas não o suficiente para garantir que as emissões provocadas pelos setores de energia e transportes sinalizassem uma tendência de queda.

Os desafios são maiores em outras áreas, como a redução das emissões na agricultura. A boa notícia é que elas vêm subindo em uma proporção menor do que o aumento do PIB agrícola. Em outras palavras, o setor econômico agropecuário está ficando mais eficiente, emite menos para produzir a mesma quantidade de produtos. Então, o Brasil pode cumprir seus compromissos até 2025, 2030? Pode, se reduzir drasticamente os desmatamentos.

No discurso de campanha, o presidente eleito Jair Bolsonaro sinalizava tirar o país do Acordo de Paris, pois, na opinião dele, os compromissos iam contra a “soberania nacional”. Que impactos sociais, ambientais e econômicos uma possível saída do Brasil do Acordo de Paris poderia trazer?

Olha, de fato essa possibilidade já foi descartada pela equipe do novo governo. Mas me pergunto se haverá alguma vacilação do governo para atingir as metas. Nos Estados Unidos, a vacilação do presidente Trump não teve muito impacto, porque lá o principal fator de emissão é a queima de combustíveis fósseis (80%). Nos EUA, já começou uma onda muito forte de substituição por fontes renováveis – eólica e solar. É um movimento enorme na economia americana, que gera centenas de milhares de empregos por ano e os preços são competitivos. Liderados pela Califórnia e por Nova York, 17 estados americanos assinaram compromissos rigorosos.

No Brasil é diferente, porque aqui 65% das emissões vêm de desmatamentos e agricultura. Então, temos que reduzir os desmatamentos e tornar nossa agricultura mais neutra. Se houver sinalização de que o “Velho Oeste” voltará a imperar no Brasil, se a ideia de desmatar o quanto quiser e de invadir terras públicas prosperar, eu vejo com grande preocupação a questão do respeito aos compromissos ambientais.

É lógico que o governo federal é muito importante para isso, mas temos instituições independentes. Se o Brasil quiser alguma perspectiva de melhora nos próximos anos e décadas, precisa respeitar a lei, a partir do Ministério Público, das atividades da Polícia Federal desbaratando quadrilhas, crime organizado e corrupção em todos os níveis (empresarial, governamental), que estão na raiz da invasão de terras públicas, do desmatamento, do roubo de madeira. Então, independente do presidente, do governo e dos ministros, temos que observar que o Brasil já adquiriu certa estatura de órgãos independentes que realizam sua missão de acordo com o que reza a Constituição.

E dependemos muito da população. Devemos nos tornar muito mais rigorosos em exigir nossos direitos. Se houver movimentos no Congresso para mudar a legislação ambiental e enfraquecer a regulamentação que torna ilegal desmatamentos e queimadas, a população tem que reagir. Se os deputados não seguirem a vontade da maioria, o que é essencial em uma democracia, a população não só não deve reelegê-los daqui a quatro anos, mas também tem que cobrar. Isso é muito importante e não tem ideologia. Não é uma questão ideológica, de direita, de esquerda, de centro… É uma vontade muito manifesta da população brasileira que o Congresso tem que respeitar.

O ministro do Meio Ambiente lançou recentemente os números do desmatamento em 2017, mostrando um aumento de quase 14% em relação ao período anterior. Ele falou que quase todo aquele desmatamento era ilegal, sem autorização nem em áreas onde a derrubada é permitida por lei. Quer dizer, existe um clima de grande ilegalidade por trás dos desmatamentos e das queimadas, e é isso que realmente temos que combater.

O governo de transição tem mostrado ceticismo em relação às mudanças climáticas. Por exemplo, o futuro chanceler Ernesto Araújo acredita que o aquecimento global é um complô global marxista. O que o senhor pensa sobre esse cenário?

A preocupação existe, mas não é nova. Essas tendências de fato começaram com a luta política que a bancada ruralista do Congresso iniciou em 2010, 2011, quando fez várias moções para mudar o Código Florestal, alterado em 2012. É um movimento para enfraquecer controles de legislação ambiental.

A maior preocupação que tenho é o fato de que a lei, com o novo Código Florestal, perdoou a ilegalidade de todos os desmatamentos até julho de 2008. Se de tempos em tempos, de dez em dez anos, passar uma lei que torne legal um desmatamento originariamente feito de forma ilegal, isso transmite para o setor agressivo, conservador, atrasado da agropecuária a noção de que não existe legislação. Que eles podem invadir terra pública, que podem desmatar, que podem roubar madeira. Que um dia aquilo tudo será perdoado, as multas irão desaparecer, as terras serão legalizadas… Ou seja, é uma sinalização de que não é importante nem necessário acompanhar o Código Florestal de hoje, que ainda é rigoroso em muitos aspectos. Ninguém interpretou ainda qual a força dessa bancada no novo Congresso, mas ela tem sido historicamente muito forte no Brasil. É uma fraqueza da democracia, em um país em que as leis têm uma duração curta e são modificadas por interesses de poderosos política e economicamente.

É importante dizer que o setor moderno da agricultura e da pecuária já se coloca fortemente contra o avanço do desmatamento e das queimadas, porque já se deu conta de que isso é prejudicial para os próprios negócios. Não só no sentido de diminuir a atratividade dos produtos brasileiros em mercados ambientalmente rigorosos, como o europeu, mas também porque manter o máximo possível de biomas originais traz benéficos para a produção agrícola e pecuária.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem experimentos recentes que mostram um enorme aumento da produtividade nos sistemas chamados “integração lavoura-pecuária-floresta”. Quando se coloca um sombreamento, o gado produz muito mais leite e muito mais carne. Isso já era algo conhecido, mas agora finalmente começa a ser disseminado entre os pecuaristas e agricultores do setor moderno, que escuta a ciência e a tecnologia.

Infelizmente, temos um setor numericamente expressivo que ainda possui uma visão de expansão continuada da fronteira agrícola, sobretudo da pecuária. Estão muito mais preocupados com a posse da terra do que com uma visão empresarial de produtividade. É um pouco daquela mentalidade da colonização que ocorreu nos Estados Unidos, marcada pela força da violência, das armas, a expulsão das comunidades indígenas que eram as reais proprietárias da terra. Nesse cenário, quadrilhas criminosas tomam terras públicas e depois as vendem a pecuaristas.

O que ainda precisa mudar para impedir o desmatamento em áreas já protegidas?

Ainda temos na Amazônia algo em torno de 600 mil e 800 mil km2 de terras públicas. É importante dar uma destinação para essas áreas, com a criação de reservas protegidas e florestas nacionais, por exemplo. Caso contrário, elas se tornam alvos da grilagem, que também ocorre em áreas de proteção e reservas indígenas. A razão do sucesso da redução do desmatamento em mais de 70%, entre 2005 e 2014, é uma rigorosa política de controle, desbaratamento e desmembramento das quadrilhas organizadas responsáveis pelo roubo de madeira e pela grilagem em terras públicas. Acima de 70% dos desmatamentos são ilegais e muitos estão associados a organizações criminosas. Também precisamos dar mais ênfase na proteção das áreas já existentes, que correspondem a 50% da Amazônia brasileira, seja como áreas protegidas, reservas indígenas ou de desenvolvimento sustentável.

“Os ativos biológicos na Amazônia são muito superiores do que se substituíssem a floresta por pastagem para a pecuária, por grãos para a agricultura ou por extração de minérios.”

CARLOS NOBRE

O World Resources Instituteaponta que a agropecuária brasileira é responsável por 1% de todos gases de efeito estufa emitidos no mundo. Que fatores tornam essa prática tão danosa ao meio ambiente?

Esse cálculo é só da pecuária, não inclui o desmatamento. O boi, por exemplo, processa a gramínea no pré-estômago. As reações químicas de processamento da matéria orgânica geram metano e o boi arrota esse gás, o que representa a maior parte das emissões da pecuária. Existem dietas com suplementos alimentares que diminuem a produção de metano, mas não a elimina.

A partir de vários estudos, a Embrapa patenteou a “carne carbono neutro”. Você maneja a pastagem de maneira que ela absorva o carbono no solo. A gramínea cresce, as raízes também. Na estação seca as raízes morrem e aquele carbono permanece no solo. Segundo a Embrapa, no pasto super manejado há entre 2,6 a 3 cabeças de gados por hectare, enquanto a agregação de carbono ao solo é equivalente a emissão de metano de ao menos 2,6 cabeças. A ocupação média da pecuária brasileira hoje é de 1,3 cabeças de gado por hectare e no total temos 215, 216 milhões de cabeças em 1,8 milhão de km². O Ministério da Agricultura supõe que 10 milhões de pastagens já estejam mudando para esses sistemas. Se o comportamento do consumidor seguir nessa direção, poderemos ter uma pecuária muito mais produtiva e que emite muito menos.

A Embrapa calcula que, até 2025, seja possível aumentar a produção de proteína animal em 35% e, ao mesmo tempo, reduzir em 25% a área de pecuária no Brasil. Essa redução de 450 mil km² – uma cidade de São Paulo e meia – seria muito importante não só para a agropecuária, mas sobretudo para que o país cumpra a meta de restaurar 12 milhões de hectares de floresta [estabelecida no Acordo de Paris].

Qual é a ideia do seu projeto, chamado Terceira Via Amazônica?

Esse é um projeto que eu, o Ismael [irmão de Nobre, biólogo que integra a equipe de transição do presidente eleito] e outras pessoas estamos liderando. Pensando em um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia, seria uma economia de floresta em pé, na qual o valor maior são os produtos da biodiversidade. Pega o exemplo do açaí, um produto que há 20 anos não era nada e hoje já significa US$ 1,5 bilhão para a economia do bioma. Então, estamos propondo a Terceira Via Amazônica, ou Amazônia 4.0, número que faz referência a utilização das tecnologias modernas da quarta revolução industrial.

Como garantir que ocorra um desenvolvimento sustentável sem ameaçar nem degradar o meio ambiente?

Os ativos biológicos na Amazônia são muito superiores do que se substituíssem a floresta por pastagem para a pecuária, por grãos para a agricultura ou por extração de minérios. Mas, para isso, precisamos realmente fazer as novas tecnologias chegarem à Amazônia e adicionarem valor às cadeias produtivas. Eu dei o exemplo do açaí porque já é uma realidade, mas levantamos uma lista com mais de mil produtos com potencial, como a castanha, o guaraná, a andiroba, a copaíba, o pau-rosa. Nossa proposta também é muito preocupada com o bem-estar e a prosperidade das populações amazônicas. Não é como a mineração, em que apenas se tira o valor da Amazônia e o leva para outro lugar. Outro setor do nosso projeto é a alta tecnologia biológica. Queremos capacitar populações para que elas próprias façam o genoma das espécies que dominam, com base no conhecimento tradicional. Fariam o genoma de dezenas de milhares de espécies, e isso no futuro teria um enorme potencial econômico a partir dos recursos biológicos e genéticos.

Por: Kevin Damasio
Fonte: National Geographic

EMPREENDEDORES CRIAM STARTUP QUE PRODUZ ENERGIA SOLAR E CONQUISTAM ‘CALIFÓRNIA BRASILEIRA’

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Guilherme Susteras e Alexandre Bueno fornecem energia limpa no interior de São Paulo, região que, segundo eles, tem um forte quê californiano — lá não falta sol nem consumidor consciente

Os empreendedores Alexandre Bueno e Guilherme Susteras (Foto: Divulgação )Alexandre Bueno e Guilherme Susteras fundaram a Sun Mobi, que produz energia solar no interior de São Paulo (Foto: Divulgação )

Só mesmo a energia que vem do sol para explicar a persistência de Guilherme Susteras e Alexandre Bueno em montar um negócio num setor tão incipiente no Brasil. Energia renovável faz manchetes frequentes no noticiário internacional e no nacional e, junto com inteligência artificial, transformação digital e outros termos futuristas, é um dos temas que mais estão na moda. Isso não significa, no entanto, que quem decide investir nisso dará de cara com uma imediata fonte espetacular de dinheiro. Apesar de crescente, a adoção aqui é lenta, em comparação a regiões como a Califórnia (Estados Unidos), referência mundial na área.

O número de empresas aptas a fazer instalações de painéis fotovoltaicos, por outro lado, é alto, o que também é um ponto de atenção para quem pensa em entrar no setor. “Há mais de 6 mil empresas no Brasil que podem instalar painel na sua casa, do eletricista até grandes companhias multinacionais”, diz Susteras. Ou seja: a barreira de entrada para o empreendedor que quer atuar nesse mercado é baixa. “A gente tinha que criar algo diferente para não concorrer nesse oceano vermelho”, diz Susteras.

A dupla resolveu, então, explorar o que impede a maior parte das pessoas de colocar painéis solares em seus telhados: o preço alto, o largo espaço necessário para instalar as placas e, em muitos casos, a posição desprivilegiada do edifício ou da casa, aonde luz do sol não chega. Susteras e Bueno montaram um negócio que permite que você, mesmo não tendo como instalar um painel na sua casa, se transforme em um consumidor de energia solar. Eles criaram uma planta de painéis fotovoltaicos em Araçoiaba da Serra, região metropolitana de Sorocaba, apta a gerar energia para 26 municípios do interior e do litoral do Estado de São Paulo. A entrega é feita por meio da rede da CPFL Piratininga.

O serviço da Sun Mobi, como foi batizada a empresa, funciona nos moldes de uma startup: o consumidor baixa o aplicativo da companhia, calcula a quantidade de energia que vai contratar de acordo com o histórico de consumo, assina o contrato e recebe os funcionários da empresa em casa para a instalação de pequenos sensores que informam o gasto de energia em tempo real. O contrato pode ser entendido como uma compra de créditos junto à distribuidora. Eles são abatidos na conta de luz. Se o cliente gastar 200 kilowatts por hora (kWh) e tiver contratado 250 kWh, ele fica com 50 kWh como crédito, que pode ser usado em até cinco anos. Se consumir mais do que o contratado, a distribuidora fornece a diferença.

Não é necessário que nenhum painel seja instalado na casa do consumidor. A geração de energia fica toda por conta da usina, que a repassa à CPFL. Para o consumidor, trata-se realmente de um esquema de compensação na conta. Quem mora no litoral certamente não recebe a corrente elétrica gerada pelos painéis de Araçoiaba da Serra (caso alguém esteja imaginando que a energia produzida pelas placas da startup caminhe livremente pelas linhas de transmissão da distribuidora até chegar à casa do cliente). Isso não ocorre. O cliente que compra um pacote da Sun Mobi recebe créditos referente à energia solar produzida pela startup.

Apesar de não ser o dono do painel, o consumidor vira um incentivador da energia solar e obtém benefícios com isso, como a dispensa da bandeira tarifária, aquele acréscimo que surge na conta quando as termelétricas entram em ação no país. Hoje, a empresa tem 50 lares como usuários, e a expectativa é fechar o ano de 2018 com um faturamento de R$ 240 mil.

Usina Sun Mobi (Foto: Divulgação)Planta com painéis fotovoltaicos da Sun Mobi, em Araçoiaba da Serra (Foto: Divulgação)

Pesquisa intensa
Antes de conquistar a confiança dessas 50 famílias, no entanto, Susteras e Bueno tiveram um longo trabalho de pesquisa e validação da ideia. A escolha do interior de São Paulo para instalação da planta não foi um chute. Além do alto potencial econômico e de uma irradiação solar favorável (o que não é bem o caso da capital paulista), a região apresenta um público consumidor considerado interessante por eles. “Fizemos entrevistas com potenciais consumidores e encontramos quatro grupos atraentes”, conta Bueno. São eles: 1) os entusiastas de novas tecnologias; 2) engenheirosou pessoas sintonizadas com soluções de engenharia; 3) os ambientalmente responsáveis, que se preocupam com o impacto de suas ações no meio ambiente; e 4) os veganos, que têm um hábito sustentável global, da alimentação ao meio ambiente.

“É por isso que a gente meio que considera o interior de São Paulo como a Califórnia brasileira”, diz Bueno. E há ainda outro fator regional que favorece a startup: a energia no interior costuma ser mais cara do que na capital. Economizar é um interesse comum por lá. A média de economia entre os cliente da Sun Mobi é de 6%.

Para o grupo dos amantes da tecnologia, a startup desenvolveu um aplicativo que permite ao usuário monitorar o consumo de energia. É possível detectar, assim, quem são os maiores “gastadores” de energia dentro de casa. Houve caso de um cliente de Itupeva, dono de casa com piscina e ar condicionado, que conseguiu reduzir a conta em 25% depois de analisar os dados coletados. Uma das providências que ele tomou: deixar o motor que aciona o filtro da piscina ligado por menos tempo (de 4 horas para 2 horas).

Paixão antiga
Susteras, de 37 anos, e Bueno, de 44, compartilham a paixão por energia há muito tempo. Eles se conheceram quando trabalharam na Duke Energy, há quase 20 anos. Susteras era analista de assuntos regulatórios e Bueno, analista de informação. Quase uma década mais tarde, depois de um período no exterior e uma experiência como superintendente de planejamento estratégico na Renova Energia, ele convidou Bueno para montar a startup com ele.

A dupla começou a desenvolver o projeto em 2016 e conseguiu o primeiro investimento em 2017. Um grupo de investidores composto por pessoas físicas desembolsou R$ 500 mil e apostou nos empreendedores. Com esse dinheiro, eles construíram a primeira fase da usina, com capacidade instalada de 8 mil kWh, e conseguiram 12 clientes (de outubro de 2017, quando ficou pronta a usina, até o fim daquele ano). Foi uma validação importante.

“Durante nosso trabalho de busca por potenciais investidores, percebemos que a única forma de comprovarmos que nosso modelo de negócio funcionaria era por meio de um projeto piloto, um MVP (minimum viable product)”, dizem. Foi aí que vieram mais três investimentos: um de R$ 294,9 mil em março de 2018, feito pela Desenvolve SP; um de R$ 600 mil em abril, feito por investidores anjo; e outro de R$ 952 mil em agosto, feito pela Desenvolve SP.

Este último aporte permitiu a ampliação da capacidade instalada da planta para 42 mil kWh. A ideia da Sun Mobi é que essa capacidade cresça cinco vezes em um ano.

No momento, os empreendedores se preparam para construir uma nova planta num terreno de 20 mil metros quadrados, também no interior de São Paulo. Considerada uma enertech, termo que define a startup que usa tecnologia para melhorar serviços em energia, a Sun Mobi pretende ter mil clientes até 2020 e alcançar uma receita bruta anual de R$ 2 milhões até 2025.

MAPA DOS CONFLITOS AMBIENTAIS DE MINAS GERAIS COMPLETA 10 ANOS

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PESQUISADORES MINEIROS ACOMPANHAM DE PERTO CONFLITOS AMBIENTAIS E PROCESSOS DE TERRITORIALIZAÇÃO NO ESTADO


“O conflito envolve disputa entre grupos sociais, em que pelo menos um deles se vê ameaçado por atividades ou projetos com maior capital econômico, social e técnico. Por causa desse poder, as atividades econômicas que pretendem concretizar colidem com a existência de outros modos de ser, fazer e viver anteriormente territorializados naquele espaço”, profª. drª. Andréa Zhouri.

Pesquisadores do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (GESTA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estudam os conflitos ambientais e processos de territorialização em Minas. Um dos resultados desse trabalho é o Mapa dos Conflitos Ambientais do estado, que completa 10 anos, e reúne mais de 500 registros de processos hegemônicos com apropriação de territórios.

O projeto é uma parceria com o Núcleo de Investigação em Justiça Ambiental da Universidade Federal de São João del-Rei (NINJA/UFSJ) e o Núcleo Interdisciplinar de Investigação Socioambiental da Universidade Estadual de Montes Claros (NIISA/UNIMONTES).

Imagem de livro resultado de pesquisas do GESTA. Foto: Reprodução http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/observatorio-de-conflitos-ambientais/

“O mapa surgiu em 2007, em decorrência das pesquisas sobre os conflitos na construção de grandes barragens e a compreensão de como isso afetava comunidades tradicionais. Depois quisemos fazer um acompanhamento mais amplo. Em BH, observamos, por exemplo, os conflitos em relação a áreas verdes, como a Mata do Planalto”, explica a coordenadora Andréa Zhouri.

A pesquisa identificou, caracterizou e classificou casos de violação do direito humano ao meio ambiente, considerando a existência de denúncias institucionalizadas ou manifestação de sujeitos sociais. O projeto foi dividido em etapas correspondentes às 12 mesorregiões de Minas: Metropolitana de Belo Horizonte, Vale do Jequitinhonha, Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, Central Mineira, Oeste de Minas, Vale do Rio Doce, Vale do Mucuri, Norte de Minas, Noroeste de Minas, Campo das Vertentes, Sul/Sudoeste de Minas e Zona da Mata.

Para o levantamento, pesquisadores fizeram análises documentais, entrevistas com membros do Ministério Público Estadual, além de representantes de associações, sindicatos, movimentos sociais e entidades envolvidos em casos de conflito ambiental. Também foram organizadas oficinas práticas com comunidades envolvidas nos conflitos, para apreender a perspectiva dos próprios atores expostos aos impactos, danos e riscos ambientais.

A ideia do Mapa cresceu e virou Observatório de Conflitos Ambientais, uma forma de manter o canal de comunicação com pesquisadores e sociedade. Dentro do site, existem materiais de divulgação, teses, livros, artigos, notícias sobre acontecimentos relacionados a conflitos no Brasil, em particular, Minas Gerais.

O QUE É UM CONFLITO AMBIENTAL?

Segundo Andréa Zhouri, a equipe envolvida nas pesquisas discutiu durante anos as abordagens conceituais para aprimoramento intelectual sobre o tema. Eles entenderam que um problema ambiental pode, muitas vezes, ter um impacto e se configurar como uma infração sem que exista conflito.

“O desmatamento de uma área de proteção pode ter impacto ambiental, mas não necessariamente envolver sujeitos sociais que estão ali discutindo a destinação daquele território ou as consequências de determinadas atividades em suas vidas”, explica.

Imagem de cartilha produzida pelo GESTA. Foto: Reprodução http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/observatorio-de-conflitos-ambientais/

Dessa forma, o conflito surge quando ocorre apropriação de um espaço por agentes que tem poder e, visando acúmulo de capital, vão impedir outros grupos de exercer direitos sobre determinado território.

Há conflitos ambientais que saltam aos olhos porque estão ligados a impactos de visibilidade nacional, como por exemplo, a tragédia com o rompimento da barragem(link) que levou um mar de lama ao município de Mariana e toda extensão do Rio Doce.

Outros, no entanto, não são tão visíveis e nem por isso menos importantes da perspectiva antropológica que problematiza as dicotomias natureza e cultura. Andréa Zhouri conta o exemplo do conflito no Bairro Camargos, Região Oeste de BH. Em meados da década de 1950, pessoas que vieram para trabalhar na “Cidade Industrial” construíram na região e lutaram pela infraestrutura de urbanização, que originou o bairro.

Em meados dos anos 2000, os moradores foram ameaçados pela instalação de uma empresa incineradora de lixo tóxico que emitia poluição química, causado o adoecimento das pessoas. Moradores lutam há mais de 10 anos contra os danos gerados pela empresa, que já saiu da região, mas deixou um rastro de problemas à população. Conforme a pesquisadora, as pessoas estão doentes, com problemas de pele e respiratórios.

“Observe como um espaço tradicionalmente ocupado por moradores rurais ou urbanos, indígenas ou quilombolas, é ameaçado por grandes empreendimentos em função de um modelo econômico agro-minero-exportador. Essa é uma opção que a economia do Brasil assume a partir dos anos 2000 com mais voracidade e acaba colidindo com a vida dessas populações”, explica Andréa Zhouri.

VIOLÊNCIA DAS AFETAÇÕES

De acordo com Andréa Zhouri, existem diferentes componentes em um conflito, a luta e a resistência são centrais. Mas ocorrem apropriações de terras, expropriação, além de violência material e simbólica sobre pessoas que residem nas áreas. Embora haja embate, em alguns casos, essas violências acabam produzindo a aniquilação de povos.

Imagem de livro resultado de pesquisas do GESTA. Foto: Reprodução http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/observatorio-de-conflitos-ambientais/

“Quando inserem uma atividade econômica no território acabam impedindo que as pessoas exerçam o modo de vida tradicional. É uma violência social e epistêmica, pois todo o conhecimento tradicional é absolutamente desconsiderado. Fazem desaparecer um sistema de conhecimento e cultura pautado na tradição”.

É como se o pescador que conhece muito bem o funcionamento de um rio ou um agricultor que sabe exatamente onde plantar no cerrado, fossem completamente ignorados. Mas eles existem e sua resistência é que origina o conflito. Os pesquisadores do GESTA chamam de violência das afetações as estratégias de apagamento do modo de vida das populações atingidas por projetos extrativistas e agroexportadores.

FORMAÇÃO

O Mapa dos Conflitos Ambientais tem financiamentos obtidos junto à Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Além da visibilidade aos grupos ameaçados, o trabalho prepara pessoas para refletir o tema dos conflitos.

“Gerações de estudantes participaram e se formaram dentro do projeto. Foi muito importante na formação de pessoas e pelo caráter interdisciplinar. Conseguimos reunir estudantes da Geografia, Direito, Ciências Sociais, Antropologia, Ciências Políticas e Biologia”, conclui Andréa Zhouri.

Cápsulas de café feitas de bioplástico compostável podem se tornar adubo em até quatro meses

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O impacto ambiental das cápsulas de café é debatido ao redor do mundo. O Brasil é o maior produtor de café do mundo e o segundo maior consumidor. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), nos próximos quatro anos, a fatia das cápsulas deve atingir de 3% a 4% do mercado. As quatro líderes do mercado – Nespresso, Dolce Gusto, Pilão e Três Corações – têm programas de coleta das capsulas, mas que ainda precisam ser ampliados.

Desde outubro de 2017, a Orfeu Cafés Especiais, mantém no mercado seu café de Categoria Especial em cápsulas biodegradáveis compatíveis com máquinas Nespresso. Feitas de um exclusivo bioplástico compostável, as cápsulas podem se tornar adubo em até quatro meses, se destinadas ao tratamento adequado de lixo orgânico.

Ciclo das capsulas de café descartável da Orfeu

O produto é resultado de um ano de investimentos e intensas pesquisas e é o primeiro no Brasil a receber o Rótulo Ecológico ABNT – o único programa de rotulagem ambiental brasileiro aprovado pelo Global Ecolabelling Network (GEN), que garante que o produto certificado é a melhor opção para o meio ambiente, em comparação a produtos similares da mesma categoria. Na categoria de cápsulas de café, o selo exige que o material da cápsula seja biodegradável e compostável, além de diversos critérios que envolvem responsabilidade socioambiental no processo produtivo, desde a plantação, até a embalagem.

“Após muita pesquisa e dedicação, estamos muito satisfeitos em dizer que as cápsulas de café Orfeu, compatíveis com as máquinas Nespresso®, são biodegradáveis e compostáveis. Conseguimos dar um grande passo para tornar sustentável o consumo e descarte de cápsulas de café de uma forma mais prática, viável e efetiva para os clientes”, conta Amanda Capucho, diretora geral de Orfeu Cafés Especiais.

A cápsula biodegradável e compostável de Orfeu, quando destinada ao tratamento de lixo orgânico, tem um ciclo de até quatro meses para se degradar completamente e se transformar em adubo, um nutriente para a natureza. além de possuir todas as certificações necessárias pela norma EN-13432, representadas pelos selos “OK Compost” e “OK Biobased”. Ela é feita a partir de fontes renováveis e sua composição é livre de alumínio, livre de Bisfenol A (BPA Free) e de transgênicos (GMO Free).

Sobre Orfeu Cafés Especiais

Orfeu é o café brasileiro mais premiado do mundo. Certificado na Categoria de Cafés Especiais, a mais alta classificação dos cafés, a marca carrega em sua história a conquista de ser o café brasileiro mais premiado no Cup of Excellence, o maior e mais prestigiado concurso internacional de excelência em cafés, além de diversos prêmios como Coffee of the Year, e o bicampeonato no Aroma BSCA 2017 e 2018Para isso, os blends são compostos pelos melhores grãos de cada colheita e passam por um rigoroso processo de seleção e torra, fazendo com que a qualidade seja percebida imediatamente no aroma e no paladar. Orfeu é cultivado nas altas montanhas do Sul de Minas e Mogiana, à sombra de um Jequitibá de 1.500 anos nas Fazendas Sertãozinho, por profissionais apaixonados que vivem o café todos os dias. Usando alta tecnologia, tudo é feito com as mãos e todo o cuidado para o consumidor.

Orfeu é plantado, colhido, torrado, embalado e entregue pelas Fazendas Sertãozinho, o que mantém seu frescor até o momento de ser degustado. A marca apresenta 5 blends na linha permanente: Intenso, Clássico, Suave, Descafeinado e Orgânico e está disponível nas versões grãos, torrado e moído e cápsulas biodegradáveis compatíveis com máquinas Nespresso.

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