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Startup norte-americana produz lácteos sem explorar uma única vaca

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Perfect Day produz uma proteína vegana e sem lactose que é igual à encontrada no leite de vaca, com o mesmo sabor e textura

perfect day
Leite vegetal da Perfect Day. Imagem: Divulgação/Perfect Day

Ryan Pandya e Perumal Gandhi são co-fundadores de uma startup norte-americana chamada Perfect Day, cuja ideia inovadora foi produzir lácteos sem precisar explorar vacas.

A Perfect Day, cujo nome vem de um estudo que concluiu que as vacas produzem mais leite quando escutam músicas lentas como “Perfect Day”, de Lou Reed, usa um processo chamado fermentação microbiana. O processo cria todas as proteínas que existem no leite, como whey e caseína, usando levedura.

Ambos com menos de 30 anos, os co-fundadores da empresa acreditaram o suficiente na ideia para transformá-la em realidade. A história deles é tanto de perseverança quanto de inspiração.

A combinação perfeita

leite vegetal

Os dois co-fundadores têm histórias paralelas, ambos inspirados pelos impactos destrutivos associados à produção de carne. Eles se tornaram vegetarianos na faculdade.

Então eles notaram que suas dietas dependiam muito de produtos lácteos. Embora gostassem de queijo, estavam cada vez mais conscientes das implicações ambientais de sua produção em massa. Deveria haver alguma maneira de criar alternativas aos produtos lácteos.

Como voluntários da New Harvest, um instituto de pesquisa e organização sem fins lucrativos que apoia a agricultura celular, eles discutiram separadamente ideias para a produção de leite em cultura celular com o diretor-executivo da entidade, Isha Datar.

Percebendo a semelhança de pensamento dos dois jovens, Datar apresentou o duo on-line e os encorajou a se candidatar à oportunidade perfeita: um acelerador de biotecnologia na Irlanda.

E, assim, embora o trio nunca tivesse se encontrado antes, eles se candidataram ao acelerador e receberam 30 mil dólares em financiamento inicial e espaço de laboratório para o verão. Sua jornada de negócios havia começado oficialmente.

Produzindo um novo tipo de produto lácteo

pó de proteína

proteína livre de produtos animais da Perfect Day é a mesma encontrada no leite de vaca, com o mesmo sabor e textura. Embora ainda não esteja nas prateleiras dos supermercados, o modelo business-to-business da startup fará parceria com os fabricantes para produzir lácteos.

Nos últimos quatro anos e meio, Pandya e Gandhi trabalharam vigorosamente para colocar sua produção nas prateleiras. Eles dizem que, embora seus produtos tenham gosto de laticínios tradicionais, não contêm hormônios, antibióticos, corantes e sabores artificiais. São ricos em proteínas, não têm lactose e têm uma vida útil longa.

Seu foco atual é criar parcerias com empresas de alimentos. Eles também estão aproveitando a flexibilidade de sua tecnologia, que pode ser produzida em qualquer lugar onde eles tenham um tanque de produção de cerveja e uma fonte de energia.

Pandya e Gandhi são motivados pela perspectiva de fornecer uma alternativa aos laticínios de vacas. Mas eles ainda estão refinando sua tecnologia e pretendem lançar seu novo produto nos próximos dois anos, inicialmente nos Estados Unidos e depois expandindo para outros mercados.

Eles acreditam no valor de se criar uma cadeia de suprimentos sustentável, na qual os lucros e os valores da empresa não precisam ser mutuamente exclusivos. No futuro, eles acreditam que a criação de produtos lácteos a partir de leveduras e técnicas de fermentação pode reduzir significativamente o impacto ambiental da produção de leite.

“Ninguém pode resolver todos os problemas, todos nós precisamos fazer a nossa parte onde pudermos”, disse a dupla. Ainda há obstáculos no caminho – por exemplo, garantir financiamento para levar o produto para o próximo estágio antes de se tornar disponível para o público.

Embora ainda nas fases iniciais, a startup espera que sua proteína vegana possa competir em termos de custo com a indústria de laticínios em um futuro próximo.

James Lomax, diretor de gestão de sistemas alimentares e programas de agricultura da ONU Meio Ambiente, declarou que “encontrar alternativas para as proteínas animais que emitam menos gases de efeito estufa é benéfico para os consumidores e para o planeta”.

“Contanto que os agricultores que produzem leite de vacanão sejam esquecidos, soluções empresariais como essa são essenciais em nossa resposta a tais desafios, à medida que avançamos em direção a sistemas alimentares mais sustentáveis.”

Em nova tendência, empresas incentivam a troca de carros por bicicletas

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Chegar pedalando no trabalho – e até mesmo dentro dele – já é uma realidade em algumas companhias

Funcionários da Bayer têm a sua disposição uma ciclovia interna com 700 metros (Foto: Divulgação)FUNCIONÁRIOS DA BAYER TÊM A SUA DISPOSIÇÃO UMA CICLOVIA INTERNA COM 700 METROS DE EXTENSÃO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Uma simples mudança na rotina de Rebeca Garcia derrubou o tempo de deslocamento até o trabalho para menos da metade. Antes, de carro, ela levava cerca de 35 minutos para ir ao escritório. Ao passar a usar a bicicleta como meio de transporte, esse tempo caiu para cerca de 15 minutos. Rebeca é gerente de políticas públicas do Facebook no Brasil. A sede da empresa fica no Itaim Bibi, região de São Paulo que tem servido como palco para testes com novas ideias e formas de mobilidade urbana. É difícil andar pelos quarteirões do bairro sem se deparar com bicicletas compartilhadas e patinetes elétricos.

Além da economia de tempo, Rebeca viu outros benefícios ao abraçar a bicicleta como meio de locomoção. Um deles é a melhora no relacionamento com colegas de trabalho. “A empresa é grande, então existem pessoas que geralmente não trabalhariam juntas, mas acabam unidas por esse interesse em comum”, conta a Época NEGÓCIOS.

O novo estilo de vida (ou de locomoção) tem ganhado força com a busca por soluções de transporte que desafoguem o caótico tráfego de carros e ônibus nos centros urbanos. E essa mudança tem apoio no mundo corporativo, que beneficia funcionários na busca por uma vida mais saudável e ativa. O empregador de Rebeca é um desses exemplo. O Facebook, afirma a empresa, “incentiva que funcionários se desloquem até o trabalho da forma mais eficiente e conveniente em todo o mundo”. Em sua sede brasileira, a empresa disponibiliza reembolso para aluguel de bicicletas, além de vestiários com armários, chuveiros, toalhas e até secadores de cabelo.

A bike é uma realidade na Bayer. A empresa bancou uma ponte exclusiva para pedestres e ciclistas que interliga a estação de metrô mais próxima, Santo Amaro, à companhia. Oportunidade para exercitar as pernas não falta para os colaboradores. Além de beneficiar os funcionários, a estrutura também é uma solução viável para moradores de uma comunidade local, que podem ter acesso facilitado à estação de metrô. “A adesão da comunidade é o que mais nos favorece. Os moradores cuidam e têm um carinho especial pela ponte. Não há vandalismo, apenas respeito”, diz o gerente de engenharia da Bayer, Luis Laurini.

Bicicletas da Bayer (Foto: Divulgação)AS ‘BAYBIKES’ SÃO VISTAS EM DIFERENTES PONTOS DA EMPRESA (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Além do caminho para o trabalho, a empresa tem depositado suas fichas no uso de bicicletas dentro do espaço corporativo. Deslocar-se para reuniões fica mais fácil com uma das 60 bicicletas apelidadas de “Baybike”. Uma ciclovia também encoraja os funcionários a pedalar entre os 30 prédios da sede. São 700 metros de pista e 6 diferentes estações, com armários e equipamentos de segurança distribuídos entre os principais pontos de encontro da empresa. “O fluxo de bicicletas é intenso e dura o dia todo. Vai do café da manhã até o final de expediente”, diz Luciano Muller, diretor de General Services da Bayer.

“Quando a empresa dá condições para o funcionário abrir mão do carro – seja por economia ou para contribuir com o meio ambiente – isso é motivador”, diz Jean Zonato, diretor de Crop & Portfolio Marketing Fungicida. “A possibilidade de usar bicicleta aqui dentro foi motivador para pessoas utilizarem a bicicleta como meio para chegar até aqui. Faço isso há anos e percebi o número de bicicletas aumentando.”

Outra grande empresa (no sentido literal da palavra) que usa bikes como solução de deslocamento interno é o Itaú Unibanco. Pioneiro na distribuição de bicicletas com a popular Bike Itaú, o banco permite que funcionários usem as bikes para locomoção na sede na capital paulista. O banco disponibiliza bicicletários, manutenções, ciclovia interna e vestiários. “Tudo surgiu após uma pesquisa para entender as necessidades dos funcionários. Reformamos o vestiário, colocamos de secador de cabelo a ferro de passar roupa e instalamos cancelas específicas para bikes no estacionamento do prédio”, conta Luciana Nicola, responsável pelo tema mobilidade do Itaú Unibanco.

As laranjinhas vieram depois. Com uma estrutura que inclui 5 diferentes prédios conectados por um estacionamento em comum, a empresa enxergou a oportunidade imergir as conhecidas bikes para sua cultura corporativa. “Percebemos que os funcionários acessavam as torres com seus próprios carros por meio do estacionamento. Decidimos trazer uma solução mais viável e saudável”, conta Nicola.

Programa do governo estimula uso da bicicleta no Brasil

Bom para a saúde
A oportunidade de transformar o caminho de casa até o trabalho em atividade física é atraente para quem tem pouco tempo para se dedicar a isso. Mas é preciso estrutura para que ninguém vá para a mesa coberto de suor nos dias mais quentes. A sede do banco Santander em São Paulo conta com vestiários, chuveiros e armários, além de um bicicletário com uma equipe de segurança à disposição. Funcionários de qualquer cargo podem optar em ir de bike e terão acesso a uma infraestrutura preparada para tal. Até mesmo tomar um banho antes do início do expediente.

“Entendemos isso como um estímulo são só pela questão de mobilidade, mas também pelo bem-estar que pode provocar”, diz a gerente de gestão integrada da saúde do Santander, a médica Jeisiane Soares Ramanzini. “Temos visto que as pessoas no banco estão entendendo e se posicionando em relação à própria saúde com soluções que fazem sentido para elas.” Para a médica, a atividade física é um dos motores para a redução nos custos de saúde dos funcionários, ao mesmo tempo que gera aumento na produtividade e no bem-estar no ambiente de trabalho.

Bicicletários na sede do banco Santander, em São Paulo (Foto: Divulgação)BICICLETÁRIO NA SEDE DO BANCO SANTANDER, EM SÃO PAULO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Uma proposta diferente vem da desenvolvedora de software para empresas Salesforce, que subsidisia custos para que funcionários adotem hábitos mais saudáveis. A empresa oferece um benefício mensal de até R$ 350 para gasto em “bem-estar social”. Entre as categorias, está o uso de bicicletas convencionais e até mesmo as elétricas. “Nossa meta é que 100% do nosso time use esse recurso. E nossas estatísticas mostram que estamos perto disso”, explica Daniel Hoe, diretor de marketing da Salesforce para América Latina. Hoe explica que o retorno para a empresa tem a ver com a responsabilidade social: “há o retorno da produtividade, bem-estar e saber que o funcionário mais saudável produz mais. Mas acima disso, está o fato de sabermos que estamos fazendo a coisa certa”.

 

PORTUGAL DIZ NÃO DEFINITIVO AO PLÁSTICO

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Nos últimos anos a discussão sobre o plástico tem sido um tema que tem ocupado as agendas políticas de vários países, incluindo Portugal.

A 25 de Janeiro, João Matos Fernandes, Ministro do Ambiente, prometeu que Portugal estaria plastic-free até ao ano de 2021, no entanto esta realidade poderá mesmo ser atingida em janeiro de 2020. Artigos como pratos e talheres de plástico, cotonetes e palhetas para café vão deixar de ter lugar nas prateleiras dos supermercados e também noutros espaços públicos, como restaurantes e escolas.

Fonte: Kakuko/Pixabay

Contudo, também marcas como a Nestlé, por exemplo, querem também usar apenas materiais recicláveis ou reutilizáveis até 2025.

De acordo com o Ministro do Ambiente, em entrevista ao jornal Público“A indústria já teria que o fazer. O que estamos a dizer é que vamos antecipar no mínimo em seis meses, talvez um ano.”

Esta diretiva, conhecida como Diretiva de Plásticos de Uso Único,tem também como objetivo eliminar os sacos de plástico oxo-degradáveis que, apesar do nome, não se degradam facilmente.

Estes produtos contém microplásticos que são facilmente absorvidos pelo meio-ambiente e, consequentemente, bastante difíceis de remover, segundo um estudo levado a cabo pelo Departamento do Ambiente do Reino Unido. Deste modo, os super e hipermercados passarão a vender sacos feitos com plástico mais resistentes- com uma espessura de 50 microgramas- que passarão a ser também mais caros, apelando assim à utilização de sacos reutilizáveis.

LÊ TAMBÉM: REDUZIR O PLÁSTICO: DEZ FORMAS E PRODUTOS ALTERNATIVOS

Para reforçar ainda mais esta luta contra o plástico em Portugal, o ministro João Matos Fernandes acrescenta ainda que irão ser  50 equipamentos em todo o País para depósito de embalagens como garrafas de plástico e latas de alumínio, até janeiro de 2021, sendo que a ideia é que cada utilizador receba um vale de desconto por cada embalagem e garrafa entregue.

Neste sentido, é também importante dar destaque a movimentos nacionais que se têm destacado nesta batalha, tais como a Zero Waste Portugal, uma organização portuguesa que luta não só contra o plástico, mas também contra a poluição nas ruas e praias portuguesas, querendo criar uma comunidade zero wasters.

O movimento foi criado em 2016 por Ana Milhazes, inspirado e tem como base o estilo de vida desperdício zero, assente num conjunto de práticas (5 Rs) destinadas a evitar o desperdício o máximo possível no nosso dia-a-dia:

  1. Recusar aquilo que não necessitamos (Refuse)
  2. Reduzir o que necessitamos (Reduce)
  3. Reutilizar aquilo que consumimos (Reuse)
  4. Reciclar aquilo que não conseguimos recusar, reduzir ou reutilizar (Recycle)
  5. Fazer compostagem (Rot)

A organização dedica-se a tornar Portugal um país 100% livre de plástico e que passe a ser ainda mais adepto de produtos reutilizáveis, fazendo recolhas de lixo em praias e outros locais, e apresentando soluções reutilizáveis que podemos substituir por plástico, como palhinhas de palha, por exemplo.

MENOS É MAIS?

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Do desapego à crise econômica: como o minimalismo preenche o seu vazio
Arte/TAB

O minimalismo ganhou força com a crítica ao excesso de consumo depois da crise global de 2008Imagem: Arte/TAB

Luiza Pollo

Da agência Eder Content, em São Paulo

20/02/2019 04h01

A imagem de uma casa tão vazia que chega a fazer eco, sem nenhuma decoração e com poucos móveis – todos brancos – virou até piada no site de Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, o The Minimalists. “É bem simples: Para ser minimalista, você precisa viver com menos de 100 coisas, você não pode ser proprietário de uma casa, um carro ou uma televisão, você não pode ter uma carreira, você precisa viver em lugares exóticos e com nomes difíceis de pronunciar, você precisa criar um blog, você não pode ter filhos, e você precisa ser um homem branco e privilegiado”, ironizam.

Millburn e Nicodemus são dois dos nomes mais relevantes relacionados ao assunto. Em 2009, ambos tinham carros luxuosos, grandes casas e salários anuais que ultrapassavam as centenas de milhares de dólares. Parece até clichê de filme, mas em determinado momento eles perceberam que o sucesso era só aparente. Para além da ostentação, sentiam que não eram donos do próprio tempo.

Decidiram, então, mudar de estilo de vida, cada um à sua maneira. O objetivo era o mesmo: diminuir o consumo e entender o que realmente importava para eles. Venderam boa parte do que tinham, publicaram um livro e rodaram os Estados Unidos fazendo palestras sobre a experiência. Mais recentemente, Millburn e Nicodemus produziram  “Minimalismo: Um Documentário Sobre as Coisas Importantes”, disponível na Netflix.

As tais “coisas importantes” não são parte de nenhuma lista mirabolante e restritiva. São subjetivas e variam entre os indivíduos. “Minimalismo é um estilo de vida que ajuda as pessoas a questionarem quais coisas adicionam valor às suas vidas”, explicam.

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Os interiores privilegiam os vazios e reduzem os objetos que formam a identidade e a memória do moradorImagem: Arte/TAB

O que substitui as “coisas”?

“Coisas que adicionam valor”, coisas que trazem felicidade. Soou familiar? Então você deve ter assistido à série “Ordem na Casa”, com Marie Kondo, na Netflix. A organizadora profissional, criadora do método KonMari e autora de quatro livros, ganhou ainda mais adeptos depois da série e virou até meme na internet. Sob o mantra “isso me traz alegria?”, Marie leva organização com raízes japonesas aos lares abarrotados de algumas famílias norte-americanas.

A ideia é ter consciência dos objetos acumulados ao longo do tempo e manter apenas os que têm valor. Engana-se o leitor voraz que pensa que terá de jogar fora a maior parte de seus livros. Se eles têm significado e trazem felicidade, sem atrapalhar o dia a dia ou trazer dor de cabeça, devem ficar.

Do ponto de vista mental, o minimalismo faz todo sentido, afirma Giovana Del Prette, psicóloga, professora e supervisora clínica em Análise do Comportamento no Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo). Não é o ato de se livrar dos objetos que traz felicidade, explica, mas sim “o que a pessoa vai fazer no lugar de acumular coisas.”

O tempo gasto no consumo – desde as horas trabalhadas para ganhar dinheiro até a pesquisa de um produto, o passeio na loja e a compra em si – precisa ser substituído por outras atividades prazerosas, afirma Giovana. Não dá para doar uma pilha de roupas sem muita reflexão e achar que virou minimalista. No dia seguinte, você provavelmente vai querer comprar de novo.

“Pode criar-se um vazio na pessoa. Se ela costumava preencher com o consumo, perceber esse vazio pode fazer voltar atrás ou pode fazer progredir. E o progredir vai ser o que ela vai colocar no lugar do que fazia antes. É importante estabelecer metas com o tempo em que consumia”, diz a psicóloga.

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Poucas peças para cada estação, e roupas com significado e praticidade formam o closet minimalImagem: Arte/TAB

Um plano minimalista

“Era aquela coisa de ver o fim de semana como recompensa. Você trabalha muito a semana inteira e aí vai ao shopping comprar um monte de coisa porque ‘eu mereço'”, lembra a administradora Mirella Rabelo.

Em 2014, ela morava em um apartamento no Brooklin, bairro nobre de São Paulo, quando conheceu Rômulo Wolff. O também administrador tinha passado uma década fora do Brasil, trabalhando como especialista em tecnologia da informação e vendas. Quando voltou para cá, percebeu que seu lugar não era em seu apartamento no Itaim Bibi, outro bairro paulistano endinheirado. Ele queria conhecer mais do mundo.

Mirella topou embarcar com ele em uma viagem de dois anos da Argentina ao Alasca, de carro. Mas foi além. Ela criou uma estratégia para que o casal ganhasse dinheiro com a viagem. Nasceu o Travel and Share, blog e perfis nas redes sociais, em uma época em que blogueiros de viagem eram mais raros.

“A primeira coisa que precisamos fazer foi cortar os gastos antes de viajar. Vendi tudo que podia vender, fiz um bazar de roupas em Poços de Caldas (MG), onde minha família mora, e movimentou a cidade”, relata Mirella.

O casal conseguiu uma picape por meio de patrocínio e quis aproveitar o espaço para fazer caber tudo que fosse possível. Além da barraca na qual eles pretendiam dormir quando não encontrassem acomodação gratuita em couch surfing, lotaram o carro com caixas cheias de roupas e utensílios.

Mas até isso começou a parecer exagero. O banco de trás estava abarrotado e as caixas não eram práticas. “Começamos a perceber que ter muita coisa, em vez de trazer conforto e alegria, trazia confusão”, lembra Mirella. Com o banco de trás lotado, perceberam que não podiam dar carona a ninguém que viam pela estrada. Um dia, encontraram um homem em um local totalmente deserto e não conseguiram deixá-lo lá, sozinho. Depois da experiência com a primeira carona, eles abriram o espaço do banco de trás permanentemente, o número de itens se reduziu ainda mais, e o que já era uma vida mínima ganhou também sentido minimalista.

“O melhor que aconteceu foram as amizades que fizemos na estrada”, diz Rômulo. “Nós praticamente não temos contato com os amigos de antigamente, estamos conectados pelas redes sociais mas nunca nos falamos.” Após uma limpa nos grupos de WhatsApp dos quais participavam, viram que o tempo que passavam no celular também ficou mínimo.

O principal do minimalismo é preencher o espaço [antes repleto de objetos] com relacionamentos de verdade, mais tempo de convivência e não de isolamento

Giovana Del Prette, psicóloga

O plano de negócios de Mirella deu certo e o casal decidiu não voltar mais. Pelo menos não para ficar. São Paulo é um dos pontos de parada das muitas viagens que fazem juntos pelo mundo, agora a bordo de uma picape incrementada com um camper – uma estrutura montada sobre o carro que se assemelha a um trailer. O segundo livro – agora sobre o estilo de vida minimalista – deve sair ainda em 2019.

“Hoje a gente é muito grato por essa vida que leva e por ter uma casa tão pequena”, afirma Mirella. “Eu não guardo coisas, mas guardo muitas histórias. E no final são elas que permanecem. O enfeite que eu tinha na estante do meu apartamento ou a blusinha que eu deixei para trás eu já nem lembro. Mas as histórias que o primeiro cara para quem eu dei carona contou, isso eu lembro”, completa.

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Guardar histórias e não objetos é uma das regras da lógica minimalistaImagem: Arte/TAB

Menos consumo

Em tempos de informação imediata, conexão à internet em tempo integral e outros estímulos incessantes, não é estranho ver um movimento que se coloca exatamente como oposto.

Além do sucesso recente de Marie Kondo, Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus em livros, palestras e até na Netflix, a internet facilitou o encontro e o compartilhamento de ideias entre os minimalistas. Nas redes sociais, hashtags como #minimalismo, #livewithless, #menosemais, #armariocapsula e #tinyhomes ajudam a reunir conteúdo sobre o tema.

A ideia do minimalismo não é nova. Vai e vem dependendo de para onde a sociedade está caminhando. Se vai para um lado, tem o outro para contrabalancear

Giovana Del Prette, psicóloga

A ideia do armário cápsula, por exemplo, foi o que fez deslanchar o blog Un-Fancy em 2014. Caroline Joy, autora do site, virou referência no assunto quando escreveu um post sobre como a redução no consumo e no número de peças que tinha no guarda-roupas a ajudou a “encontrar um estilo” e se desprender do consumismo. A rede de seguidores de Caroline ajudou a espalhar o modelo do armário com número limitado de peças que se combinam entre si – hoje bem mais fácil de encontrar em blogs e perfis de Instagram e Pinterest.

Minimize a crise

A palavra “minimalismo” costuma remeter ao movimento artístico que começou logo após a Segunda Guerra Mundial, principalmente entre artistas visuais dos Estados Unidos. Com uso predominante de formas geométricas e fazendo referência ao modernismo, “a arte não é mais uma questão de conteúdos (formas, cores, visões, interpretações da realidade, maneira ou estilo), mas de percepção”, escrevem Marcelo Mocarzel e Angelina Accetta Rojas em estudo sobre o tema publicado em 2015.

Mocarzel, professor em estágio doutoral da Universidade Federal Fluminense, explica que o minimalismo como estilo de vida não tenta romper com a sociedade, como fizeram os movimentos punk ou hippie. “[O minimalismo] Tenta, dentro da sociedade, criar mecanismos de sustentabilidade. Não é uma ideia de sociedade alternativa, mas de uma com menos estresse, mais focada na qualidade de vida”, define.

Por isso, viver com menos parece mais palatável a quem está cansado do ritmo de vida imposto pela sociedade atual, mas não pretende viver isolado dela. “A ideia do minimalismo é desvincular de coisas que possam ser confortáveis e te tornam dependente”, avalia Giovana.

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No lugar de quintais e canteiros, a natureza minimalista prioriza a sustentabilidade e alimentos para cozinhaImagem: Arte/TAB

Parte das críticas ao movimento, e mais recentemente ao método KonMari, alega que o minimalismo é excludente porque não se aplica à população mais pobre. Mocarzel argumenta que, apesar de o ‘rótulo’ ser usado em contextos de classes média e alta, as ideias minimalistas vêm em parte de soluções criativas encontradas por pessoas que precisavam se vestir, comer e morar gastando pouco.

Reaproveitamento de materiais, grupos de trocas de roupas entre conhecidos e brechós são alguns dos exemplos citados por ele. “O momento de crise no Brasil também fez com que despertasse o interesse em economizar e consumir de forma consciente”, observa. “Não vejo incompatibilidade [entre ter pouco dinheiro e ser minimalista], vejo um aprendizado com as pessoas que têm menos recursos. Elas são mais criativas e acham saídas interessantes.”

Carnaval sustentável: 5 ideias de fantasia e decoração naturais

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carnaval-espantalho-fantasia (Foto: Pxhere/CreativeCommons)Já pensou fazer uma fantia de espantalho para o Carnaval? (Foto: Pxhere/CreativeCommons)

A época mais brilhante no Brasil, o Carnaval, está chegando. Tão importante quanto decidir o destino para curtir o feriado é pensar na sua fantasia e os bloquinhos que você vai acompanhar. E para deixar o clima de festa ainda melhor, reunimos algumas dicas que podem tornar sua diversão mais alegre para a natureza – é que o glitter comum, serpentina e garrafas plásticas, quando descartados incorretamente, podem poluir o meio ambiente. Abaixo, aprenda maneiras de tornar seu Carnaval mais verde.

Confete

Nada de comprar confete pronto! Formado em engenharia ambiental pelo Instituto Federal do Ceará, Vitor Hugo Sampaio, de 25 anos, ajudou a popularizar na internet a ideia do ECOnfete. Trata-se de um confeite feito com folhas, ou seja, um produto natural e biodegradável.

Na página Referencial Verde, a qual Vitor usa para compartilhar diversas dicas sustentáveis no Instagram, ele ensina que o item pode ser feito com folhagens achadas na rua, por exemplo. Depois, basta fazer as bolinhas com um perfurador de papel. “É interessante que ela seja larga para permitir e facilitar a perfuração”, avisa.

Confete sustentável é feito com folhas caídas (Foto: Referêncial Verde/Reprodução Instagram)Confete sustentável é feito com folhas caídas (Foto: Referêncial Verde/Reprodução Instagram)

Para fazer o ECOnfete, algumas plantas devem ser evitadas, pois podem provocar reações alérgicas. São elas: neem (ou nim) indiano, espada de são jorge, urtiga, comigo-ninguém-pode e pinhão-roxo. “Normalmente plantas que apresentam látex e algumas outras ornamentais”, ele explica. Plantas permitidas são folhas de mangueiracajueiro e castanholeira. “É importante verificar também se a mesma não apresenta fungos responsáveis pela sua decomposição.”

Após recolher as folhas, faça a higienização com água e sabão neutro, fazendo movimentos suaves para não machucá-las. “Se não for utilizar o material de imediato, recomendo deixar secar ao sol para retirar um pouco da água presente na folha verde, retardando assim o processo de decomposição”, comenta Vitor.

Para transportar o ECOnfete até o bloquinho, use um saquinho de pão ou de pano, que impactam menos o ambiente do que as sacolas plásticas. Além disso, após jogar as bolinhas para o alto, você pode usar o tecido para incrementar a sua fantasia.

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Fantasia

Comprar uma fantasia inteira para usar um só dia pode não compensar, então prefira alugar trajes em lojas especializadas. Outra alternativa é adaptar as roupas que você já tem em casa para economizar. “Caso esteja sem inspiração ou criatividade, pergunte aos amigos ou convide-os para trocar peças de roupas e ajudar na escolha dos acessórios”, recomenda Vitor.

As máscaras também são comuns no Carnaval. Você pode fazê-las a mão com papéis de rascunho, papelão, caixa de leite ou de sapato. Use glitter, tinta colorida, lantejoulas e outros adereços para personalizar a sua – lembrando sempre de procurar materiais sustentáveis.

Use papelão e materiais recicláveis para criar máscaras de Carnaval (Foto: Getty Images)Use papelão e materiais recicláveis para criar máscaras de Carnaval (Foto: Getty Images)
Na rua

Foi para o bloquinho? Lembre-se de beber água para manter a hidratação, mas cuidado com as brincadeiras com este recurso natural para evitar o desperdício. Como no Carnaval o consumo de bebidas alcoólicas é comum, uma dica é levar seu copo reutilizável e pendurá-lo no braço ou pescoço com uma cordinha. “Isso pode dar um toque intimista e pessoal à festa sem esquecer dos cuidados para com o meio ambiente”, fala Vitor.

Não teve jeito e acabou comprando uma garrafa de plástico, vidro ou latinha? Certifique-se de descartá-la corretamente. Procure saber se o local onde você vai pular o Carnaval possui pontos de coleta seletiva, diminuindo a quantidade de lixo nas ruas.

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Em casa

Se a folia for em casa, é possível organizar uma festa igualmente divertida e sustentável. “As plantas são coringa na decoração. Um vaso alto de cerâmica natural com uma planta alta como o bambu ao lado do sofá ajudam a dar proporção ao ambiente e certo ar de alegria”, sugere Ane Calixto, fundadora da Arquitetura Resolve.

Para quem tem pouco espaço, como nos apartamentos, a opção é usar plantas menores no centro de mesa. “Você pode substituir as plantas por plumas coloridas. Elas darão um toque divertido e super charmoso”, fala Ane. Além disso, as flores podem ser outra opção para criar pontos de cor. Espalhe as suas espécies favoritas pela casa e como é Carnaval, não precisa ter moderação!

Arranjo colorido de flores decora o ambiente de forma alegre (Foto: Pixabay/Sofy43/Creative Commons)Arranjo colorido de flores decora o ambiente de forma alegre (Foto: Pixabay/Sofy43/Creative Commons)

Para finalizar, a arquiteta indica cestos e tapetes em fibras naturais, como a de coco ou sisal, para a compor a festa. “Fazer uma hortinha com pequenos vasos apoiados em prateleiras ou estantes também está em alta”, ela diz. Então que tal convidar os foliões para preparar uma ceia antes da folia feita com ingredientes colhidos direto do pomar?

Purpurina

E como o glitter não pode faltar, a indicação é o usar a versão comestível, geralmente usado para doces de confeitarias. “Esses itens são fabricados com microplásticos e/ou folículos de alumínio, causando assim grandes impactos à vida marinha”, alerta Vitor. Outra opção é fazer purpurina na sua cozinha. Aprenda a receita de glitter caseiro da blogueira Gabi Campos:

Ingredientes:
1 colher de sopa de gelatina em pó sem sabor (um pacotinho)
3 colheres de sopa de água gelada
Corante comestível da cor desejada

Materiais:
Borrifador (spray) de água
Tapete de silicone ou uma superfície “plástica”
Pincel largo e macio
Microprocessador de alimentos ou um  liquidificador

Como fazer:
Coloque a gelatina em pó num potinho de vidro e borrife a água gelada uniformemente, sem misturar. Coloque no microondas por 30 segundos, parando a cada 10 segundos para misturar. Acrescente o corante alimentício e misture bem. Pincele a gelatina na superfície escolhida. Deixe secar por no mínimo 6 horas. Depois de seco, corte a folha em pedaços menores. Por fim, “bata” no microprocessador de alimentos ou em um liquidificador por alguns minutos. Para obter o glitter de dois “tamanhos”, use uma peneira.

 

NOTA DO PARTIDO VERDE COM RELAÇÃO À CRISE NA VENEZUELA

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O PV do Brasil considera que o atual regime que governa a Venezuela é uma ditadura essencialmente baseada no poder militar e que levou o país à miséria, à fome, à doença, ao desemprego, à corrupção e à violência contra o povo.
O PV é contra qualquer intervenção militar no país vizinho. Estimulamos e apoiamos o diálogo com e entre todas as forças políticas venezuelanas tanto governistas quanto oposicionistas visando um entendimento que organize já eleições livres e acompanhadas por observadores indicados pela ONU.
É também urgente que os países que queiram socorrer o povo da Venezuela encaminhem ajuda humanitária especialmente nas áreas de saúde e alimentação preferencialmente via organismos multilaterais.
Quanto ao estado de Roraima, é necessário que seja apoiado pelo Governo Federal e pelos outros governos estaduais para ser possível continuar atendendo as pessoas refugiadas e vítimas da violência na Venezuela.
José Luiz Penna
Presidente Nacional do Partido Verde

https://www.facebook.com/326797144544/posts/o-pv-do-brasil-considera-que-o-atual-regime-que-governa-a-venezuela-%C3%A9-uma-ditadu/10156434216019545/

Você não vira CEO por causa da sustentabilidade, mas deixa de ser CEO por causa dela

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Antes de assumir a liderança de uma empresa, é preciso fazer uma avaliação séria sobre riscos socioambientais existentes

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil )O PRESIDENTE DA VALE, FABIO SCHVARTSMAN (FOTO: VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL )

Virar CEO é o grande sonho de muitos executivos. Nas minhas aulas de Sustentabilidade Corporativa no Executive MBA, tento me conectar com os sonhos, anseios e pressões organizacionais experimentadas pelos participantes. Várias pesquisas mostram o valor financeiro de uma boa gestão de temas socioambientais como escassez de água, consumo de energia, ética e transparência, entre outras. Mas não consigo mostrar que alguém virou CEO por causa da sustentabilidade.

Recentemente, no entando, ficou relativamente fácil mostrar que executivos deixam de ser CEOs por causa da sustentabilidade. Um dos casos mais emblemáticos é o de Tony Hayward. Ele era CEO da BP quando, no dia 20 de abril de 2010, uma explosão aconteceu na plataforma de petróleo chamada Deepwater Horizon, matando 11 pessoas e causando um vazamento significante de petróleo. Em 18 de maio, em nome da BP, Hayward anunciou que se tratava de um vazamento pequeno. Mais tarde, no dia 27 de maio, usou a terminologia “catástrofe ambiental”. Três dias depois, comentou com um jornalista que ele “queria sua vida de volta”. O valor da ação da BP na bolsa de Londres caiu de GBP 641,80, no dia 16 de abril de 2010, a GBP 322,00, no dia 2 de julho do mesmo ano. Desde então, o valor nunca mais superou GPB 600,00. No dia 27 de julho, a BP anunciou que Hayward seria substituído por Bob Dudley. Hayward teria vida de volta!

Heiko Hosomi Spitzeck, diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral (Foto: Divulgação)HEIKO HOSOMI SPITZECK É DIRETOR DO NÚCLEO DE
SUSTENTABILIDADE DA FUNDAÇÃO DOM CABRAL
(FOTO: DIVULGAÇÃO)

O dia 5 de novembro de 2015 é um dia inesquecível para Ricardo Vescovi, ex-CEO da Samarco. O rompimento da barragem do Fundão causou o maior desastre ambiental da história brasileira até então. Ricardo Vescovi e vários Conselheiros da Samarco foram indiciados por crime ambiental – a legislação prevê para estes casos penas como reclusão de um a quatro anos. Como consequência do desastre, o governo suspendeu as atividades da empresa.

Martin Winterkorn era CEO da Volkswagen até 23 de setembro de 2015. Em nome da empresa, ele se desculpou (com muito atraso) por usar software que fraudava a medição de emissões nos carros movidos a diesel, com o objetivo de atender os limites estabelecidos pelas legislações europeia e americana. Ele foi indiciado por fraude e ouviu do procurador geral dos Estados Unidos: “Se você quer enganar os Estados Unidos, pagará caro por isso”. Os custos totais para a empresa, referentes a multas, perda de valor de veículos e compensações para proprietários de carros movidos a diesel somaram mais de R$ 70 bilhões. A gestão da crise foi criticada seriamente pela imprensa alemã, que atribuiu os erros principalmente à cultura da liderança e à incompetência do Conselho de Administração.

Existem vários outros casos nacionais e internacionais. Aldemir Bendine, CEO da Petrobras até a Lava Jato, Klaus-Christian Kleinfeld, CEO da Siemens até o escândalo de corrupção em 2006/2007 etc. Alguns de vocês poderiam complementar: Fabio Schvartsman, CEO da Vale até o rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho.

E a moral da história? Em todos os casos citados, encontra-se: falta de gestão de riscos socioambientais, comunicação desastrosa durante a crise e CEOs e conselheiros despreparados , fora de sintonia com o que a sociedade espera deles.

Assim, se você está avançando na sua carreira, e pode chegar a ser convidado para ocupar o cargo de CEO ou conselheiro de uma empresa, faça uma avaliação séria sobre os riscos socioambientais existentes. Verifique a qualidade da comunicação em momentos de crise e a qualificação da diretoria e do Conselho de Administração para tratar desses temas de forma estruturada. Porque os CEOs mencionados acima enfrentaram derrotas profissionais, financeiras e pessoais. A sociedade atribui a eles um legado negativo, que não necessariamente foram eles que construíram. Por isso, antes de aceitar o convite, pergunte a si mesmo: qual legado quero deixar, e qual legado vou herdar?

* Heiko Hosomi Spitzeck é Diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral