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SURPRESA VERDE NA HOLANDA – Ameaça fascista foi derrotada nas eleições

Ameaça fascista foi derrotada nas eleições. À esquerda, o Partido Verde cresce com discurso de multiculturalismo e propostas para ampliar a tributação dos mais ricos

Em meio a uma onda conservadora de direita que se estende pela Europa, os Verdes aumentaram a sua representatividade nas últimas eleições na Holanda, realizadas na última semana, e assim como na Áustria, a onda extremista é combatida pela Onda Verde.

As pesquisas de boca-de-urna indicavam um resultado histórico para os verdes holandeses que se confirmou, o partido quadruplicou a bancada (de 4 para 16) e, a despeito do receio da extrema-direita, foram os grandes vencedores dessas eleições.

Mais de 12,9 milhões de eleitores foram chamados às urnas na quarta-feira (15) para elegerem 150 deputados. O comparecimento dos votantes subiu cerca de oito pontos percentuais, em relação à ida às urnas de 2012, a participação eleitoral foi de 82%. Em colégios eleitorais importantes como Groningen, os verdes saíram de 4,6% para 18,9%, em Rotterdam, os verdes foram de 2,6% para 11,1%, em Utrecht, comemoraram um expressivo aumento de 6,7% para 20%.

Os verdes venceram em Amsterdam, onde tiveram mais votos que todos os outros partidos e atualmente é o principal e mais atuante partido de esquerda na cidade. É liderado por Jesse Klever, um jovem de 30 anos, filho de imigrantes, com raízes marroquinas e indonésias.

Sua campanha foi pautada principalmente por um discurso voltado em propostas para ampliar a tributação dos mais ricos, à cultura de paz, o respeito e o multiculturalismo. O líder do Partido dos Verdes, conquistou muitos votos por sua mensagem muito diferente da retórica anti-imigração dos outros candidatos. “Penso que ainda somos um país tolerante. Somos um país que acredita na liberdade e temos uma sociedade empática”, declarou o líder dos verdes, em recente entrevista a euronews.

Para o secretário de relações internacionais do Partido Verde, Fabiano Carnevale, a vitória expressiva que os verdes na Holanda tiveram nas urnas representa um momento de reafirmação do movimento ecologista no mundo.

“Somos uma alternativa à perda de representatividade da política tradicional há muitos anos, e nunca isso foi tão relevante quanto agora. É possível perceber que tanto na Áustria quanto na Holanda, os verdes se impuseram como alternativa não só ao extremismo de direita, como também às visões pragmáticas e/ou extremistas da esquerda. É um chamado ao diálogo. À construção de pontes e não da ampliação dos muros que estão sendo erguidos nessa segunda década do século 21”, finaliza Carnevale.

Fonte : Camila Caetano p/Sec.Comunicação do PV 

CARNE, GALINHA…

André Trigueiro escreveu:
Não precisa perguntar para o ministro da agricultura o que ele pensa sobre “bem estar animal”. Blairo Maggi deixou muito clara a opinião dele sobre esse assunto na última quinta-feira em Brasília. Veja o que disse o ministro (aludindo especificamente sobre a criação de aves) durante uma entrevista coletiva:
“Falando sobre bem-estar animal, que prevê galinhas soltas, vai ao contrário do que a gente esta fazendo aqui. A gente quer telar, quer fechar. Tomamos a decisão que não vamos avançar nessa área. Pode vir reclamação, sugestão, mas o Brasil não vai mexer com isso porque vai exatamente o contrário de todo o esforço que estamos fazendo”, afirmou Blairo Maggi.
Mais de 95% das galinhas poedeiras no Brasil são criadas em regime de confinamento. É um método cruel, onde as galinhas são amontoadas e vivem apertadas dentro de gaiolas onde não é possível sequer abrir as asas. A crueldade imposta às aves para a produção ovos é tanta, que várias empresas – sob pressão de organizações ambientalistas – modificaram suas rotinas eliminando os sistemas usuais de confinamento.
De acordo com Elizabeth Mac Gregor (Diretora de educação do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal), as empresas abaixo decidiram não comprar mais ovos de galinhas confinadas: Unilever (que fabrica as maioneses Hellmann’s e Arisco), Cargill (fabricante das maioneses Liza e Maria), Grupo Bimbo (dono das marcas Pullman e Ana Maria) e várias redes de fast food como McDonald’s, Burger King – que foi citado por mim no post anterior por produzir carne a partir de soja plantada em áreas de floresta – Subway, Bob’s, Spoleto, KFC, Pizza Hut, Giraffa’s, Frango Assado e Viena.
Mas para o ministro da Agricultura do Brasil nada disso parece importante, razão pela qual ele decidiu “não avançar nesta área”. É lamentável que Blairo Maggi respalde métodos cruéis de produção de ovos.
No link abaixo, a gravação da fala do ministro. E as explicações do ministério que, confesso, não fizeram muito sentido para mim.
André Trigueiro
#Carne #GalinhaPoedeira #BemEstarAnimal

Por que dar incentivos fiscais e subsídios para um equipamento ocioso em 80% do tempo?

WASHINGTON NOVAES* – O ESTADO DE S. PAULO

No mesmo dia em que alguns jornais divulgavam a notícia de que o Brasil é o país onde o proprietário passa mais tempo dentro do automóvel – 4 anos e 11 meses de vida, ante 4 anos e 3 meses do argentino, 4 anos do europeu, 3 anos e 1 mês dos chineses (CSA Research, 3/3) –, informou-se que o item mais importante para a redução de 20% nos acidentes (no Estado de Goiás, por exemplo) foi o uso do farol, tanto no caso de acidentes com vítimas como nos sem vítimas. Nos acidentes com vítimas de morte a redução num mesmo período de 2016 e 2017 foi de 37,9%; nos acidentes com outras vítimas, redução de 7,55%; e nos casos sem vítimas, de 29,6%. As estatísticas também foram favoráveis nos casos de colisão e em mais de mil casos de atropelamento. São números importantes num país onde os acidentes dessa ordem costumam ser altos.

Já a poluição atmosférica no Estado de São Paulo, na visão de pesquisa coordenada pelo professor Paulo Saldiva, poderá explicar 15% dos casos de enfarte. Se reduzida em 10%, poderá evitar a morte em mais de 10 mil casos, além de se obterem avanços no tratamento de centenas de milhares de casos de asma e reduzir a perda de milhões de horas de trabalho.

“Ambientes poluídos e insalubres matam 1,7 milhão de crianças por ano” em todo o mundo, de acordo com relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMC) nesta semana. Uma em cada quatro mortes de crianças com menos de 5 anos está relacionada com ambientes poluídos e insalubres. Poluição do ar e da água, fumo passivo, falta de saneamento básico e de infraestrutura adequada de higiene também são fatores muito relevantes. E a maior parte deles poderia ser evitada. Principalmente com o acesso ao saneamento básico e o uso de combustíveis limpos.

Além disso, enfatiza o relatório, a exposição a ambientes insalubres pode começar durante a gravidez, aumentando o risco de partos prematuros. E as crianças expostas à poluição atmosférica e ao fumo passivo podem ter mais risco de contrair pneumonia e de desenvolver doenças respiratórias crônicas, como a asma.

Serra Leoa é o país com a maior incidência dessas doenças. Ali morrem 780,6 crianças de até 5 anos de idade por 100 mil habitantes, por causa de doenças atribuídas ao meio ambiente. No Brasil, a taxa é de 41,38 mortes. O principal problema é a falta de saneamento básico. Segundo a OMS, a situação não é tão alarmante como a da China e da Índia. Há um esforço para melhorar a qualidade do ar. A situação da água melhorou nos últimos anos, “mas não é a ideal”.

O que mais impressionou os pesquisadores, em quase todos os lugares, foi o impacto da poluição atmosférica dentro dos lares na saúde infantil. E sob esse ângulo, a poluição advinda da energia é um fator relevante. Precisa ser atacado, substituindo o querosene por lâmpadas solares; o fogão a lenha pode ser substituído por fogões elétricos, tão eficientes quanto os fogões a lenha, sem causar poluição. Quase 600 mil crianças morrem a cada ano por causa da poluição, principalmente a gerada dentro dos lares, ressalta a OMS.

Lixo eletrônico é outro problema que expõe as crianças a toxinas que podem danificar os pulmões e levar ao câncer, além de redução no desenvolvimento cognitivo e déficit da atenção.

Segue o relatório da OMS relatando problemas com mudanças climáticas, como o aumento da temperatura e de níveis de dióxido de carbono na atmosfera, que favorecem a liberação de pólen pelas plantas, que está associado ao desenvolvimento da asma. Entre 11% e 14% das crianças abaixo de 5 anos são as maiores vítimas da asma, 44% relacionadas com o ambiente.

Nesse panorama, é muito preocupante a notícia divulgada pelas indústrias de automóveis de que até o final desta década o número de carros nas ruas dobrará. Essa perspectiva está levando a muitos programas de enfrentamento – BRTs e vias para bicicletas em Buenos Aires, trens de alta velocidade em 6.800 quilômetros nos EUA, espaços compartilhados por veículos e pessoas em vários países, pagamento de pedágio por automóveis em vias urbanas.

Mas fica a pergunta para vários países, incluído o Brasil: por que conceder incentivos fiscais e subsídios para automóveis, equipamento que permanece ocioso em 80% do tempo?

De Roma, vem a notícia (Plurale, 2/3) de que o papa Francisco aceitou a doação de uma instituição e “passará a usar um carro 100% elétrico durante um ano, como parte de um projeto-piloto que visa a demonstrar que essa tecnologia é boa para o ambiente e a economia. A consultoria doadora também doou quatro estudos sobre como transformar o Vaticano num dos primeiros Estados do mundo a usar 100% de energias renováveis, num ambiente com 100% de mobilidade livre de emissões”.

Há muitos outros ângulos. A ONU, por exemplo, fez um estudo em Barcelona, preocupada com os espaços urbanos, a perda de espaços públicos, calçadas, praças, e com a insuficiência dos transportes públicos. Sua recomendação é manter políticas participativas, tratar de relações entre bairros antigos e mais novos, que têm necessidades diferentes. Hoje o espaço público tem, no máximo, 30% da área total das cidades.

Mas é preciso lembrar que a população no mundo chegará a 10 bilhões de pessoas em 2050 (hoje já são mais de 3,9 bilhões). E lembrar o desafio, já presente, das megacidades. Tóquio tem 38 milhões de pessoas; Délhi, 25 milhões; a Grande São Paulo já passou de 20 milhões. E no centro de toda a questão está o problema da mobilidade urbana, a presença do automóvel.

A cidade de Goiânia, por exemplo, que foi concebida para ter, no máximo, 100 mil habitantes, hoje tem 1,43 milhão e uma frota de 1,15 milhão de veículos. Não é muito diferente de outras capitais de Estados e grandes cidades – até porque, em geral, não temos políticas para áreas metropolitanas.

* WASHINGTON NOVAES É JORNALISTA

O Maior Mistério da Cadeia de Produção de Carne

Capturar0O Burger King, a segunda maior cadeia de hambúrgueres do mundo, vende 11 milhões de Whoppers, Crispy Chicken Jr., Bacon Kings e outros sanduíches por dia. Qual é o impacto ambiental para produzir toda essa carne? A empresa não fornece quase nenhuma informação sobre como sua carne é produzida ou se os produtos alimentícios utilizados em suas refeições são provenientes de cultivos ambiental e socialmente responsáveis.

Seguramente, essa não é a única empresa cuja falta de políticas e práticas adequadas estão causando grandes problemas ambientais. Como ela, a indústria de fast food e outros comerciantes de carne, como supermercados, obtêm suas matérias-primas de diversas fontes questionáveis. Entretanto, devido ao seu tamanho, às extensas conexões com outras grandes empresas de alimentos e à aparente falta de vontade de começar a enfrentar o desafio, o Burger King é o exemplo adequado para contar a história da indústria global de carnes.

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Como este relatório mostra, o Burger King omite muita coisa: Até o momento, a gigante do setor de fast food não conseguiu adotar nenhuma política séria para proteger os ecossistemas nativos na produção de seus alimentos. Nesse assunto, apesar da pressão dos consumidores, o Burger King está muito atrás de concorrentes como o McDonald’s. As empresas que fazem parte da cadeia de suprimentos do Burger King têm sido associadas à destruição contínua de florestas e pradarias – habitat de animais selvagens, como preguiças, onças-pintadas, tamanduás gigantes e outras espécies.

Ao contrário de muitos de seus concorrentes, o Burger King repetidamente recusou pedidos de organizações da sociedade civil para se comprometer a comprar apenas de fornecedores que não tenham envolvimento com a destruição das florestas ou fornecer informações sobre a origem de seus produtos. Enquanto isso, o McDonald’s demonstrou sua liderança no assunto, ao se comprometer a eliminar o desmatamento de suas cadeias de suprimentos e estimular seus fornecedores a fazerem o mesmo. O Burger King recebeu a pior avaliação possível, ficando muito atrás de outras grandes organizações, como Wal-Mart, McDonald’s e Wendy’s, na classificação da Union of Concerned Scientist, que avalia o desmatamento causado pelos maiores produtores de carne.

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O Impacto Das Cadeias de Suprimentos de Carne Globais

Para examinar o impacto das operações do Burger King, vamos nos concentrar na soja, o principal alimento do gado que fornece a carne para suas refeições. A soja é um ingrediente básico importante para a produção mundial de carne. Cerca de 75% da produção mundial é utilizada na alimentação de animais, e seu cultivo está deixando uma cicatriz enorme na superfície terrestre. Mais de um milhão de quilômetros quadrados do nosso planeta –equivalente ao total das áreas da França, Alemanha, Bélgica e Países Baixos combinadas – são dedicados à produção de soja.

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Vastas áreas da Floresta Amazônica, do Cerrado brasileiro, do Chaco argentino, das florestas de terras baixas bolivianas e da Mata Atlântica no Paraguai foram transformadas em monoculturas de soja. Este relatório se concentra nos impactos do agronegócio sobre esses ecossistemas e biodiversidade extraordinários da América do Sul.

Este relatório se concentra nos impactos dos agronegócios sobre os ecossistemas e a biodiversidade extraordinários da América do Sul. Em 2017, a Mighty preparará um relatório para examinar o impacto das práticas de algumas dessas mesmas empresas sobre o meio ambiente da região centro-oeste americana.

Vastas áreas da Floresta Amazônica, do Cerrado brasileiro, do Chaco argentino, das florestas de terras baixas bolivianas e da Mata Atlântica no Paraguai foram transformadas em monoculturas de soja. Este relatório se concentra nos impactos do agronegócio sobre esses ecossistemas e biodiversidade extraordinários da América do Sul.

Este relatório se concentra nos impactos dos agronegócios sobre os ecossistemas e a biodiversidade extraordinários da América do Sul. Em 2017, a Mighty preparará um relatório para examinar o impacto das práticas de algumas dessas mesmas empresas sobre o meio ambiente da região centro-oeste americana.

 

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Descobrindo Um Rastro de Destruição

Para essa pesquisa, visitamos 28 localidades, cobrindo 3.000 quilômetros de extensão no Brasil e na Bolívia, onde a produção de soja em escala industrial está alimentando o desmatamento em massa (Para obter mais detalhes, imagens de satélite e fotos e vídeos adicionais de cada site, consulte o nosso relatório). Para denunciar a falta de transparência e identificar o desmatamento ligado aos gigantes dos agronegócios na cadeia de suprimentos da empresa, utilizamos mapeamento por satélite, ferramentas de análise da cadeia de suprimentos, entrevistas com produtores de soja e uma extensa pesquisa de campo.

Para denunciar a falta de transparência do Burger King e identificar o desmatamento ligado aos gigantes dos agronegócios na cadeia de suprimentos da empresa, utilizamos mapeamento por satélite, ferramentas de análise da cadeia de suprimentos, entrevistas com produtores de soja e uma extensa pesquisa de campo. Visitamos 28 localidades, cobrindo 3.000 quilômetros de extensão no Brasil e na Bolívia, onde a produção de soja em escala industrial está alimentando o desmatamento em massa. Para obter mais detalhes, imagens de satélite e fotos e vídeos adicionais de cada site, consulte o nosso relatório.

Na fronteira sul-americana, encontramos indicadores da presença das principais organizações que dominam a agricultura global, responsáveis pelo fornecimento para o Burger King e outras empresas alimentícias. Empresas como as americanas Cargill, Bunge e ADM compram grãos,constroem silos e estradas, fornecem fertilizantes aos agricultores e até financiam operações de limpeza de terras.

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O Cerrado do Brasil é uma savana com 200 milhões de hectares, coberta por vegetação e rica em vida selvagem. A região abriga 5% da biodiversidade mundial, incluindo espécies ameaçadas, como o onça-pintada, o tamanduá-bandeira, a raposa-do-campo , o lobo-guará e o cervo de pântano. Os solos do Cerrado armazenam quantidades significativas de carbono, que são liberadas durante opreparo para a agricultura. Além disso, a região é uma fonte vital de água para milhões de pessoas que vivem em Brasil. Neste bioma encontram-se as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata). O Cerrado até ajuda a impulsionar a economia brasileira: 90% dos brasileiros dependem da energia hidrelétrica gerada pelas suas bacias hidrográficas.

Entretanto, esta vasta savana está em estado de emergência, em grande parte por causa das práticas insustentáveis de empresas produtoras de soja e gado. Mais de metade da sua área já foi destruída.

Nosso objetivo é analisar quais são as organizações responsáveis por essa crise. Utilizamos dados e análises da Companhia Nacional Brasileira de Abastecimento Agrícola (Conab) para relacionar os silos degrãos e outras instalações das empresas com os dados de desmatamento obtidos apartir da análise por satélite realizada pelo grupo de pesquisa Lapig da Universidade Federal de Goiás, no Brasil.

Presença da Cargill e da Bunge nasÁreas Mais Desmatadas

Várias empresas de soja operam no Cerrado, mas a análise mostrou que a Cargill e a Bunge são os dois empresas de soja mais ligados ao desmatamento. Ambas as empresas compram soja de fazendeiros, que é enviada para várias partes do mundo para alimentar galinhas, porcos e vacas mantidos em confinamento, até serem transformados em sanduíches de frango, bacon e hambúrgueres.

A Cargill é a maior empresa privada dos Estados Unidos, com faturamento de US$ 120 bilhões, líder mundial no comércio de soja, óleo de palma, gado, algodão e outras commodities. Esta empresa norte-americana tem uma história de décadas de destruição dos recursos naturais brasileiros.

A Bunge, empresa com ações negociadas publicamente localizada em White Plains, subúrbio arborizado de Nova York, é uma das maiores presenças no Cerrado. Atualmente, possui a maior infraestrutura instalada em Matopiba (estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a região do Cerrado com maior desmatamento causado pela soja. Recentemente, a Bunge ampliou ainda mais a sua rede na região.

Além de comprar soja, a Cargill e a Bunge financiam estradas e outras infraestruturas e fornecem fertilizantes e outros recursos aos agricultores, o que lhes atribui um papel direto no desmatamento. A Bunge é a empresa com maior participação no desmatamento do Cerrado nos últimos cinco anos, seguida pela Cargill.

Nos 29 municípios do Cerrado onde a Bunge opera silos comerciais foram detectados quase 50 mil hectares de desmatamento em 2015, e um total acumulado de 567.562 hectares de 2011 a 2015. Já nos 24 municípios onde a Cargill opera silos, foram 130 mil hectares de desmatamento durante esses mesmos cinco anos. Além disso, em 12 municípios, tanto a Cargill quanto a Bunge operam silos. O desmatamento total dessas áreas atingiu um total de 90.129 hectares no mesmo período. A investigação não pode afirmar que todo o desmatamento identificado foi causado pela soja. Entretanto, essas empresas fornecem incentivos financeiros que estimulam a destruição e não estão tomando medidas adequadas para evitar o desmatamento das regiões onde operam.

Bolivia

Uma onça-pintada registrada na Amazônia boliviana
Crédito: Vivian Nicholas

Nossa equipe de campo visitou a Bolívia, outro país produtor de soja para distribuição mundial. Habitat de mais de 14.000 espécies deplantas, 325 de mamíferos, 186 de anfíbios, 260 de répteis, 550 de peixes e 1.379 de pássaros, a Bolívia é um dos países com maior biodiversidade do mundo. Preguiças de três dedos relaxam em árvores e dormem tanto que até musgos crescem neles. Araras em disparada colorem o céu azul acima da Floresta Amazônica. Golfinhos cor-de-rosa nadam e pescam. Os suçuaranas dominam toda a área.

Infelizmente, o país também tem sido um centro para ocultivo insustentável de soja para a alimentação de gado, o que está causando adestruição dos ecossistemas nativos. A Cargill e outros comerciantes também estão ligados à devastação em ritmo vertiginoso dessa biodiversidade. Nos locais que visitamos na Bolívia, os trabalhadores citaram a Cargill e a Archer Daniels Midland (ADM), empresa sediada em Chicago, como os maiores compradores de soja. De acordo com um estudo do Instituto Internacional de Estudos Sociais em Haia, os silos e armazéns da Cargill na Bolívia podem armazenar até 27 mil toneladas de grãos. A empresa também tem parcerias com outros proprietários de silos em 12 locais. A mesma pesquisa mostra que a ADM controla 13% das exportações de soja do país.

De acordo com um relatório de 2015 da Organização de Alimentos e Agricultura, uma média de 289.000 hectares de terras bolivianas foram desmatadas por ano entre 2010 e 2015. Um estudo publicado no periódico científico internacional Plos One descobriu que a Bolívia perdeu 430.000 hectares de floresta por ano na década passada. Mais de três quartos deste desmatamento ocorrem na região de Santa Cruz, foco durante as pesquisas no país. De acordo com a análise da Forest Trends, até 90% deste desmatamento é ilegal.

Embora a Bolívia seja um dos países menos desenvolvidos economicamente da América do Sul, seus níveis de emissão de gases de efeito estufa per capita são iguais ou maiores que os de muitos países europeus. Mais de 80% dessas emissões provêm do desmatamento.

Quando chegamos nos arredores de Santa Cruz, a capital agrícola da Bolívia, imediatamente observamos o mesmo tipo de desmatamento extensivo visto no Brasil. Incêndios enormes e fora de controle ardiam no horizonte. Os trabalhadores agrícolas explicaram como as chamas provocadas pelos produtores de soja secaram a paisagem e tornaram-na vulnerável ao fogo.

Incêndio florestal na propriedade Valle Verde, na Bolívia
Crédito: Jim Wickens/Ecostorm

Vivendo Entre os Campos de Soja: o Impacto nas Comunidades Locais

As populações locais e indígenas muitas vezes sofrem as consequências do desmatamento. A Bolívia possui o maior número de povos nativos de toda a América Latina. De acordo com o censo de 2012, cerca de 40% dos seus cidadãos se identifica como indígena. Grande parte do restante da população tem origem mista indígena e europeia. Muitas comunidades nativas vivem em florestas e dependem delas para obter alimento, água, abrigo e também para sua desenvolvimento cultural. Produtores de soja, fazendeiros e indivíduos com interesses madeireiros ilegais têm frequentemente utilizado a violência para expulsar povos, como os Guarani, de suas terras ancestrais.

Crianças indígenas Ayoreo no vilarejo de Puesto Paz, na Bolívia
.Crédito: Jim Wickens\/Ecostorm

Crianças indígenas Ayoreo no vilarejo de Puesto Paz, na Bolívia
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Crédito: Jim Wickens/Ecostorm

Visitamos a comunidade indígena Ayoreo, na aldeia de Puesto Paz, a algumas horas a leste de Santa Cruz. Até recentemente, os Ayoreo eram caçadores e coletores tradicionais, e exploravam as vastas florestas que se estendiam em todas as direções. Hoje, após as florestas terem sido derrubadas, a comunidade Ayoreo está isolada e cercada por campos de soja. As terras onde tradicionalmente caçavam são agora de propriedade de empresas estrangeiras, que enviam suas produções para o exterior. Quando nossa equipe conversou com o líder da aldeia, ele descreveu o medo da comunidade quando os aviões passam por cima de suas cabeças, pulverizando pesticidas a poucas centenas de metros. Ele contou sobre um incidente em que várias crianças morreram porque beberam água em um recipiente de pesticida descartado, encontrado em um campo de soja nas proximidades. Geralmente, é assim que a cadeia de suprimentos global de carne termina: florestas derrubadas e uma comunidade expulsa de suas terras, vivendo uma existência precária, isolada do seu passado e sem saber como será seu futuro.

Vista aérea de uma da comunidade Mennonite percorrida pelo time da Mighty na Bolívia.
Crédito: Jim Wickens/Ecostorm

2010: Área de fronteira na Bolívia, visitada pouco antes do desmatamento, localizada a uma hora da cidade de San José, em Santa Cruz

Espalhando o Sucesso: a moratória da soja

O desmatamento que observamos no Cerrado e na Bolívia não é inevitável. Na Amazônia brasileira, a Cargill, a Bunge e outras empresas descobriram como proteger os ecossistemas e ainda progredir em seus negócios.

Após a pressão dos consumidores, que exigiam carne produzida de forma sustentável, os principais negociantes de soja se uniram e anunciaram que não comprariam mais soja cultivada em terras da Amazônia brasileira desmatadas após 2006 (data posteriormente alterada para 2008). Os resultados foram significativos: nos dois anos anteriores ao anúncio, 30% das novas plantações de soja na Amazônia brasileira eram provenientes da destruição de florestas. Depois do acordo, esse número baixou para apenas 1%. Com a união de outras ações do governo brasileiro e da sociedade civil, inclusive do setor pecuário, o Brasil reduziu o desmatamento total da Amazônia em mais de dois terços, tornando-se o país que mais diminuiu a poluição climática no mundo.

Ainda assim, a indústria de soja conseguiu crescer em um ritmo extraordinário: mesmo com a redução do desmatamento, a área de cultivo de soja na Amazônia brasileira mais do que triplicou em apenas dez anos, passando de um milhão para 3,6 milhões de hectares. Essa expansão agrícola sem desmatamento foi possível graças à abundância de terras anteriormente desmatadas, onde a agricultura se expandiu sem ameaçar os ecossistemas nativos através do aprimoramento da produção e da adoção de práticas mais eficientes. Esse exemplo mostra a viabilidade do desenvolvimento de uma agricultura mais responsável em grande escala.

Aumento do crescimento econômico, medido, entre outros, por meio do valor da produção agrícola, registrado no Brasil enquanto a taxa de desmatamento na Amazônia diminuía. Crédito: Paulo Barreto, Imazon 

Aumento do crescimento econômico, medido, entre outros, por meio do valor da produção agrícola, registrado no Brasil enquanto a taxa de desmatamento na Amazônia diminuía. Crédito: Paulo Barreto, Imazon

É possível fazer uma revolução semelhante na América Latina. Em toda a região, existem aproximadamente 200 milhões de hectares de florestas e pastagens degradadas, equivalente a 15 vezes a área da Inglaterra. Mesmo se apenas parte dessas terras pudessem ser utilizadas produtivamente para a agricultura, elas proporcionariam amplas áreas para a implementação de ambiciosos planos de expansão agrícola e ainda deixariam espaço para esforços de restauração ecológica que respeitassem os legítimos direitos territoriais das comunidades indígenas e locais. Os fazendeiros de soja e pecuaristas também poderiam gerenciar as terras com mais eficiência, cultivando mais soja e aumentando a quantidade de gado em espaços menores.

A boa notícia é que a oportunidade de crescimento agrícola na América Latina sem desmatamento está ganhando força. Em 19 de outubro de 2016, José Sarney Filho, ministro do Meio Ambiente do Brasil, participou de um evento que celebrava o décimo aniversário da moratória da soja. Ele falou sobre o sucesso da iniciativa na Amazônia e pediu uma extensão do mecanismo para o Cerrado.

Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, anunciando seu apoio à ampliação do mecanismo para o Cerrado em evento comemorativo do décimo aniversário da moratória da soja
. Crédito: Abiove

Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, anunciando seu apoio à ampliação do mecanismo para o Cerrado em evento comemorativo do décimo aniversário da moratória da soja . Crédito: Abiove

“Hoje, o desmatamento é muito maior no Cerrado do que na Amazônia. Com a crise climática, cada vez mais precisamos da floresta em pé, proporcionando benefícios ambientais e garantindo a presença de água”, disse Sarney Filho. “Podemos ver o quanto este caminho avançou na Amazônia e planejar sua evolução.”

– José Sarney Filho, Brazilian Minister of the Environment

Empresas como McDonald’s, ADM, Wilmar e Louis Dreyfus também manifestaram seu apoio. Tudo indica que esse caminho levará ao sucesso. Embora ainda exista muito a ser feito, a ADM começou a mapear suas cadeias de suprimentos, a trabalhar com a ONG The Forest Trust para comunicar suas expectativas de produção sustentável aos fornecedores e a tomar medidas contra os produtores que não estão em conformidade com seus requisitos. Entretanto, até agora, o Burger King, a Bunge e a Cargill se recusaram a apoiar a extensão da moratória da soja para além da Amazônia brasileira. A Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), associação da qual fazem parte empresas como a Cargill e a Bunge e outras empresas, diz que não está considerando uma extensão da moratória da soja ao Cerrado, afirmando que o mecanismo da Amazônia foi posto em prática durante uma “situação de emergência” e que “não há uma situação de crise que justifique uma moratória para o Cerrado”.

É difícil entender como o que está acontecendo no Cerrado não é considerado uma emergência ambiental. Mais da metade da sua vegetação natural já foi desmatada, enquanto que, na Amazônia, esse valor não chegou aos 25%. Um estudo recente de universidades brasileiras descobriu que o desmatamento ameaça o abastecimento de água do Cerrado, que por sua vez pode provocar secas na vizinha Amazônia, tornando-a mais suscetível a grandes incêndios. No entanto, grandes empresas de soja, como a Cargill e a Bunge, que fornecem para o Burger King e muitos outros grandes varejistas de carne, não deram sinais de que pretendem mudar algo. Esperamos que este relatório não apenas forneça evidências de que existe uma emergência real e generalizada, mas também que é possível encontrar soluções.

“Não há uma situação de crise, o que justificaria uma moratória para o Cerrado”,
Abiove, Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais

Desmatamento extensivo e incêndios na Fazenda São José, em São Desidério, na Bahia. Crédito: Jim Wickens / Ecostorm
Aspas do press release da Abiove de 24 de outubro de 2016

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Potencial Para Mudança

O Burger King e seus fornecedores têm uma enorme oportunidade de contribuir positivamente para a proteção do meio ambiente e das comunidades indígenas. O Burger King tem influência significativa na indústria de alimentos e na agricultura. A empresa é responsável por mais de 15 mil restaurantes em aproximadamente 100 países. Ela é administrada pela empresa brasileira de investimentos 3G Capital, que também tem ações em empresas como Tim Hortons, a Kraft Heinz Company e a Anheuser-Busch InBev, o que significa que as suas políticas e práticas têm um grande impacto na forma como muitos produtos – de hambúrgueres a cerveja e de macarrão a queijo – são fabricados.

A empresa foi fundada pelos bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira, Marcel Herrmann Telles, Roberto Thompson e current managing parnter, Alexandre Behring da Costa. Em 2015, Lemann foi considerado pela Forbes o homem mais rico do Brasil e a 26ª pessoa mais rica do mundo, com um patrimônio líquido de mais de US$ 32,7 bilhões. A 3G Capital é conhecida por seu foco em medidas extremas de redução de custos. De acordo com Sonho Grande, livro de Cristiane Correa sobre os três sócios, a frase favorita de Sicupira é: “Custo é como unha, tem que cortar sempre”.

Jorge Paulo Lemann, um dos fundadores da 3G Capital. 
Crédito: Getty Images

Jorge Paulo Lemann, um dos fundadores da 3G Capital. Crédito: Getty Images

O Burger King deveria usar a sua riqueza e influência de forma positiva, unindo-se a outros integrantes da indústria do fast food para adotar e implementar uma política forte de “Sem desmatamento, sem exploração”. Deveria também divulgar quem são seus fornecedores e informar se eles estão em conformidade com as política de sustentabilidade. Além disso, deveria unir-se ao McDonald’s e outras empresas para estimular seus fornecedores – empresas como a Bunge e a Cargill – a expandir a moratória da soja para o restante da América Latina e trabalhar com governos, comunidades e a sociedade civil para apoiar a expansão da produção sustentável da agricultura.

Tome uma atitude!

Hambúrgueres e batatas fritas não valem a destruição das florestas tropicais. Assine essa petição para pedir que o Burger King pare de destruir florestas e que exija que todos os seus fornecedores, especialmente Cargill e Bunge, trabalhem imediatamente para remover o desmatamento de suas cadeias de suprimentos.

A moratória da soja no Brasil mostrou que o crescimento comercial e a proteção ambiental não são necessariamente conflitantes. O ministro do Meio Ambiente do Brasil, junto com grandes empresas de consumo, apoia a ação de expansão da moratória da soja para o Cerrado e resto da América Latina.
O mais importante é que os consumidores estão exigindo que seus alimentos sejam produzidos de forma responsável, sem relação com o desmatamento ou a exploração de povos indígenas. Ninguém quer pensar em preguiças perdendo suas casas para uma plantação de soja ou uma fazenda de gado, enquanto morde um Whopper, um sanduíche de frango ou um bife. As pessoas querem alimentos a preços acessíveis e que não prejudiquem ecossistemas e comunidades, a base para a criação de um sistema alimentar verdadeiramente sustentável.

O Burger King, a Cargill, a Bunge e outras empresas têm a oportunidade de ajudar a encerrar a era do desmatamento na América Latina e conduzir o mundo em direção à produção sustentável de alimentos. Chegou a hora de perceberem isso.

This report was produced with support from a grant from the Norwegian Agency for Development Cooperation.

 

 

 

 

 

 

Informativo do Programa Cidades Sustentáveis   
17 de março de 2017   
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