Bairro solar na Alemanha produz quatro vezes mais energia do que consome

01O bairro solar Schlierberg, em Friburgo, Alemanha, é capaz de produzir quatro vezes mais energia do que consome, provando que uma construção ecológica pode ser muito lucrativa.

O condomínio é autossuficiente em energia e atinge isso através do seu projeto de energia solar, que utiliza painéis fotovoltaicos dispostos na direção correta. Parece uma estratégia simples mas, geralmente, os projetistas pensam nas instalações solares tardiamente, e dessa forma os painéis perdem parte de sua eficiência.

Foto: Divulgação

A vila, projetada pelo arquiteto alemão Rolf Disch, enfatiza a construção de casas e vilas que planejam as instalações solares desde o início do projeto, incorporando inteligentemente uma série de grandes painéis solares sobre os telhados. Os edifícios também foram construídos dentro das normas de arquitetura passiva, o que o permite produzir quatro vezes a quantidade de energia que consome.

O condomínio, com cerca de 11 mil m2, possui densidade média, tamanho balanceado, acessibilidade, espaços verdes e exposição solar.

Fotos: Divulgação

Ao todo são 59 residências e um grande edifício comercial, chamado Solar Ship, que criam uma região habitável com o menor impacto ambiental possível. Nove das residências são apartamentos localizados na cobertura do edifício comercial. As residências multifamiliares possuem entre 75 e 162 m2.

Todas as casas são de madeira e construídas apenas com materiais de construção ecológicos. O conceito de cores foi desenvolvido por um artista de Berlim, Erich Wiesner.

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As casas têm grande acesso ao aquecimento solar passivo e utilizam a luminosidade natural. Cada casa possui uma cobertura simples, com beirais largos, que permitem a presença do sol durante o inverno e protegem as casas durante o verão. Tecnologias avançadas como o isolamento a vácuo, aumentam o desempenho térmico do sistema da construção.

As coberturas possuem sistemas de captação de água da chuva. A água é utilizada na irrigação de jardins e nas descargas de vasos sanitários. Os edifícios também utilizam lascas de madeiras para o aquecimento no inverno, diminuindo ainda mais o impacto no ambiente.

As instalações permanecem livres de carros, graças à garagem abaixo do edifício comercial, onde é organizado um sistema de compartilhamento de automóveis.

Foto: Divulgação

Mayra Rosa – Redação CicloVivo

19 alimentos que limpam as artérias de forma natural e te protegem de ataques cardíacos

Uma das principais causas de morte mundial está relacionada com problemas de coração. Quando as artérias estão entupidas, elas dificultam o fluxo de sangue, aumentando a probabilidade de infarto ou AVC.

A má alimentação, falta de exercício, a genética, e o estresse, também contribuem para essas doenças. Algumas mudanças na sua dieta poderão diminuir muito o risco de problemas de coração. Veja os 19 alimentos e bebidas que o ajudarão a melhorar a sua saúde cardíaca.

1. Salmão

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O salmão é um peixe muito benéfico devido a ter grandes quantidades de ácidos gordos. Eles diminuem e previnem o aumento do colesterol, assim como dos triglicerídeos. O atum, arenque e cavala também são ótimas opções.

2. Suco de laranja

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A laranja é conhecida por ter bastantes antioxidantes e eles ajudam a diminuir a pressão sanguínea. Dois copos de suco de laranja por dia equivalem à dose diária recomendada de vitamina C, e podem ter um impacto muito benéfico em sua saúde.

3. Café

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Vários estudos comprovam que beber entre 2 a 4 chávenas de café por dia reduz o risco de infarto até 20%. Mas não exagere na dose. Esta bebida pode ter efeitos indesejáveis, como aumento da ansiedade ou insónias.

4. Frutos secos

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Comer um punhado de frutos secos por dia pode melhorar muito a sua saúde. As nozes, amêndoas, castanhas, entre outros, são conhecidos por terem gorduras saudáveis, destacando-se o ômega 3 e as gorduras insaturadas. Para além de manterem o colesterol equilibrado, os frutos secos melhoram a sua memória e articulações.

5. Caqui

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Para além de ser delicioso, o Caqui é rico em fibra e esteróis saudáveis, podendo diminuir o seu nível de colesterol.

6. Cúrcuma

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A cúrcuma, mais conhecida como açafrão-da-terra, ajuda a prevenir o armazenamento de gordura em excesso e melhora as inflamações. Pode ser usada como tempero ou para fazer chá.

7. Chá verde

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Para além dos seus efeitos calmantes, o chá verde contêm antioxidantes que “absorvem” o colesterol e ajudam a acelerar o metabolismo. Beba uma ou duas xícaras de chá por dia e começará a notar diferenças em seu corpo.

8. Melancia

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Quem é que não gosta de comer frutas no verão? Para além de serem refrescantes, as melancias alargam os vasos sanguíneos, fomentando a produção de óxido nítrico.

9. Farinha integral

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A farinha integral tem muita fibra e previne o colesterol de se acumular nas artérias.Podemos encontrar esse ingrediente em alimentos como aveia, arroz integral e pão integral.

10. Queijo

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Consumido em excesso, o queijo pode ser prejudicial para o coração. Mas, em pequenas doses, pode baixar o nível de colesterol.

11. Algas marinhas

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As algas marinhas têm uma grande lista de benefícios. São ricas em minerais, vitaminas, proteínas, antioxidantes e carotenóides. Ao consumir regularmente este alimento, você pode regular sua pressão sanguínea e melhorar a circulação. Para além disso, está provado que as pessoas que ingerem algas regularmente podemdiminuir o colesterol em até 15%.

12. Arando ou Oxicoco

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Esta fruta é uma grande fonte de potássio. Ao comer ou beber suco de arando, vocêaumenta o nível de colesterol bom e diminui o ruim. Com apenas 2 copos desse suco por dia, o risco de infarto diminui até 40%.

13. Canela

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Para além de ser uma delícia, a canela é também uma aliada muito importante para combater o colesterol alto. Consuma uma colher de chá dessa especiaria por dia e verá resultados em pouco tempo.

14. Romã

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Esta fruta é rica em fitoquímicos, promovendo a produção de óxido nítrico, que ajuda a melhorar a circulação. A romã pode ser usada de várias formas: na salada, no suco, etc.

15. Espinafres

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A famosa comida do Popeye, que o fazia ficar forte! Na verdade, os desenhos animados tinham razão, este vegetal ajuda a fortalecer os tecidos musculares, mas também tem outros benefícios. O espinafre limpa as artérias, diminui a pressão sanguínea, e é rico em potássio e ácido fólico, substâncias que diminuem o risco de infarto.

16. Azeite de Oliva

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Os nossos antepassados já sabiam sobre este segredo saúde: azeite de boa qualidade. Ele fornece gorduras saudáveis ao corpo, diminui os níveis de colesterol e reduz o risco de infarto em 41%.

17. Brócolis

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Outro vegetal muito importante para a pressão sanguínea e colesterol. O brócolis está cheio de vitamina K e previne que o cálcio se acumule nas artérias.

18. Abacate

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Toda a gente sabe que o abacate é muito saudável. As gorduras “boas” desse fruto equilibram o colesterol bom e o ruim. E o melhor de tudo? É um alimento que pode ser colocado em tudo: na salada, no pão, num batido, entre outros.

19. Aspargo

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Este vegetal previne inflamações e entupimento das veias. O aspargo luta contra o colestrol alto, para além de ser delicioso!

Compartilhe com todas as pessoas que sofrem de problemas cardíacos!

Vandana Shiva e a Batalha das Sementes

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Como a imensa diversidade alimentar do planeta, mantida pelos agricultores por milênios, é ameaçada por empresas como a Monsanto. Quais as possíveis resistências

Por Vandana Shiva | Tradução: Inês Castilho

O 22 de maio foi declarado Dia Internacional da Biodiversidade pela ONU. Isso oferece oportunidade de tomar consciência da rica biodiversidade desenvolvida por nossos agricultores, como cocriadores junto à natureza. Também permite tomar conhecimento das ameaças que as monoculturas e os monopólios de Direitos de Propriedade representam para nossa biodiversidade e nossos direitos

Assim como nossos Vedas e Upanishads [os textos sagrados do hinduísmo] não possuem autores individuais, nossa rica biodiversidade, que inclui as sementes, desenvolveu-se cumulativamente. Tais sementes são a herança comum das comunidades agrícolas que as lavraram coletivamente. Estive recentemente com tribos da Índia Central, que desenvolveram milhares de variedades de arroz para o seu festival de “Akti”. Akti é uma celebração do convívio entre a semente e o solo, e do compartilhamento da semente como dever sagrado para com a Terra e a comunidade.

Além de aprender sobre as sementes com as mulheres e os camponeses, tive a honra de participar e contribuir com leis nacionais e internacionais sobre biodiversidade. Trabalhei junto ao governo indiano nos preparativos para a Cúpula da Terra Rio-92, quando a Convenção sobre Biodivesidade da ONU (CBD) foi adotada pela comunidade internacional. Os três compromissos-chave da CBD são a proteção dos direitos soberanos dos países sobre sua biodiversidade, do conhecimento tradicional das comunidades, e da biossegurança, no contexto de alimentos geneticamente modificados.

A ONU indicou-me para integrar o painel de especialistas encarregado de pensar o protocolo de biossegurança, adotado como Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. Fui indicada como membro do grupo de especialistas que desenhou a Lei Nacional sobre Biodiversidade, assim como a Lei sobre Variedade de Plantas e Direitos dos Agricultores, na Índia. Em nossas leis, garantimos o reconhecimento dos direitos dos agricultores. “Um agricultor deve ser considerado capaz de conservar, usar, semear, ressemear, trocar, compartilhar ou vender seus produtos agrícolas, incluindo as sementes de variedades protegidas por esta lei, do mesmo modo que estava autorizado antes da vigência dela”, diz o texto.

 

Trabalhamos nas últimas três décadas para proteger a diversidade e a integridade de nossas sementes, os direitos dos agricultores, e resistir e desafiar os monopólios de propriedade intelectual ilegítimos de empresas como a Monsanto, que faz engenharia genética para exigir patentes e royalties.

Patentes de sementes são injustas e injustificáveis. Uma patente ou qualquer direito de propriedade intelectual é um monopólio garantido pela sociedade em troca de benefícios. Mas a sociedade não se beneficia de sementes tóxicas e não renováveis. Estamos perdendo biodiversidade e diversidade cultural, estamos perdendo nutrição, sabor e qualidade em nossos alimentos. Sobretudo, estamos perdendo nossa liberdade fundamental de decidir quais sementes plantaremos, como iremos cultivar nosso alimento e o que iremos comer.

De bem comum, as sementes transformaram-se em commodities de empresas privadas de biotecnologia. Se elas não forem protegidas e colocadas novamente nas mãos de nossos agricultores, corremos o risco de perdê-las para sempre.

Em todo o mundo, as comunidades estão armazenando e trocando sementes de diversas maneiras, conforme cada contexto. Estão criando e recriando liberdade – para a semente, para os protetores das sementes, para a vida e para todas as pessoas. Quando conservamos uma semente, também renovamos e restauramos o conhecimento – o conhecimento da reprodução e da conservação, o conhecimento do alimento e da agricultura. A uniformidade tem sido usada como medida pseudocientífica para criar monopólios de propriedade intelectual sobre sementes. Uma vez que uma empresa tem patente sobre sementes, ela empurra para os agricultores suas produções patenteadas para receber royalties.

A humanidade tem se alimentado de milhares (8.500) de espécies de plantas. Hoje estamos condenados a comer milho e soja geneticamente modificados de diferentes formas. Quatro culturas principais – milho, soja, canola e algodão – têm sido todas cultivadas às custas de outros cultivos, porque geram royalties por cada hectare plantado. A Índia, por exemplo, cultivava 1.500 tipos diferentes de algodão, e agora 95% são Algodão Bt, geneticamente modificado, pelo qual a Monsanto recebe royalties. Mais de 11 milhões de hectares de terra são empregados no cultivo de algodão. Destes, 9,5 milhões são usados para cultivar a variedade Bt da Monsanto.

Uma pergunta comum é: por que razão os agricultores adotam o algodão Bt, já que os prejudica? Mas os agricultores não escolhem o algodão Bt. Eles são obrigados a comprá-lo, uma vez que todas as outras alternativas estão destruídas. O monopólio de sementes é imposto pela Monsanto através de três mecanismos:

> Fazer com que os agricultores desistam das velhas sementes, o que no jargão da indústria é chamado de “substituição de semente”.

> Influir junto às instituições públicas para deter a reprodução das sementes tradicionais. O Instituto Central de Pesquisa do Algodão (CCIR, na sigla em inglês) da Índia não liberou variedades de algodão para a região de Vidharba, depois que a Monsanto entrou com suas sementes de algodão Bt.

> Manter as empresas indianas presas a acordos de licenciamento.

Esses mecanismos coercitivos, corruptos estão agora caindo por terra. A Rede Navdanya criou bancos de sementes comunitários aos quais os agricultores têm acesso para obter sementes nativas orgânicas e polinizadas. O CCIR, sob a liderança do Dr. Keshav Kranti, está desenvolvendo variedades nativas de algodão. Finalmente, o governo também interveio para regular o monopólio da Monsanto. Em 8 de março, baixou uma ordem de controle do preço da semente sob a Lei de Commodities Essenciais.

A Monsanto e a indústria de biotecnologia desafiaram a ordem do governo. Entramos com uma ação na corte superior do estado de Karnataka. Em 3 de maio, a Justiça de Bopanna baixou uma ordem reafirmando que o governo tem o dever de regular os preços das sementes e a Monsanto não tem o direito ao seu monopólio. A biodiversidade e os pequenos agricultores são a base da segurança alimentar, e não corporações como a Monsanto, que estão destruindo a biodiversidade e levando os agricultores ao suicídio. Esses crimes contra a humanidade precisam parar. Essa é a razão pela qual em 16 de outubro, Dia Internacional do Alimento, vamos organizar em Haia um Tribunal da Monsanto para “julgar” a corporação por seus vários crimes.

Violência e redução da maioridade penal ameaçam direitos das crianças no Brasil 25 anos após ECA

Relatório sobre os 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) divulgado esta semana apontou avanços do Brasil especialmente em saúde e educação nas últimas décadas. No entanto, a violência contra crianças e adolescentes negros e pobres permanece como um dos principais desafios, além do risco de retrocessos como a redução da maioridade penal. Documento foi elaborado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Após 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), direitos permanecem sob risco, diz relatório. Foto: EBC

Após 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), direitos permanecem sob risco, diz relatório. Foto: EBC

Relatório sobre os 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) divulgado esta semana apontou avanços do Brasil em saúde e educação nas últimas décadas. No entanto, a violência contra crianças e adolescentes, especialmente negros e pobres, permanece como um dos principais desafios do país, além do risco de retrocessos como a redução da maioridade penal.

O documento divulgado na quinta-feira (15) foi elaborado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

“Ao longo de 25 anos de existência, o ECA percorreu um caminho com muitos avanços e algumas ameaças de retrocessos. Entre os avanços, citam-se principalmente aqueles galgados nas áreas de educação e saúde”, disse o relatório.

Na saúde, o documento mencionou a redução na taxa de mortalidade infantil no país. De acordo com o Ministério da Saúde, entre 1990 e 2012 a taxa de óbito entre crianças menores de 1 ano foi reduzida em 68,4%, atingindo a marca de 14,9 mortes para cada 1 mil nascidos vivos (UNICEF, 2015), taxa próxima do nível considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na educação, documento lembrou os resultados positivos em praticamente todos os indicadores. Em 2014, o percentual de crianças de 6 a 14 anos matriculados no ensino fundamental era de 97,5%, quando em 1992 essa taxa era de 81,4% (PNAD 2014), enquanto a alfabetização entre jovens de 15 a 17 anos chegou a 99,1% dessa faixa etária.

“Sem dúvida, todos os avanços conquistados são advindos do vigoroso sistema de proteção social construído e fortalecido no país nas últimas duas décadas, com destaque para algumas políticas e medidas de referência, como a estruturação do Sistema Único de Assistência Social, o Programa Bolsa Família, a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE)”, afirmou o relatório.

O documento citou, por outro lado, dados alarmantes de violência contra crianças e adolescentes. Segundo o Mapa da Violência de 2013, os homicídios são a principal causa de morte no Brasil e atingem especialmente jovens negros do sexo masculino, moradores de periferia e áreas metropolitanas dos centros urbanos.

“A vulnerabilidade dos jovens às mortes por armas de fogo é maior hoje do que na década de 1980. No conjunto da população, o crescimento da mortalidade por armas de fogo foi de 346,5%, já para os jovens foi de 414%”, disse o documento.

Segundo estimativas do Mapa da Violência citadas pelo relatório, o Brasil é o país com maior número de homicídios por armas de fogo no mundo e, além do grave fato de a população jovem ser a mais vitimada, também há uma forte seleção racial: morrem 133% mais negros do que brancos.

“Sem dúvida, o ECA é uma legislação com capacidade de fazer uma verdadeira mudança na qualidade de vida de todas as crianças e adolescentes brasileiros. No entanto, ainda existem muitas dificuldades para que os princípios, as diretrizes e medidas estabelecidas no ECA se tornem realidade na vida de todas as famílias brasileiras”, afirmou o documento.

O relatório lembrou também que além das dificuldades na implementação do ECA, há ainda projetos de lei que ameaçam os direitos das crianças e dos adolescentes, entre eles a redução da maioridade penal.

“As propostas que visam à redução da maioridade penal e a mudança do tempo de internação, em geral, passam ao largo das causas da violência sofrida e cometida pelos jovens e desviam o foco das questões que precisam ser discutidas”, disse o documento.

Veja aqui o relatório completo.

Licínio de Almeida : A Educação Local comemora o quarto 1º lugar de Destaque no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) .

01O município de Licínio de Almeida – Bahia superou a meta no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em relação ao Ensino Fundamental nas escolas da rede municipal de Ensino, referente ao ano de 2015. Os dados foram divulgados dia 08/09/2016, pelo Ministério da Educação, através do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O município alcançou a média de 6.3 no Ensino Fundamental I, até o 5º ano, superando o índice estimado pelo MEC para o ano, que era de 5,0. No Ensino Fundamental II, do 6º até o 9º ano, o município ficou com a média 6,0, sendo que o índice estimado pelo MEC para o ano era de 4.0.

Os dados individuais por escola mostram uma grande evolução, principalmente se compararmos com o ano de 2005 (ano de início desta avaliação). No município, apenas a Escola Municipal Pingo de Gente era avaliada positivamente. Hoje, no entanto, a mesma escola se destaca com a nota 7,1 no fundamental I, não destoando das demais, como mostra a tabela abaixo:

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No Ensino Fundamental II, do 6º até o 9º ano, a maior nota (6,2) ficou com o Colégio Municipal Padre Anchieta, no Distrito de Tauápe, seguidas por 5,9 e 5,1 das Escolas Pingo de Gente e João Paulo II, respectivamente. O quadro abaixo mostra a grande evolução de 2005 para 2015:

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Tendo a média Nacional no Ensino Fundamental I de 5,3 e Licínio de Almeida com 6,3 e a do Ensino Fundamental II de 3,9 e Licínio de Almeida  com 6,0, fez-se necessário um questionamento: O que o Município de Licínio de Almeida na Bahia fez de especial  para atingir tão grande feito? E em conversa com a professora Karla Michely Teles de Miranda Santana, Secretária Municipal de Educação, não foi difícil compreender tamanho avanço: “ O Prefeito Alan Lacerda Leite deu-me autonomia para trabalhar. Como sou professora da rede Municipal, convivi diariamente com as dificuldades com que passam os professores na sala de aula, e então na oportunidade, como secretária, resolvi trabalhar como se eu estivesse ainda na sala de aula:

Plano de carreira respeitado e posto em prática;

Diálogo constante com os professores, alunos e pais;

Formação Continuada para professores, gestores e coordenadores escolares;

Jornada de trabalho de 40 horas para coordenadores, vices e Gestores;

Acompanhamento sistematizado diário, mensal e bimestral de cada aluno;

Dias letivos de fato, letivos;

Política de alfabetização;

Planejamento, por área, com todos os professores do Município juntos;

Parcerias com o Governo Estadual, Governo federal, Sistema positivo de Ensino e Instituto Ayrton Senna;

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Desperdício e destruição na era dos plásticos

Por Ricardo Abramovay*

Foto: ShutterstockOs oceanos recebem hoje um caminhão de plásticos por minuto. Isso significa anualmente 8 milhões de toneladas que vêm acrescentar-se aos 150 milhões de toneladas ali presentes. Para cada 3 quilos de peixe, há 1 quilo de plásticos nos ambientes marinhos. A continuar nesse ritmo, em menos de 35 anos a proporção será de 1 para 1, como mostra relatório da Ocean Conservancy. Um estudo publicado na prestigiosa revista científica PNAS estima a existência de 580 mil peças de plástico por quilômetro quadrado nos mares. A produção vem dobrando a cada 11 anos, desde 1950. Entre 2015 e 2026, a sociedade fabricará mais plásticos do que tudo o que foi feito até hoje.

É preciso reconhecer, claro, que os plásticos (o termo deve ser sempre empregado no plural, dada sua imensa diversidade de materiais, composição e usos) trouxeram benefícios imensos, ampliando as possibilidades de armazenagem de alimentos e medicamentos, tornando mais leves os automóveis (dos quais, em média, hoje, cerca de 50% do volume e de 10% a 15% do peso vêm desses materiais) e aviões (com 50% de plásticos em seu peso) e permitindo engradados mais duráveis: sem eles, o uso de recursos materiais, energéticos e bióticos seria ainda maior que o atual.

Em muitos setores, os plásticos são sistematicamente reutilizados. Mas a reciclagem desse material é baixa. Só nos Estados Unidos, de 10 milhões a 15 milhões de carros saem de circulação anualmente. As partes metálicas dos veículos são razoavelmente bem reaproveitadas, mas, como reconhece um estudo recente, a reutilização dos plásticos está na sua infância.

O setor mais crítico, nesse sentido, é o das embalagens plásticas. É aí que se concentra o recém-lançado relatório da Fundação Ellen MacArthur (The New Plastics Economy – Rethinking the future of plastics), cuja questão básica é: como permitir que um produto tão útil e ao mesmo tempo de tão difícil reaproveitamento, uma vez utilizado, seja parte da economia circular? A resposta vai em três direções: redução no uso de embalagens plásticas (desde que não sejam comprometidas as funções de conservação de alimentos e medicamentos que os plásticos hoje propiciam, bem entendido), melhoria nos sistemas de coleta pública e, sobretudo, muita pesquisa para que possam ampliar-se as raras iniciativas de destinação dos plásticos para biocompostagem ou reciclagem.

O desperdício é o principal chamariz capaz de atrair o setor privado para uma “nova economia dos plásticos”. Hoje 95% do material que compõe os plásticos usados para embalagens (num valor que oscila entre US$ 80 bilhões e US$ 120 bilhões anualmente) são perdidos após um primeiro uso. Passados 40 anos do lançamento do símbolo da reciclagem, somente 14% dos plásticos são reciclados. Isso é muito menos que o papel (58%), o ferro e o aço (70% a 90%).

E essa reciclagem distancia-se dos princípios da economia circular. Na maior parte das vezes destina-se a produtos que, uma vez utilizados, só poderão terminar suas vidas úteis em aterros ou incineradores. A virtuosa reciclagem de embalagens PET no sistema de garrafa a garrafa (bottle-to-bottle), por exemplo, só beneficia 7% da produção global. Esta é uma das razões que alarmam especialistas diante da notícia de que hoje há no mundo mais água vendida em embalagens plásticas do que refrigerantes, conforme um estudo canadense.

Ao desperdício do não reaproveitamento junta-se a destruição: no mundo, um terço das embalagens plásticas ou não são coletadas pelos sistemas públicos de limpeza ou escapam dos caminhões responsáveis por seu recolhimento, sobretudo nos países em desenvolvimento. Se as empresas (e os consumidores, claro) tivessem de pagar pelos custos impostos ao meio ambiente por essa destruição, o valor superaria os lucros globais da indústria do plástico, segundo estudo publicado pela ONU em 2014.

Mas o maior desafio é o da pesquisa. O relatório da Fundação Ellen MacArthur mostra que não existem normas internacionais definindo o que são plásticos compostáveis. Os chamados “plásticos verdes” atuais contam com biomassa em sua produção (emitindo menos Gases de Efeito Estufa que os advindos do petróleo), mas nem de longe, em sua esmagadora maioria, são passíveis de compostagem. Não são materiais “biobenignos”. Experiências de plásticos que, misturados a restos de alimentos, se decompõem, transformando-se em fertilizantes, são raríssimas e localizadas, ainda que promissoras, como mostra o caso da cidade de Milão.

Qualquer tentativa de flerte com as técnicas anteriores à idade dos plásticos é irrealista e indesejável. Ao mesmo tempo, conformar-se com os danos socioambientais de sua crescente produção será cada vez menos aceito. Limites – como no caso das águas engarrafadas e das sacolas plásticas –, educação do consumidor e inovação tecnológica são os caminhos para enfrentar este tão difícil desafio. (Eco21/ #Envolverde)

* Ricardo Abramovay é Professor Sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP.

** Publicado originalmente na edição 237 da Eco21.